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Posts do dia 20 junho 2009

Azar de quem não respeitar o Avaí

20 de junho de 2009 102

Leo Gago é o cara. Simples, humilde e de confiança/Flávio Neves

Começa a Série A para o azurra

A vontade, não por preguiça, mas por semelhança, seria repetir o lead do post abaixo, trocando o nome de Figueirense por Avaí, de Paraná por Fluminense. Ou seja, aquele Ufa! cairia como uma luva.

Mas, já que não é conveniente repetecos desta monta, nem paralelos entre séries distintas, então vamos lá:começou a Série A do Campeonato Brasileiro para o Avaí.

O 3 a 2 sobre o Fluminense prescinde de que entendamos taticamente a partida, tecnicamente o desempenho dos atletas ou que avaliemos postura de técnicos, árbitros ou torcida. Esta vitória está acima de tudo isso.O que ela faz é (e graças a Deus!) encerrar o tal período de adaptação avaiana à Série A.

Ela depura o time, tira o cheiro de Série B, dá um banho higiênico para dissolver uma gordurinha formada por um resto de sentimento de inferioridade e de excesso de respeito. O azurra sai deste embate ungido pela santidade da justiça e com o gostoso perfume da elite.

Como foi esta vitória é uma história interessante, já que é a primeira na competição e merece que detalhemos todas suas nuanças. Que seja curtido cada detalhe desta noite fria e ventosa só para os fãs do Flu, porque para os donos da Bombonera catarinense foi quente e alegremente agitada.

45 minutos de pura alegria

A história que vou contar têm dois capítulos. Duas matizes contrastantes. Mas ambas com final feliz para o dono da casa.

Ela começa com a leitura de que a ala direita do Avaí é um bom caminho para explorar parece latente nas equipes que enfrentam o time da Capital. Conca e  Fred estavam gostando do jogo quando, finalmente, aconteceu o que prego há algum tempo: chega de jogar bem e não marcar.

Quando o Avaí era ligeiramente pressionado na situação acima descrita, o grupo, serenamente, com troca de bola sem ansiedade, abriu espaços na zaga do Flu e, no ainda incipiente 13º minuto, chegou ao 1 a 0 com Muriqui.

Lembra do ensaio tricolor inicial. Pois é, foi esquecido, desceu pelo ralo com o segundo gol: o anjo loiro Marquinhos foi lá e, ao invés de inventar, de dar toquinho, chutou, forte e venceu o goleiro. 15 minutos, 2 a 0 e a alegria voltou ao reino do Leão.

Aos 29, Luiz Ricardo quase marca mais um e leva o Avaí para o vestiário com uma goleada. Não deu, mas o banho de bola, o Flu na roda, isso rolou. Foi bonito de se ver.

Uma referência a Eduardo Martini nesta primeira etapa. Seguro, bem colocado e inspirando confiança no time e praticando duas ótimas defesas. Fundamental um goleiro experiente para dar ao grupo destemor.

E uma menção super honrosa a Leo Gago e a consistência que este jogador dá ao meio-de-campo.

E como perder o complexo de inferioridade? Basta prestar atenção na resposta de Fred à reportagem da CBN/Diário, quando questionado sobre “o que estava acontecendo com o Flu?”

A resposta do atacante: “Com o Flu? O que acontece com o Avaí, que está jogando um bolão”

45 minutos de pura tensão e alívio

O Fluminense mudou no intervalo para tentar mudar o quadro a seu favor na segunda etapa. Leandro Amaral substituiu Marquinho e Mariano pegou a vaga de Diogo.

Curiosamente, dois ex-jogadores do Figueirense deixaram o campo. Uma pequena fagulha de clássico da Capital expurgada pelo Avaí com méritos.

As peças movimentadas por Parreira, contudo, produziram bem mais que cócegas no então sistema sólido erigido por Silas.

Não continuou o Avaí senhor do jogo, deixou de ser proprietário das ações, mas, pelo menos, foi comandante de seu próprio destino.

Ferdinando cometeu pênalti, aos 13 minutos, convertido por Fred, inclusive com duas paradinhas.

E, aos 15, o próprio Fred igualou o placar. Curiosa coincidência: mesmos tempos de jogo dos gols avaianos na primeira etapa.

E agora? Haveria maturidade para restabelecer a vitória?

A resposta poderia ser negativa e estaria, novamente, na ação do ataque. Enquanto Fred resolveu para o Flu, Lima (substituído), Luiz Ricardo (substituído), William e Cristian (colocados por Silas) não compareceram pelo Avaí. Um fez pelo Flu o trabalho que quatro não conseguiram pelo Avaí.

A resposta foi, contudo, positiva, e foi perpetrada fora do poder de ataque. Lembra o elogiado Leo Gago da primeira etapa? Xingado por um chute instantes antes, apostou novamente e foi premiado: 3 a 2 e herói do jogo.

Jornada quase perfeita

A jornada foi quase perfeita, o futuro leve e promissor. Pois o Atlético empatou e Sport e Botafogo perderam. Só o Coxa venceu. O  time de Silas encaminha a saída da zona de degola.

Eis o potencial avaiano de que tanto falávamos. Que estava amortecido, hibernando, precisava de reabilitação. Demorou, mas apareceu. De agora em diante, chega de vocação para figurante. O Avaí está credenciado para ser protagonista. E será!

Obs 1: pode ser maluquice da minha cabeça. Mas a alegria dos jogadores em campo, a descontração, a ausência de ansiedade, a dedicação, tudo isso teria algo a ver com um melhor ambiente no vestiário e, talvez, com a saída de Evando?

Obs 2: Paulo César de Oliveira é um senhor árbitro de futebol. Sempre perto do lance, controla disciplinarmente a partida e erra muito pouco, inclusive acusando com perfeição o pênalti pró-Fluminense. Marca tudo que vê e, por este motivo, irrita o torcedor quando seu time está em desvantagem ou precisando de resultado sem conseguir ao natural se impor.

Postado por Marcos Castiel

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