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Pela democratização do elitismo

28 de julho de 2011 0

A bandeira não é minha, mas do mestre e melhor texto vivo do jornalismo brasileiro, Sérgio Augusto – ok, concedo que talvez seja um dos melhores, mas como é o que eu tenho a honra de poder chamar de amigo, é o melhor. Ponto. A ideia do título deste post surge na última frase do último ensaio do livro Lado B, coletânea de artigos das revistas Bravo! e Bundas publicado em 2001, que acabei de reler há alguns dias: “Precisamos democratizar o elitismo”.

Na apresentação do livro, outro mago do texto em português brasileiro – Luis Fernando Verissimo – dá uma medida de quem é o Sérgio: “Para poupar quem me pariu, não vou chamá-lo de ensaísta, nem dizer que é raro ver alguém tão erudito (‘ “Erudito”, porra?!’ Sérgio Augusto) ser tão divertido, ou alguém divertido ser tão profundo, ou alguém profundo ser tão comunicativo (‘Gozação, não!’ S.A.)”. Perfeita descrição.

Leitora de livros linear que sou – preferindo deixar a hipertextualidade para os meios digitais -, comecei a (re)leitura pelo LFV e terminei pela frase supracitada. E os dois textos fecharam um círculo perfeito, gerando um insight muito mais forte do que qualquer outro que eu poderia ter tido (e que não me lembro de ter tido) em 2002. Estamos emburrecendo? Pior: estamos nos esforçando para emburrecer?

A cada texto do livro do Sérgio eu me perguntava como eles teriam sido transformados para ganhar as páginas dos jornais de maior circulação do país se fosse seguida a lógica corrente de “explicar tudo” para o leitor. Certamente, não teriam causado os pequenos desconfortos que causam nas almas ignorantes como eu a necessidade de ir em busca de mais informações sobre os assuntos tratados ou de procurar a tradução para uma expressão consagrada em francês, inglês ou latim que se ele usou ali certamente eu preciso saber o que quer dizer. Porque a regra de hoje é cada vez mais a de mastigar tudo para o cristão não ter trabalho.

E agora eu rezo para que o Sérgio jamais pouse seus olhos nessas mal digitadas (e nem preciso rezar muito, pois leitor de blogs deste tipo sei que ele não é), porque a partir de agora faço uso do meu exemplo preferido para o caminho que corremos o risco de estar trilhando e para o qual podemos estar embarcando nossos herdeiros. E o exemplo não é um ensaio acadêmico com várias citações e referências culturais e históricas, nem um filme cabeça de um obscuro (porém genial) diretor de cinema escandinavo.

Num final de semana de abril de 2008, aluguei um filme seguindo meio desconfiada uma dica do Edu, ilustrador da Zero Hora. Nasceu ali meu fascínio pelo Idiocracy e o meu receio de que se a gente seguir muito ao pé da letra a orientação do título do livro-referência na minha área de trabalho – Não me faça pensar, do Steve Krug – possa acabar colaborando além da conta na estupidificação da humanidade.

Não, eu não vou contar o filme. E não vou resenhar o livro. Recomendo ambos fortemente. Depois a gente se junta e discute, que tal? Vai daqui a minha pequena contribuição para a democratização do penso.

O tempo passa, o tempo voa...

17 de setembro de 2010 1

… e eu, antes de começar a escrever, me pergunto que fim levou o barbudo da propaganda do Bamerindus.

Quase dois meses sem passar por aqui. E não que eu não tenha nada a dizer, pelo contrário. De 26 de julho pra cá, assinamos um contrato de financiamento imobiliário de 30 anos, usei os limites dos meus cartões de crédito parcelando material de construção,  finalizamos uma obra, fiz a 14ª mudança da minha vida e depois de muitas caixas abertas, muitas espanações, muitas doações de objetos e roupas que podem servir melhor a outras pessoas do que a mim, estou aqui sentada no meu novo escritório, de frente para o Márcio, pensando em quantas coisas ainda queremos fazer.

Em julho, eu havia retomado a publicação de posts. Como de costume, não havia qualquer intenção de gerar relevância ou reflexões importantes, apenas uma maneira de me conectar com meus poucos porém qualificadíssimos  leitores e de ter um registro divertido para, daqui a um tempo, lembrar do que me vinha ocorrendo. Porque, sim, eu ainda acredito no “blog” como um diário, um registro, uma marca. Deixei de registrar, por exemplo, várias coisas bacanas que rolaram e estão rolando na firma e perdi o timing.

Porque este blog é um pouco o meu jeito de cumprir parte do que determina a sabedoria popular sobre realização pessoal: plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho. Enquanto não escrevo meu livro, fico deixando minhas mal digitadas linhas por aqui. A árvore, plantei há três semanas no jardim da casa nova – uma bergamoteira, a Maricota. O filho? Espero do fundo do coração que venha quando estiver pronto para vir.

Leu até o final e gostou? Sugiro reler

29 de outubro de 2009 5

Li o Cauda Longa, do Chris Anderson, em 2007, quando o meu querido amigo Sérgio Lüdtke era o mais entusiasmado defensor da ideia de que precisávamos entender o que o homem estava dizendo. E o livro foi fundamental para a minha compreensão desse universo maluco em que estou inserida desde 2000 pelo menos.

Agora, dando aula de Jornalismo Online na Unisinos e tendo feito dele a leitura obrigatória dos alunos, me senti na obrigação de reler. Foi uma experiência das mais interessantes. A passagem do tempo, as experiências do período e o novo olhar foram importantíssimos para que eu pudesse ter a percepção de duas coisas fundamentais (uma legal e outra deprê):

  1. A legal: a aposta na Cauda Longa é definitivamente um caminho sem volta. Aonde quer que se olhe.
  2. A deprê: na maioria das vezes em que alguém usa a Cauda Longa como argumento para algum projeto ou ideia, o uso é equivocado.
Reler, neste caso, foi melhor do que ler.
*

Post curtinho, praticamente um tweet, mas com bem mais do que 140 caracteres.