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Arte mais difundida no Brasil: contrariar a vontade da maioria. Enquete sobre Figueirense e Criciúma mostra que também é assim no futebol

01 de maio de 2014 7

Quando o governo militar militava (com o perdão do trocadilho) o povo nem votava. Mas a desigualdade imperou e a ditadura mostrou as garras valendo-se da violência política. O diálogo inexistia.

Quando a democracia se reinstalou a falta de estruturas partidárias sólidas e um povo sem educação gerou uma classe política (com pequenas exceções) gananciosa, sórdida. Incapaz de tirar o que a democracia tinha de bom a oferecer e inclinada a usar as fragilidades do regime para ampliar as desigualdades.

Esta cultura política é o reflexo, em última instância, de tudo que acontece em diferentes análises sociológicas-estruturais até hoje. Aliás fiz um corte a partir da ditadura, mas se voltasse ainda mais no tempo a análise só ficaria mais sólida. 

Se você depositar o olhar na educação, professores que deveriam ser prioridade são humilhados na base da pirâmide. No topo, Universidades discutem profundamente o sexo dos anjos, dissociadas da realidade da população. Se observar os planos desenvolvimentistas vão ver, neste primeiro de maio, um aumento no bolsa-família de 10%: ou seja investe-se no assistencialismo, na fisiologia: dá votos, ao passo que educação, não!

Se mirar a economia, somos entreguistas e irresponsáveis: contraímos empréstimos absurdos, gerimos mal nosso dinheiro. Temos dívida interna absurda, externa maior ainda.

E assim vai a valsa, seja o corte que se escolher, veremos distorções em nosso país. Por que o futebol seria diferente?

Não é. Nas 24 horas que revolucionaram Figueirense e Criciúma (clique aqui e veja um resumo) o que vimos foi um reflexo do nosso Brasil. Quem manda obedece a seus preceitos muito particulares e nada afeitos à vontade da maioria.

Basta olhar o resultado das enquetes feitas com a torcida. No caso do Figueirense, foram absurdos 88% contra 12% a favor da mudança, num ótimo universo de votantes (clique aqui e confira). No caso do Tigre, foram 67% favoráveis contra 33% que concordaram com a troca de técnicos (observe os números clicando aqui).

Assim será na Copa. Assim será nas urnas das eleições deste ano, não tenham dúvida.

 

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Comentários (7)

  • Eduardo Bastos diz: 2 de maio de 2014

    Fiquei surpreso quando o Criciúma contratou o Caio Jr, pois se trata de um treinador que tem seu sistema de jogar e tenta inserir os jogadores no seu estilo de jogo. No Paulistão, tivemos times pequenos como o Penapolense, o Botafogo,o Ituano ( campeão) com treinadores que utilizavam os recursos e facilidades dos jogadores que dispunham para montar um sistema factível e deitaram e rolaram em times com treinadores de ponta (?) como o Muricy, Tite e Mano Menezes, Oswaldo de Oliveira, quebrando o galho o Kleina, que insistem em fazer o time jogar do seu jeito, mesmo com resultados negativos para o clube. Exemplo: Santos, onde a insistência do OO em um cabeça de área, Leandro Damião, fez o time jogar quase sempre com 10. Tenho fé no novo treinador do Criciúma porque tornou o Botafogo de Ribeirão, um time competitivo no Campeonato Paulista, com certeza o único referência no país.

  • Junior diz: 2 de maio de 2014

    É Castiel, pouco a comemorar. Primeiro que no dia do Trabalho não se trabalha, logo, deveria ser o dia do trabalhador. No futebol, poucos escapam. Ainda pouco o Atlético/MG se despediu do Libertadores e veja o enredo, troca de técnicos seguidas. Grêmio, não quis renovar com Renato Gaúcho, que foi para o Flu, que o demitiu. Ambos sucumbiram nos estaduais e o Grêmio na Libertadores. O Atlético enquanto mantinha o Cuca ganhou alguma coisa. O São Paulo nos últimos tempos nada ganhou, troca constante de jogadores e técnicos, o mesmo de Flamengo, Coritiba e tantos outros por aí. Hoje quem manda são os empresários, se apoderam da base e impõem escalação de perebas em quase todos os times do Brasil, enquanto os dirigentes revestidos pela incompetência só pensam em $$$$$. Nunca vi ex-dirigente passando necessidades, aliás, somente os clubes é que estão em situação caótica. Nenhuma luz no fim do túnel a cuto prazo, só tende a piorar. Abraço.

