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Posts do dia 8 junho 2012

Hemerson Maria erra. Aprende. Aí, inteligente e humilde, arruma e acerta: três pontos azuis

08 de junho de 2012 26

O narrador do Sportv foi muito feliz ao definir o momento em que o Avaí empatou o jogo, ainda na primeira etapa, com um frangaço do goleiro, após um chute de Mika: "quem não faz leva", falou. E é verdade.

Até aquele momento, o Ipatinga tinha colecionado uma dúzia de chances de ampliar o placar que estava 1 a 0, com justiça. E não o fez.

Principalmente ali pelo lado esquerdo de ataque, direito de defesa, setor do Patric, onde a festa era grande.

E aí é que entra a impressão que o primeiro tempo deixou. A de que a parca qualidade que o Avaí  tinha à disposição no time não estava bem aproveitada.

Fosse defensivamente (pelas inúmeras chances do adversário, pela liberdade dos homens de criação, pela falta de compactação), fosse ofensivamente, onde havia uma indolência do Nunes que beirava ao deboche.

Este atacante perder um gol como o fez, cara a cara com o goleiro, gol escancarado, seria digno de nem voltar para a segunda etapa. A diferença do gol por ele perdido, para o gol que não teve o alvo acertado por Cléber Santana (um chute com mira, com técnica), dava o tom de o quanto o setor de ataque avaiano está carente.

E todo este cenário era fruto, sim, de um sofrimento por parte do Hemerson Maria ao não conseguir conviver com uma contradição sua desde que começou a competição. Querer ser consistente defensivamente, como foi no Estadual, sem perceber que a competição é outra.

Bom, esta foi a configuração da primeira etapa. Hemerson Maria não morreria abraçado com a convicção errada. Agiria e você vai ver por que no decorrer desta crônica.

No segundo tempo, os primeiros minutos já deram o tom do jogo "mastigado" que se construía, bem diferente do que foram os 45 minutos iniciais. Por conta de um Avaí mais precavido e que foi melhorado no vestiário. E nem foi pela saída de Jailton que, como seria de se prever, entrou perdidão no time, precisa conhecer os companheiros. Nem pela entrada de Diogo Orlando. Mas pela compactaçao da equipe e ajustes táticos efetivados.

E pela noção de que precisaria agredir, acrescendo Patric como homem de frente, e um novo modelo de zaga, com Diogo Orlando. Veja, Patric que era avassaladoramente maltratado no primeiro tempo, ganhou nova função. Houve um olhar para aquela situação e uma solução.

A constatação era até visual. Pena que pela TV não temos a amplitude da visão que temos no campo. Mas, mesmo assim, se podia ver a porção azul melhor distribuída no tapete verde, cobrindo melhor os espaços em que antes se refastelavam os brancos.

A melhora na recuperação de volume de jogo foi meio caminho andado para que tivéssemos um Leão que agredisse. Era uma nova concepção de time e de visão da competição, tinhámos algo que dá certo em Série B, que é marcação sem a bola e trama da gorduchinha pelo meio, girando o jogo até chegar às alas e, dali, encontrar alguém na área.

Assim foi a bola que se apresentou a Julinho e, deste, partiu para o 2 a 1.

Hemerson Maria, portanto, foi o que se espera de um treinador. Agiu ainda no intervalo. Percebeu seu erro filosófico-conceitual e, nos 15 minutos que tinha, corrigiu o rumo. Mostrou, também, conhecimento tático e domínio sobre as peças do seu xadrez. Ordenou e elas lhe obedeceram.

Pena que o volume e a consistência ainda não sejam regulares e confiáveis no Avaí. E dificilmente o serão pelo conjunto à disposição.

Pena porque com um pouco mais de qualidade, este time seria muito mais produtivo. Por não ser, o time ao chegar a vantagem optou por não mais correr riscos. Ao meu ver muito cedo. Passou quase 20 minutos só saindo na boa. E, assim, tentava esporadicamente alguns ataques, que invariavelmente morriam na fase tosca que vive Nunes.

E quase tomou o gol de empate, por abdicar de agredir.

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