Torcedor do Avaí achou jeito de burlar medidas da FCF/Hermínio NunesO clássico foi cheio de nuances, difícil de comentar numa só crônica. Teve ações dos técnicos, o nervosismo, a participação da arbitragem, enfim, resolvi desmembrar cada item para avaliação.
Antes que me cobrem, sobre a participação do árbitro Luiz Orlando de Souza (que também está avaliada aqui), acho que, no lance mais polêmico, a expulsão de Elton, ele agiu corretamente.
Vamos à avaliação do clássico em que o Leão fez 2 a 0 e colocou o time na briga com o Tigre, encerra um tabu de 20 anos sem vitória avaiana em estaduais e afasta o Figueirense (não matematicamente) da luta pelo título:
Os jogadores
Wilson/Eduardo Martini - Wilson estava perfeito nas saídas de gol, era um gigante impedindo as conclusões avaianas, porém, e bota porém nisso, falhou no gol avaiano. Martini, um pouco menos exigido, foi perfeito e fez uma defesa milagrosa em chute de Edu Salles.
Felipe Santana/Cássio - Santana tem muito vigor físico, mas saiu pouco para o ataque, mesmo quando o time tinha o mesmo número de homens. Cássio foi seguro, concentrado, pegador.
Bruno Perone/Fabrício - Ambos foram muito bons marcadores. A diferença é que Fabrício saiu mais para surpreender no ataque. Numa dessas, fez o gol da vitória.
Asprilla/Émerson - Emerson cumpriu suas funções com maestria. Asprilla em campo foi perfeito, depois perdeu a cabeça ao agredir Bebeto.
Léo Matos/Rodrigo Galo - Léo Matos ficou acuado na sua ala. Gallo esteve mais à vontade.
César Prates/Jef Silva - César Prates foi mais participativo, mais objetivo e ainda ajudou no meio. Jef cisca muito com a bola e permitiu alguns avanços, principalmente de Diogo, por seu setor. Ainda não calibrou bem seus cruzamentos.
Diogo/Batista - Diogo continua errando cruzamentos (com a atenuante que não é sua função), mas foi o homem de meio que mais se apresentou, não fugiu à responsabilidade. Batista foi burocrático e poderia ter feito a diferença quando o Avaí teve um homem a mais. Ficou devendo.
Élton/Bruno - Sem comentários para Élton. O cara estréia e perde a cabeça deste jeito. Depois do clube dar suporte a ele na difícil recuperação de lesão. Não estava psicologicamente preparado. É uma marca que será difícil de superar. Foi o culpado pela derrota alvinegra. Bruno, por sua vez, marcou muito, fez o que dele era esperado.
Cleiton Xavier/Valber - No primeiro tempo, opostos. Cleiton até apareceu em dois lances de criatividade, mas ficou devendo, não estava na pilha que o clássico requer. Foi a decepção do time. Valber, sim, estava pilhado, aceso, movimentando-se, criando. Mas não sabe chutar e, por este motivo, desperdiçou uma das melhores chances avaiana.
Rodrigo Fabri/Marquinhos - Fabri foi o mais efetivo jogador de criação alvinegra. Muito marcado, não fugiu do jogo e abasteceu o ataque sempre de forma perigosa, até ser substituído, por não estar nas melhores condições físicas. Marquinhos é um capítulo à parte. De uma %22malandragem%22 sua, no disputar com as mãos a posse de um lateral com Élton, viu o adversário ser expulso. Distribuiu boas bolas, mas, ao contrário de Fabri, não soube sair com tanta habilidade da forte marcação. Quando conseguiu, fez a jogada que resultou no gol.
Wellington Amorim/Vandinho - Wellington Amorim estava abandonado no ataque, por circunstâncias do jogo, mas assim mesmo deu opção de jogadas ao time. Vandinho foi bem na movimentação, mas estava afobado para concluir, o que não é aceitável para um goleador.
Marquinho - Movimentou-se e deu qualidade ao meio, soube girar a bola e articular o time.
Edu Salles - Faltou sangue frio para marcar o gol quando esteve cara a cara com o goleiro.
Bruno Santos - Recebeu poucas bolas para mostrar seu oportunismo
Bebeto - Chamou a marcação, perdeu um gol no mano a mano com Wilson, e, na segunda chance, marcou. Depois causou grande confusão e foi expulso. Fez do melhor e do pior.
Rafael Costa - Nas chances que teve, numa acabou tirando o gol do companheiro Vandinho, noutra se apavorou e concluiu mal. Precisa dizer mais?
