
O Criciúma venceu o Figueirense, por 2 a 0, e fincou pé na luta pelo returno, além de ingressar com força na briga pelo G-4. A rodada foi do Tigre. Abençoou o trabalho consistente de Silvio Criciúma, o crescimento do time impressionante, incluindo a participação na Copa do Brasil. E, desde já, não aceito qualquer argumentação de que a vitória veio pelos desfalques alvinegros. Foi por mérito do Tigre, que impôs respeito.
Aliás, Joinville x Criciúma e Figueirense x Avaí. Tudo, tudinho, se encaminha nos clássicos, não poderia haver roteiro mais emocionante. Com a Chapecoense beliscando por fora.
Aquela bomba na trave, disparada pelo João Paulo, um pouco antes dos 10 minutos, foi a expressão do maior volume de jogo com que começou o Tigre.
Natural, diga-se de passagem. O Criciúma mais encorpado, encaixado, volumoso e jogando com muita garra, dava para ver o sangue nos olhos dos atletas, disputando cada centímetro de campo.
No Figueirense, o time sem um meio-campo que girasse a bola e evitasse este assédio tricolor. Apenas algumas estocadas com Aloísio.
Se o meio não se impôs, pelo menos o conjunto alvinegro quebrou o ritmo do Tigre a partir dos 20 minutos, o que deu ao Alvinegro uma paralisação nas situações de risco.
Em tese, o meio do Figueira tinha individualidades que poderiam dar mais ao time na primeira etapa e uma amostra disso foi ali perto dos 30 minutos, quando Luiz Fernando acionou Deretti e este colocou Aloísio na cara do gol. Foi um (bom e único) lance lúcido da etapa por parte do visitante.
No Tigre, faltou uma maior presença do Zé Gol, que saiu muito da área, diminuindo o potencial de conclusão do tricolor. Ainda mais quando poderia ser uma opção para a terminação das jogadas de Lucca e João Paulo pela ala esquerda, bastante interessada no jogo e eficiente.
E esta ausência do Zé Gol era antítese da presença, ainda que solitária, de Aloísio. Este, só com este povoamento das pequenas e grandes áreas, teve duas boas oportunidades, exigindo do bom e seguro goleiro Andrey.
Aliás, quando o Zé aproximou-se da área, aos 40 minutos, deixou o João Paulo no bico do gol e este não saiu por defesa excelente de Wilson. A partir deste lance, quando exigiu da zaga visivelmente indecisa do Figueira no comando de João Paulo, saiu o gol do primeiro tempo. E num cabeceio soberano de André Gava, jogador de qualidade, mas que não tinha mostrado seu valor até então.
Noves fora, pelo exposto, não há objeção ao resultado do primeiro tempo. Justo para o time que jogou mais futebol.
No segundo tempo, provavelmente instigados pelo técnico Branco, o Figueirense tentou mostrar uma iniciativa. E Deretti, certamente cobrado pelo treinador, deixou a timidez de lado e ensaiou jogadas pela esquerda com algum perigo.
Esta reatividade durou parcos 10 minutos. O Criciúma logo começou a estocar e encontrar espaços a partir de buracos cedidos pelo meio Alvinegro, reorganizado na volta do intervalo com Botti mais à frente.
Justamente Botti, que não surtiu efeito nem de um jeito, nem de outro, deu sua vaga a Pottker, numa tentiva de aumentar o potencial ofensivo do Figueira.
Na troca de Gava por Cristiano, o Tigre mostrou que não abdicaria de continuar atacando. Apenas Zé Gol estava abdicando de marcar gols que normalmente não perde, como aos 20 minutos, na primeira chance do Tigre. Aloísio também, ao exemplo do Zé, perdeu um que não costuma, logo depois, cara a cara com Andrey, chutou para fora.
Pela postura aberta, mesmo com a vantagem, portanto corajosa, valorizo mais ainda a vitória do Tigre. Embora a superioridade não tenha sido tão pungente na segunda etapa. Mas foi numérica. Então, com o gol dele: Zé. De costas, encontrou o caminho do gol aos 30 minutos.
Avaí sai no lucro
O empate do Metrô e a derrota do JEC foram benéficos ao Avaí, que fez a óbvia vitória (6 a 1) sobre o rebaixado Marcílio Dias e vai depender de uma superação no clássico para seguir na árdua briga para estar entre os quatro melhores. E méritos para a “aposta” de Emerson Maria, o Felipe Alves, que deixou três bolas beijando a rede lá na Ressacada.