Émerson marcou dois/Ricardo Duarte
Lavando a alma rumo à elite
De tudo um pouco. Técnica, imposição física, superioridade, tudo isso o Avaí apresentou no primeiro tempo. Garra, superação, vibração, o Avaí demonstrou de sobra no segundo tempo. O resultado desta equação foi uma vitória heróica, histórica e que dá um alívio no caminho rumo à Série A.
No primeiro tempo, Válber jogou muito, Marquinhos acordou, William estava espertíssimo e Silas orquestrou sem invenções. O restante do time fez sua parte. E a qualidade avaiana, esta que vai colocar o time na elite brasileira, apareceu mesmo sob condições adversas.
No segundo tempo, ficando alguns minutos com um a menos, valeu a busca obstinada pelos três pontos. E a alegria da goleada.
O 4 a 1 sobre o Bahia foi ao natural, com susto, é verdade. Valeu como mais uma final. A reta decisiva vai passando e o Leão fazendo sua parte.
Jogar em casa com chuva e campo pesado, esta parece ser a sina avaiana na atual edição da Série B.
O gramado pesado conspirava contra o Avaí. Roberto Cavalo, santo de casa que já fez milagre por estas terras, que não é bobo, avisou na entrevista antes da partida começar: colocou um time pesado, para reforçar a marcação.
Já Silas deu a senha: “Podemos estar estafados após o jogo, mas hoje tem que ser três pontos”.
Cenário pronto, com gramado pesado, cartas postas à mesa, recado dado pelos técnicos, a constatação: a bola não rolaria, sequer quicaria.
Campo fechado para o futebol, aberto à garra, à dedicação, à doação, ao algo mais.
Banho de bola na primeira
etapa do confronto
Disposição, o time azurra mostrou rápido. Faltou sorte e um pouco de perspicácia. Aos dois minutos, William se meteu numa jogada de ataque das que poderiam virar gol. Se deixasse para Válber, que não estava impedido, teria sido caixa.
Aos seis, Válber mostrou que estava esperto. Seu segundo lance de perigo em poucos minutos. Lançou Evando e a bola, desta vez, ao invés de “murchar” na poça, deslizou e acabou com o goleiro. Uma pena.
O Avaí começou melhor. Aos 12 minutos, Marquinhos teve ótima chance, de falta, faltou calibrar melhor o chute.
A alternativa que as vezes soa como falta de recurso, de levantar bola na área, o chuveirinho, neste jogo era quase uma obrigação. O Avaí tentou em várias oportunidades. Na primeira que poderia abrir o marcador, o árbitro parou o lance no mandrake. Não vi motivos.
No segundo, aos 22 minutos, ele, Emerson, surgiu para resolver a parada. De cabeça, como manda a cartilha: 1 a 0 e dança na chuva para a elétrica e empolgante galera azurra.
Aí, aos 30 minutos, Marquinhos, um cara que tem muito futebol, muita qualidade, mas que também é oportunista, estava no lugar certo, na hora certa. E não estava impedido. Gol fundamental para poupança, já que Ávine descontou nos descontos.
William ainda perdeu um gol incrível, aoss 43 minutos. Fez tudo direitinho, mas pecou na conclusão, cara a cara com o goleiro.
Uma tremenda injustiça o placar. Foi um banho de bola (literalmente) sobre o tricolor baiano.
Menos, Michel; valeu, Avni e
grande Emerson e Marquinhos
Michel, meu filho. Tomar cartão bobo no início do primeiro tempo e ser expulso por reclamação no início do segundo tempo? Vai ser cabeçudo assim na casa do chapéu. Gente, como ainda tem jogador que se diz profissional e apronta dessas em campo?
Eu fico pensando. Bom, se o cara não foi substituído, ali naquele papo do intervalo o técnico deve ter alertado o sujeito, que era o único amarelo do Avaí, para tomar cuidado. Se houve, então não será mais escalado. Se não aconteceu a conversa, então Silas foi negligente e imprudente. Até imperito, porque poderia tê-lo substituído.
É, não seria fácil, nunca foi e o sofrimento faz parte do show e do teste caso um grupo queira fazer história.
Sorte que o arisco Ávini é tão sem cabeça quanto Michel. E pouco depois foi expulso.
E parabéns ao William, que quando faltou a técnica, mostrou garra, não tinha bola vencida. Este é o espírito.
Menção honrosa, nesta etapa, também, para Uendel, firme na marcação.
E, claro, para Emerson, que fez o terceiro gol e para a classe de Marquinhos. Não é qualquer um que faz um golaço num gramado destes.
O árbitro Pablo Santos, carequinha cabeçudo, estava esperto, como requer um jogo dificílimo de se apitar.
Apesar da alegria, sempre há o que melhorar. Então o blog deixa três temas de casa como sugestão a Silas para repassar aos atletas:
1 – Tema de casa para o Jef Silva. Repetir 100 vezes, toda manhã, quando acordar, durante uma semana: “Eu, como jogador profissional, sempre lembrarei que, em jogo com gramado pesado, nunca atrasarei bola para o goleiro, ainda mais quando um adversário estiver por perto”.
2 - Tema de casa para o Michel. Repetir 100 vezes, toda manhã, quando acordar, durante uma semana: “Eu, como jogador profissional, sempre lembrarei que não posso fazer falta e levar amarelo, antes dos 10 minutos iniciais de partida, no campo do adversário, sem necessidade, de forma besta e pouco inteligente, quando tenho que combater o restante do jogo jogadores rápidos, entre eles Ávni, em campo pesado. E não vou reclamar do árbitro, quando já tenho amarelo, logo no início do segundo tempo, levando vermelho de forma tão infantil e ridículo, que deveria ter vergonha de sair de casa no mês seguinte”.
3 - Tema de casa para o Evando. Repetir 100 vezes, toda manhã, quando acordar, durante uma semana: “Eu, como jogador profissional, sempre lembrarei que não vou tirar o pé de uma dividida nunca, ainda mais quando estou defendendo o Avaí, o time da raça”.
As lições serão tiradas nos próximos jogos e se não forem aprendidas, desqualificam o atleta como aptos a jogar no Avaí.
Postado por Marcos Castiel