Ferdinando - Compôs o meio e ajudou a garantir superioridade no setor.
A arbitragem
O árbitro Luiz Orlando de Souza foi testado ao extremo. Vamos por partes: primeiro, Marquinhos foi insistente na briga pela bola, mereceu o amarelo. Segundo, Elton deu, mesmo, com o braço na cara de Marquinhos, mereceu ser expulso. Agiu bem. Sua condução foi próxima aos lances e teve erros normais na primeira etapa.
Na segunda etapa, perdeu a chance de levar uma nota alta, quando em falta de Asprilla em Marquinhos, deveria ter dado o segundo amarelo e expulso o zagueiro. Preferiu acomodar a situação. Errou.
Num lance em que Edu Salles caiu na área, polêmica. Vi e revi o lance pela televisão e, só depois de muita atenção, percebi um pênalti. Convenhamos, não dá para crucificar o árbitro, que precisa decidir na hora.
No lance do gol, tanto bandeira quanto árbitro foram bem: o gol foi legítimo, não houve impedimento.
A expulsão de Fabrício também foi correta.
A expulsão de Bebeto e Asprilla também foi correta, um provocou a torcida após o gol. O outro agrediu o adversário.
O técnico Gallo
A surpresa, em apostar em Elton, que não jogou uma partida sequer da competição, foi, realmente, ousada. Tuta foi sacado, numa alteração, pelo menos em teoria, defensiva. Quanto à presença de Fabri, nada demais. Sua saída diante do Tubarão já cheirava prevenção visando ao clássico. Sua escolha, no entanto, decepcionou: Elton foi expulso infantilmente. Qualquer plano de Gallo, na primeira etapa, então, caiu por terra, embora seu time já fosse dominado pelo adversário antes. No segundo tempo, colocou Marquinho para recompor o meio. E foi ousado ao tirar Bruno Perone e colocar Edu Salles. Depois ainda entrou Bruno Santos. Fez o que pôde. Mas está devendo para o torcedor, que perdoa muita coisa, mas não engole derrota em clássico. Já são dois seguidos, Criciúma e Avaí.
O técnico Silas
Optou por um time defensivo. Retirou Bebeto para entrada do marcador Bruno. Bebeto, apesar de em má fase, é um jogador mais experiente que Vandinho. Jef Silva na vaga de Zé Rodolpho se explica pela maior mobilidade de Jef. Deu sorte com a expulsão, mas poderia ter tirado Bruno, que tinha amarelo, para abrir mais o time. Optou pela saída de Cássio, entrando Bebeto. Foi inteligente em vigiar Fabri, tirando o elo para Xavier render melhor. No segundo tempo não omitiu-se e colocou o time para frente com Rafael Costa. Foi premiado com o gol. Tem estrela.
O jogo no 1º tempo
Dois times no 3-6-1, só poderia esperar-se uma intensa briga de meio-de-campo. Muitas faltas sobre Válber, de um lado e Fabri, de outro.
Nos 10 primeiros minutos, o Avaí foi mais insistente no ataque. O Figueira bem mais cauteloso. Até a expulsão de Elton, o Avaí já era melhor. Continuou mais ofensivo com a supremacia numérica, mas não soube aproveitar para impor um ritmo mais forte. Válber perdeu um gol de cara para Wilson, chutando para fora.
Já o Figueirense, após a expulsão, mostrou calma para, quando dava, sair para o ataque, até ameaçando o Avaí em algumas oportunidades. Bruno salvou uma bola alvinegra que iria entrar, após escanteio, na melhor chance do time da casa.
O jogo 2º tempo
O Avaí ou tem problemas no preparo físico, ou falta determinação para partir para cima. O azurra, quando deveria crescer no jogo, mostrou certa apatia. Já o Figueirense mostrou um senso de organização tática para superar a inferioridade numérica. Assim equilibrou as ações até os 20 minutos. Depois, as melhores chances foram avaianas, por três vezes, atacantes apareceram na cara do gol, todas com Wilson defendendo. Mas o volume de ataque era imenso e, num deles, saiu o gol, fazendo justiça no placar.
A decisão da FCF
Na entrada da torcida adversária, com ou sem camisa, tivemos, novamente, cenas de selvageria, culminando em briga de policiais militares com avaianos.
Vários torcedores foram barrados na entrada por não estarem trajados conforme a norma, tiveram que entrar sem camisa.
Como se vê, é por outro lado que deve se buscar a paz. A medida foi inócua.
Postado por Marcos Castiel