
É até constrangedor admitirmos que o poderoso JEC, atualmente, não tem condições de fazer frente ao Figueirense. Nem ao Avaí (se este fizer um returno como se espera), nem ao Criciúma, nem à Chapecoense.
A vitória de 3 a 1 do alvinegro foi tão ao natural, tão tranquila, tão controlada, tão simples, que não carece nesta crônica de uma análise tática acurada.
A liberdade dada a Breitner e a Fernandes na frente, a Juninho, Bruno e a Maicon também, foi algo tão suicida que melhor seria não ter entrado em campo e dar o WO.
Nem parecia ser uma semifinal de competição.
Olha, por mais que a estréia de atletas na emergência justifique em parte a submissão do JEC, duvido que a torcida do tricolor do Norte aceite a apatia que o time apresentou. Perder sim, mas suando sangue se possível. Do contrário, é imperdoável.
O JEC entrou na roda e passou zonzo todo o primeiro tempo. O Figueira segurou o ímpeto, se poupou em pleno jogo, já pensando na final. Poderia ter feito cinco, seis, humilhado. Mas respeitou.
No segundo tempo, um gol de Ramon poderia mudar este quadro. Mas até na comemoração não havia empolgação. Impressionante.
O Figueira retomou as rédeas, e restabeleceu a diferença de segurança no placar. E ainda deu um "olé" nos minutos finais.
Repito: constrangedor para o JEC disputar uma semifinal em tais condições de inferioridade.
Dito isso, vamos a Fernan100.
Aliás, 101, já que ele marcou dois gols no jogo.
Este atleta é daqueles que é exemplo dentro e fora de campo. Basta ele tocar na bola que se percebe o refino, o bom trato da gorduchinha, a inteligência na distribuição e a qualidade na conclusão.
Este meia, que ultrapassou hoje o centésimo gol pelo alvinegro, é um caso raro de atleta com identidade junto ao clube, fidelidade a uma torcida, caráter, superação e dedicação.
Merece a homenagem de agora e todas as possíveis e imagináveis.
Sou fã de carteirinha de Fernandes por todos os fatos que expus acima e por mais uma centena que poderia desfilar aqui.
Arbitragem
Em que pese o senhor auxiliar Rosnei estar com coceira no braço, levantando a bandeira muito rápido e um pouco precipitado no início da partida, o trio foi muito bem. Afinal, como os atletas, árbitro e auxiliar também ficam ansiosos no início de partida.
Consolida nas semifinais o excelente momento da arbitragem catarinense. Parabéns. Este D’Alonso tem excelente posicionamento, faz a diagonal com perícia e, por este motivo, está sempre bem colocado. É árbitro de muito futuro.
Tem uns errinhos pontuais (até achei que houve toque do Wellington no terceiro gol), mas os pequenos tropeços serão arrumados com muita estrada. Pode marcá-lo para novos jogos decisivos.