Flávio Neves
"Chega de brincadeira, honra a camisa do Figueira"~
Eu também acho que todos, mídia e torcida, têm que aumentar o quociente de boa vontade quando um time sofre um revés (queda para a Série B) e tenta se reerguer.
Tanto é assim que tenho evitado críticas ao técnico Pintado diretamente. Até porque depois de tantas mudanças alvinegras no comando ao longo da Série A, o próprio clube criou uma situação em que temos dificuldade em diferenciar o que é culpa do técnico, o que é falta de um grupo qualificado.
Mesmo com comedimento, contudo, não se pode tapar o sol com a peneira. Não é preciso pisar sobre uma equipe que passa por momento infeliz, porém não se pode vender gato por lebre. Ou seja, só porque existe a intenção de ajudar, faltar com a verdade não é admissível.
O jogo desta noite, com o Brusque, que terminou 0 a 0, apesar de conter 22 profissionais no tapete verde do Estreito, foi uma pelada digna de várzea.
O Brusque fez uma partida horrível taticamente. O Figueira, um pouco melhor, continua lamentável para os padrões esperados de um time que galgou uma respeitabilidade em nível nacional e que é o maior vencedor de títulos em Santa Catarina.
Poderia pinçar coisas interessantes, algumas jogadas individuais, mas a confusão tática de ambos os times foi tão grande, o espetáculo tão deprimente, que nada além de um 0 a 0 seria adequado.
Aposto todas as minhas fichas que qualquer um torcedor do Figueira que compareceu ao Scarpelli, ou viu pelo pay-per-view, notou com clareza: o único recurso do time alvinegro é a ligação direta. O sujeito pega a bola na intermediária, olha para a frente e faz o passe enforcado na altura da entrada da grande área adversária. Ou alça de forma inconsequente para a área.
Assim foi no primeiro tempo.
Torcida apoiou o tempo
todo, mas cobrou empenho
Assim seria no segundo tempo? A tentativa de mudança de quadro repousava em Rafael Coelho. Sobre esta postura, com Ricardinho, Coelho e Marcelo, já havia comentado: trata-se de um reconhecimento de que não há muito que consertar no quesito armação, então apela-se para a ofensividade, o aumento do número de atacantes para tentar achar um gol.
O Figueirense passou a viver, então, de tentativas "bate-estaca" com seus atacantes, até teve alguns momentos para marcar, na base do "Deus nos acuda", mas, graças ao buraco no meio-de-campo, também quase levou gol do Brusque em, pelo menos, três oportunidades.
Dito isso, vamos ao resultado. Quando a situação dentro de campo se coloca nestes termos, o resultado passa a interessar mais que a forma como o time se apresenta.
Os três pontos nesta partida representavam a sobrevivência alvinegra, já que, com o empate o time ficaria a três pontos do G-4 na classificação geral.
Até nisso o mau momento do Figueira não ajuda. O time poderia ter achado um golzinho, por que não? E arrumado tempo para respirar e rever conceitos, buscar ânimo para o clássico diante do JEC. Mas não aconteceu.
O cavalo passou encilhado. O trem fechou a porta e já partiu. Ainda dá para pegar o bote salva-vidas e escapar do naufrágio final, mas as opções estão rareando.
Por este motivo, mais que minha análise, fico com o grito da torcida do Figueirense, ontem, no Scarpelli: "Chega de brincadeira, honra a camisa do Figueira".
Postado por Marcos Castiel