Flávio Neves
Erotides Helena da Silva, a Nega Tide. Foi para ela esta vitória na Ressacada. Lá no céu, ela vibrou com o gol. Lágrimas de alegria caíram sobre a Capital em forma de pingos de chuva.
Foi um presente do time do Avaí, na volta de seus titulares. Tinha que ser assim: 1 a 0 sofrido, com um jogador a menos mais de um tempo. Como foi sofrido para toda a comunidade azurra e do samba a partida da ícone carnavalesca.
E a alegria de Tide e dos avaianos veio com uma vitória merecida, graças a ousadia do técnico avaiano e ao conservadorismo do comandante da Chapecoense.
Gostei muito de Chamusca, de quem já havia falado bem, em vários programas na CBN, antes mesmo de ele ser contratado pelo Avaí.
Primeiro tempo igual
Vimos dois times com esquemas parecidos, no 3-5-2. Como gosta de dizer o colega Rodrigo Faraco, batendo lateral com lateral, uma figura de linguagem bastante oportuna para descrever o que tem sido este embate.
Tínhamos em campo dois times que só fazem briga de cachorro grande nos últimos tempos. Temos uma série de três vitórias do Verdão, duas do azurra e um empate no regional passado. Mas quem papou o título foi o Leão. E saiu na frente agora.
Acontece que, hoje, o Avaí estreava seu time principal. Visivelmente travado, desentrosado, quem comandou os movimentos no início foi a Chapecoense. No decorrer da etapa, a partir dos 20 minutos, o time da casa controlou o jogo e equilibrou as ações.
Esta, vinda de quase 60 dias de preparação, demonstrou mais conjunto,mais dinâmica. Absolutamente normal diante das circunstâncias expostas. Ou seja, não significa que um time seja superior ao outro, apenas estão em estágios de preparação diferentes.
A falta de compactação avaiana não permitiu nem que o time explorasse cartão amarelo sofrido por Anelka logo na primeira parte do jogo, por faltas seguidas em Leonardo. (Depois Anelka saiu machucado)
Apesar do primeiro tempo fraco em chances de gol, gostei da proposta tática de Chamusca. Claro que Eltinho ainda não tem condições de dar piques pela ala, quando puder, chamará a marcação e liberará espaços para Roberto girar na intermediária e na outra ala.
Quanto à forma de Ovelha jogar, esta já conhecemos e sabemos como se adapta perfeitamente ao estilo “gaúcho” da Chapecoense se postar.
O Verdão teve uma bola na trave, faltou qualidade para Mazinho determinar, ali pelos 15 minutos, uma vantagem. E Eltinho ficou cara a cara de cabeça e também errou. Uma chance para cada.
Agora vamos para a expulsão de Uendel: justa. Duas faltas passíveis de cartão. Sem discussão.
A lambança de Jéferson Schimidt é que complicou, porque ele não viu que o jogador do Avaí tinha dois cartões. Foi salvo pelo bandeira.
Chapecoense ficou devendo
Avaí vai melhorar bastante
O Avaí já estava travado ao natural pelo trabalho forte de pré-temporada. Com um a menos, diante de um Verdão em ponto de bala, haveria como agüentar?
A opção seria tirar Leonardo, que pouco fez, embora em seu favor pese o fato do meio ter criado pouco. Davi não conseguiu criar, sucumbiu à marcação.
Chamusca foi ousado: botou Laércio, optando pelos contra-ataques, sem abrir mão de um atacante.Só acho que houve um pouco de demora na entrada de Medina na vaga de Davi.
Ovelha tirou Bido e foi de Emerson Cris. Diminuiu um zagueiroe povoou o meio-de-campo. Provavelmente com o intuito de cansar o time avaiano. Me pareceu um movimento muito contido.
A Chapecoense não tomou conta do espetáculo. Pelo contrário, o Avaí soube lidar bem com a inferioridade numérica.
Apenas no quarto final a Chapecoense, melhor fisicamente, chegou com mais perigo, mas sem precisão.
O Avaí recompôs bem o meio com a saída de Roberto, sentindo cãibras, e a entrada do xará Roberto Andrade.
Ao final, houve um prêmio ao Avaí pela ousadia e interesse em vencer. Medina entrou na área e na marcação de Badé caiu.
Não sou de ficar sobre o muro: na minha opinião, pênalti, aconteceu o deslocamento com a mão. Mas reconheço que o lance foi de difícil interpretação. A favor do árbitro, a boa colocação na jogada.
Eu esperava mais da Chapecoense. E fiquei com a certeza de que o Avaí terá muito mais para apresentar.
Melhor para seu torcedor. Se este título vier ao final da competição, ele terá um nome: Nega Tide.
SEGUE A AGONIA DO TIGRE
Conferi o segundo tempo do jogo do Metrô e Tigre, que terminou com a vitória do time da casa por 1 a 0. Visivelmente nervoso, abalado psicologicamente, o Criciúma se viu com um a menos em campo, por bobagem. Não fosse isso, talvez a história do jogo fosse outra.
O Metropolitano me pareceu muito seguro de ganharia “a qualquer momento”. Futebol não funciona assim. Até martelou perto da área, mas em vários momentos se viu exposto a perigosos contra-ataques.
O que determinou a vitória nos minutos finais foi, mais uma vez, a inexperiência da zaga tricolor. Bateram cabeça num cruzamento e levaram o gol. Na minha opinião, um resultado injusto, o Criciúma não merecia. Uma pergunta: por que o argentino Trípodi estava no banco? Com o que jogou, é titular sobrando.
Em relação ao Tigre, repito: urgentemente se defina um nome de emergência para tocar o futebol e salvar o Estadual. O que há é desorientação e falta de auto-estima no grupo, que tecnicamente não é um desastre, mas peca pela inexperiência.
O garoto Luca, camisa 10, é um menino a ser lapidado. Muita qualidade, bom posicionamento e senso de deslocamento apurados. Não desperdicem talentos como ele. Vejam que o garoto foi expulso por reclamação, está nervoso, sem chão.
Triste a situação do Criciúma.
Postado por Marcos Castiel