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Violência nos estádios pré-Copa é aperitivo que começa a surgir nas novas praças

27 de agosto de 2013 8

Está muito próximo de carimbar-se os novos estádios com uma tragédia. É só o que falta para desmoralizar de vez a Copa do mundo.

O fato de um corintiano que estava preso em Oruro, suspeito de participar da confusão que originou a morte de uma criança no estádio em jogo pela Libertadores, estar brigando em Brasília, só reforça um pouco do descaso com o torcedor de bem, desprezo pela ordem, falta de segurança e respeito pelo cidadão que imperam no Brasil em todas as área e de forma exemplar no futebol.

Por aqui, é torcedor de organizada dando sopapo em jogador do Figueirense. É organizada do JEC fazendo emboscada (no Estadual), é vândalo quebrando carro de jogador em Criciúma (na Sul-Americana) e no Avaí a coleção é farta de episódios violentos ao longo dos anos.

Infelizmente o quadro afasta torcedores de bem, e as arquibancadas esvaziam. Não só pela violência, a isso se soma o preço dos ingressos.

É um círculo vicioso do mal. O futebol brasileiro, ao invés de evoluir com a proximidade da Copa, está pior do que antes. Salários estapafúrdios de técnicos, jogadores sem comprometimento com clubes, empresários gananciosos espremendo até a última gota o manancial, dirigentes que jamais conseguirão ser gestores neste quadro. Qualquer cidadão com mínimo raciocínio se afasta dos estádios e parte para outro hobby.

Levando-se em conta que o futebol é um patrimônio nacional, seria o caso de imaginar uma intervenção estatal, caso o Estado fosse capaz de intervir em algo. Como o Estado não resolve sequer a saúde ou a educação básica, é de se imaginar que sua presença no futebol pioraria tudo.

Portanto, segue o barco. E aguardemos quem e quando uma tragédia virá. 

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Comentários (8)

  • Alecsandro diz: 27 de agosto de 2013

    Para uma país (imprensa) que trata como “herois” os “torcedores” suspeitos de provocar a morte do torcedor na Bolivia, nada mais nos surpreenderá. Se estivessemos em um pais sério, esses pseudos torcedores, teriam que ser no minimo proibidos de entrar em qualquer estádio no país.

  • Júlio diz: 27 de agosto de 2013

    Castiel, parabéns pelo lúcido comentário.
    Sou alvinegro e fui sócio durante 11 anos.
    Ando decepcionado e não é porque estou na série B. Frequentei o Scarpelli inclusive quando o time era “fora de série”. Aliás, foi justamente na época em que o Figuera estava num jejum de título que eu me apaixonei pelo clube: não havia torcida igual Em todos os jogos havia carreata, foguetório, bandeiras, papel picado, charanga,batuque, Bobgueira. Era sensacional!
    Quero crer que os torcedores rivais que viveram essa época pensam o mesmo dos seus times.
    Hoje o estádio está cada vez mais vazio; há uma desempolgação generalizada; a torcida se concentrou na organizada (que torce por amor ou por terror??), jogos são disputados às 10 da noite de sábado, ninguém mais admite a derrota( sim, meus caros, no esporte alguem sempre perde e isso não significa, por lógica, incompetência).
    Eu continuo na torcida pelo meu Figuera, a distancia, no conforto do lar, tomando minha cervejinha(aliás, diga-se, ela não causa violência) e abraçando o meu filho. E rogando por dias melhores no esporte. Do jeito que está, chato será. Talvez até mesmo o futebol acabe perdendo espaço nas próximas décadas para outros esportes que tenham nos seus adeptos pessoas de espírito esportivo…

  • Renato Kammers diz: 27 de agosto de 2013

    É por estas que faz tempo que sou torcedor de sofá. Hoje lugar de bandido é nos estádios e gente de bem é fora dele, longe desta violência irracional. Tô errado.

  • Adriano Brasil diz: 28 de agosto de 2013

    Futebol já era. Esporte muito desqualificado.

  • Jose Luiz diz: 28 de agosto de 2013

    Os culpados disso são os clubes e/ou dirigentes que bancam esses bandidos travestidos de torcedores.
    Ou vocês acham que esse torcedor do corinthians tem dinheiro suficiente pra ficar preso 5 meses na Bolivia e um mês depois de ser solto já tem dinheiro suficiente para viajar comprar ingresso alimentação etc etc pra ir acompanhar o time?
    Torcidas organizadas estão acabando com os Clubes, ta na hora de acabar com esses arruaceiros que estão impedindo que os verdadeiros torcedores vão aos estádios com suas famílias.

  • Tanakara diz: 28 de agosto de 2013

    Perfeito raciocínio do Júlio, torcedor do Figueirense (vou colocar o nome certo em sua homenagem), porque no futebol tudo está mudando para pior…
    Quanto ao que o Castiel escreveu, assino em baixo todo o teor e se me permite acrescento o seguinte:
    - A sentença que deram ao cara que foi preso na Bolívia e depois de 6 meses, solto, que foi de 90 dias sem poder entrar em campo de futebol do seu time, foi para rir ou para chorar?
    Só pode ser gozação… se fosse comigo eu riria e faria pior da próxima vez…!
    A IMPUNIDADE CONTINUA NESTE PAIS…!

  • Fernando Avaiano diz: 28 de agosto de 2013

    Xiiii, ninguém quer falar dos gambas no dia de hoje, tomaram um sacode ai ai, do poderoso Asa de Arapiraca, rzs. Que timão hein, nesta rodada já vamos ver o Figueira pelo retrovisor.

  • Edson diz: 28 de agosto de 2013

    Castiel e Júlio, parabéns pelos comentários. Quanto à opinião do Castiel, apenas um complemento: boa parte da torcida que frequenta as organizadas do Corinthians, ou do Palmeiras, ou do JEC, não frequentará partidas da Copa, e os que forem aos jogos, irão sozinhos, não representando perigo ao torcedor pacífico e de boa índole. Após a Copa, as gangues infiltradas nas organizadas se reencontram, e a insegurança nos estádios volta a ser notícia, pois a Copa não foi pensada como instrumento de educação e civilidade pelos organizadores (pode ser considerado no máximo como um bom exemplo, mas não uma prioridade dos governantes ou um projeto maior em que a Copa está inserida), sendo apenas um evento, dissociado da realidade, do cotidiano, e que passará e não deixará qualquer “legado” ao comportamento nos estádios. Quanto ao relato saudosista do Júlio, compartilho da mesma saudade, em que qualquer jogo com o Marcílio Dias ou com a Chapecoense era uma festa. Menos de 4 mil torcedores no Scarpelli vendo uma partida da Copa Santa Catarina era incomum, e o estádio inteiro vibrando e torcendo enchia-nos de orgulho e alegria (muitas vezes saíamos roucos do estádio).

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