
Cristian marcou o gol da classificação/Ricardo Duarte
Leão na final eletriza a Ilha da Magia
O Avaí está na final do Campeonato Catarinense e na Copa do Brasil. A energia azul que já tomava conta da Iha da Magia, agora, se transformou em azurramania.
Desta noite em que o time de Silas bateu o Criciúma, por 3 a 2, no melhor jogo do ano, até o primeiro duelo da final, dia 26, os fãs começarão uma grande mobilização, que há 11 anos não é vista.
Independente de onde for a primeira partida, serão milhares de avaianos rumo ao primeiro jogo. E, depois, na Ressacada, a apoteose. Com o time que tem, chega como favorito.
A bombonera catarinense, que está sendo ampliada, viverá mais um momento histórico. Uma prévia perfeita dos jogões que teremos na Série A.
Um 4-4-2, ofensivíssimo, foi a ousadia de Silas para cima de Leandro Machado. E bota coragem nisso.
Num jogo decisivo, o treinador do Leão, parafraseando o ex-presidente Fernando Collor, mostrou "ter aquilo roxo". Marquinhos, Odair, Lima e William. Artilharia pesada fora de casa. Poucas vezes, recentemente, algum treinador brasileiro mostrou tal ímpeto.
Leandro Machado, por sua vez, apesar de mais conservador, não deixou por menos na entrevista pré-jogo: "É a partida de nossa vida. Entramos para matar ou morrer", avisou.
Teria dinâmica esta formação avaiana. Os movimentos iniciais foram favoráveis. Tanto que a primeira grande chance foi de William, com a bola passando raspando após um cabeceio, aos 9 minutos. Aos 20, William apareceu com perigo novamente.
E o sistema defensivo? Não é que funcionou, pelo menos até os 30 minutos. O Tigre estava bem organizado, tocou a bola, chegava em algumas conclusões, mas, o tempo todo, ficava exposto às estocadas avaianas.
Nos 15 minutos finais da primeira etapa, contudo, o Criciúma alugou o campo de ataque. Empurrado pelo grito de seu torcedor, encurralou os avaianos e, num chute de Mateus, aos 31 minutos, e num chute de Zulu, aos 35, quase abriu o placar.
Lance do primeiro gol será discutido a semana inteira
Clássico sem polêmica, contudo, não é clássico. O Criciúma saiu em vantagem para o segundo tempo num lance que vai merecer discussão o resto da semana.
Marquinhos atacava, estava de frente para o gol, provavelmente iria marcar e...? Sofreu carga de Basílio, caindo na área.
Na minha opinião, revendo o lance na televisão, pênalti. Agora, opinar com a televisão como parceira, com três ângulos diferentes, é fácil. No calor do jogo, vale o reflexo e experiência do árbitro. E, como se sabe, não é o forte de José Acácio da Rocha, ser um craque no discernir detalhes. Um fator, contudo, que pode ter enganado o árbitro foi que Marquinhos parece atrasar a passada, facilitando o choque. Não exime o árbitro, mas ajuda a confundir.
O que não pode é o time avaiano parar para reclamar um lance e esquecer do jogo. Bom para o Criciúma, que não tem nada a ver com a discussão de um lance.
O Tigre partiu no contra-ataque e Zulu apareceu sozinho para fazer o que mais sabe, gols. Encobriu com categoria Martini e decretou a vantagem.
Gago marca. Martini defende pênalti. Zulu faz. Avaí vence
Depois do gol, o Avaí ainda teve três chances de empatar, mostrando que o segundo tempo seria tão emocionante quanto o segundo.
O começo já teve chance de gol para o Avaí a um minuto, resposta do Criciúma a três minutos.
Aos quatro minutos, Leo Gago e sua especialidade garantiram o empate ao Avaí: um chutaço de fora da área, desvio na zaga, Angonese ficou vendido e a bola morreu no fundo da rede.
Dá para dizer que para o ritmo alucinante do jogo, o empate era justo.
Mas tinha mais guardado para mexer com os nervos de todos. Primeiro, o problema de você marcar um pênalti corretamente só existe quando, antes, não foi dado um pênalti polêmico.
De qualquer forma, foi uma aula de pênalti o Kung Fu que Emerson aplicou para cima de Luiz André.
Tão infantil quanto o pênalti praticado pelo experiente zagueiro avaiano, foi a cobrança de Mateus. Mole na bola, sem "olhos de Tigre", sem espírito matador. Martini foi lá e defendeu. Duas vezes, aliás, corajosamente se jogando nos pés de Zulu no rebote.
Os primeiros movimentos dos técnicos mostraram uma inversão de papéis, aos sabor da necessidade. Enquanto Medina deu vaga a Ferdinando, mais marcador, Josemar saiu para entrada de Flavinho.
O Tigre ficou mais ofensivo e, Silas, temeroso, contra-atacou, ainda, com Bruno na vaga de William.
Houve, então, o que se chama de castigo dos deuses do futebol. Quando o Avaí se fechou, o Tigre encontrou espaço na zaga recém recomposta para fazer o segundo gol.
O especialista Zulu encosta em Cazarine, 14 contra 15 gols, e segue levando com seus gols o Tigre a lutar pelas finais. Um golzinho simples, bonito, por cobertura como fora o anterior.
Deu? Emoção suficiente? Não, claro que não.
Num contra-ataque do Tigre, Kempes, em posição legal, faria o 3 a 1. Aí o Tigre provou o veneno de um trio de arbitragem que peca nos detalhes. O gol foi mal anulado.
E, novamente, os deuses do futebol meteram o bedelho. No lance seguinte, Marquinhos decretou o 2 a 2.
Tinha mais.
O Avaí havia perdido dois gols incríveis, já aproveitando a expulsão de Luiz André.
Cristian, aos 49 minutos, achou o gol da vitória. 10 anos depois, chega o Avaí a mais uma final.
A Ilha já está sendo pintada de azul!
Postado por Marcos Castiel

