
POR ESTAR NA COBERTURA PARA AO DC DO JOGO DO FIGUEIRA, AÍ ESTÁ A CRÔNICA. NÃO PODEREI ASSISTIR A AVAÍ X CHAPECOESE. APENAS ACRESCENTO DEPOIS AQUI NO POST. AÍ VAI MINHA CRONICA:
O palco do primeiro ato da decisão entre JEC e Figueirense estava lotado. A Arena tinha a solenidade de um teatro Bolshoi, pronta para um momento magistral, digna da cidade de Joinville, apaixonada por grandes espetáculos. A terra da única escola, fora da Rússia, do melhor balé do mundo, também é região de futebol de qualidade. Eram 27 títulos catarinenses em campo (12 do time da casa, 15 do visitante). Tanta qualidade não permitiu vantagem a ninguém no campo. Sorriu o torcedor do Figueirense, comemorando vantagem de resultados iguais pelo regulamento.
Se o espetáculo, que terminou em 1 a 1, pudesse ter um nome, parodiando o Lago dos Cisnes, ou o filme atual de sucesso O Cisne Negro, o nome do show seria o Cisne Alvinegro, em homenagem ao heroico empate! Ou seria o Cisne Branco, em louvor ao técnico que deu um nó no próprio cérebro para pensar um time sem o ataque titular à disposição. Branco viu seu "carrossel" de meio, sem posição fixa, naufragar na primeira etapa. Pior, viu Túlio ser expulso. E conseguiu, no segundo tempo, achar uma solução para seu infortúnio.
O Figueirense foi protagonista ao longo de todo o campeonato. Mas o custo de ser campeão do turno e do returno revelou-se alto. Foram 40 pontos e o ataque mais positivo até aqui. Mas, e sempre tem um "mas", o desgaste desta campanha vitimou alguns atores principais desta jornada pelo lado Alvinegro _ Aloisio e Julio Cesar. E o time entrou em campo "sem ataque", ou com a ocupação deste setor feita por meias, Roni e Fernandes.
Ataque era problema de um lado para o técnico Branco, do outro também: Lima, o "Limatador", não estava lá. Mas tinha Ricardinho, o cobrador de faltas e, também Ramon, o articulador, dizia presente, ambos à disposição do treinador Argel Fucks. Só que mostrar serviço diante do Figueira só seria possível se atacante e bola transpusessem não só um bom goleiro, mas uma "quase" lenda alvinegra. Seria preciso vencer Wilson, que completava 300 jogos justamente nesta contenda. Como? Ou com arremate perfeito, ou com algo atípico.
E a primeira oportunidade poderia ter surgido muito cedo, nos pés do "maestro" Ramón, derrubado na risca da grande área por Doriva. Um pênalti que o árbitro Ronan Marques da Rosa não marcou. Não fez falta naquele momento, já que, aos 9 minutos, Ricardinho, exemplo de esmero em cobranças, cruzou de forma venenosa e contou com algo raro: falha de Wilson, que perdeu o tempo da bola. Esta, morreu no fundo das redes. E não o fez antes por quê? Por falta de um atacante, já que Doriva, aos 6, isolara uma bola cara a cara com Ivan. As peças do roteiro se encaixavam logo cedo, com drama, com emoção e, também, com alguma lógica.
Não seria uma jornada fácil para o Figueira. Os jogadores, nervosos, acusaram o golpe do gol levado cedo. Túlio, destemperado, até irresponsável para o nível de sua experiência, foi justamente expulso por empurrar Bruno Rangel, completamente fora de um lance de jogo. Vermelho incontestável.
O técnico Branco precisaria achar uma solução no intervalo. Tirar um coelho da cartola para retificar seu sistema de jogo, engolido e maltratado pelo determinado e agressivo JEC de Argel Fucks. E esta tarefa vinha com um detalhe importante: fazer isso com um jogador a menos. Branco não trocou peças, mas mexeu no posicionamento delas. Passou Sandro para a ala, fez de Ygor um zagueiro, recuou um pouquinho Roni para armar mais e adiantou mais ainda Guilherme Santos. Bingo!
Aos três minutos Roni mostrou a eficiência da "ideia" de Branco. Lançou Botti, este cruzou e a sobra ficou para Guilherme. Deste, foi parar na rede. Gol, também, de Branco. Foi um empate que trouxe ao Figueirense as condições ideais de temperatura e pressão na partida para proteger-se e contra-atacar, como pede a regra para times com menos jogadores em campo.
Houve muita pressão tricolor no restante da etapa, time que já tinha Aldair para turbinar o ataque, na vaga de Badé. Mas o Figueira se defendeu bem. Para o empate ficar registrado em todas as áreas, o árbitro não deu um pênalti favorável ao visitante, em Coutinho, num empurrão de Pedro Paulo. Fecharam-se as cortinas. A qualidade Boshoi joinvilense contrastou com os méritos de artista de Série A florianopolitana. Ficou tudo igual. Melhor para o Figueira, que manteve a vantagem.