  • Sergio H diz: 2 de maio de 2014

    Boa noite, Castija!

    Na Suécia, pela década de 70, em várias cidades foram colocados, verticalmente, tubos de concreto no meio de cada pista (faixa da rua) a intervalos de 30 mts, em frente a hospitais e escolas. A intenção era diminuir a velocidade do tráfego. Os condutores “ziguezagueavam” no trecho. Após 1 ano, os tubos foram retirados e nestes locais jamais foi necessário instalar quaisquer outros dispositivos para controle do tráfego. A indústria automobilistica sueca destacou-se no tempo pela segurança de seu produto. A Volvo e Saab sempre produziram carros repletos de dispositivos de segurança. Mas, mesmo lá, eventualmente se faz necessária a adoção de medidas radicais, como as dos tubos de concreto. Aqui, no Brasil, é como você escreveu… assistencialismo. Apadrinhamento, jeitinho, imediatismo. Na maioria das escolas brasileiras o ensino é pobre e não há tempo para educar pelos bons modos,tarefa essa que cabe aos pais. Os mesmos pais que tem apenas o ensino fundamental. E cria-se um circulo que somente será rompido com atitudes corajosas, como a instalação de “tubos de concreto” em nossa cultura carnavalesca e futebolística.

    Abraços.

  • Luiz d diz: 2 de maio de 2014

    E se o técnico abandona o time pôr uma proposta melhor????????

  • Henrique Dresch diz: 2 de maio de 2014

    Bela análise Castiel!

  • Zé Buscapé Carvoeiro diz: 2 de maio de 2014

    mudando um pouco de assunto. Observem que no ano de 1992 tinha um time catarinense.
    Veja os representantes do Brasil nas quartas da Libertadores desde 1988:
    2014 – Cruzeiro (1)
    2013 – Atlético-MG e Fluminense (2)
    2012 – Corinthians, Fluminense, Santos e Vasco (4)
    2011 – Santos (1)
    2010 – Cruzeiro, Flamengo, Internacional e São Paulo (4)
    2009 – Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras e São Paulo (4)
    2008 – Cruzeiro, Fluminense e São Paulo (3)
    2007 – Grêmio e Santos (2)
    2006 – Internacional e São Paulo (2)
    2005 – Atlético-PR, Santos e São Paulo (3)
    2004 – Santos e São Paulo (2)
    2003 – Grêmio e Santos (2)
    2002 – Grêmio e São Caetano (2)
    2001 – Cruzeiro, Palmeiras e Vasco (3)
    2000 – Atlético-MG, Corinthians e Palmeiras (3)
    1999 – Corinthians e Palmeiras (2)
    1998 – Grêmio e Vasco (2)
    1997 – Cruzeiro e Grêmio (2)
    1996 – Corinthians e Grêmio (2)
    1995 – Grêmio e Palmeiras (2)
    1994 – São Paulo (1)
    1993 – Flamengo e São Paulo (2)
    1992 – Criciúma e São Paulo (2)
    1991 – Flamengo (1)
    1990 – Vasco (1)
    1989 – Bahia e Internacional (2)
    1988 – Não houve brasileiro nas quartas

  • Paulo Pinheiro diz: 2 de maio de 2014

    Este foi seu melhor comentário, Castiel. O melhor que já li, ao menos. E li MUITOS.

    Foi excelente. Baita capacidade de síntese e uma visão imparcial dos fatos.

    Parabéns!

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