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Começou tudo de novo... tentar achar uma Seleção sem atacar os problemas reais que causam nossa decadência

19 de agosto de 2014 1

A primeira convocação de Dunga é bem-intencionada. Mas… o Brasil não precisa de boa intenção em relação ao seu futebol, precisa, sim, de atitudes mais amplas que envolvam toda a estrutura do nosso futebol. E, isso, não ocorreu pós-Copa.

Pior, aconteceu muito pior. Não é que recentemente os clubes foram estender o pires ao governo federal para arrumar mais perdão às dívidas?

Então, eu poderia analisar pontualmente a convocação. Que, como já disse, vi cheia de boas intenções. Mas ao ver 10 nomes (o que não é um número pequeno) de jogadores que fracassaram, eu já me preocupo.

Tudo bem, vamos dar de barato que, dentro de um novo contexto, estes que vieram da péssima Copa que fez o time brasileiro reconstruam um caráter vencedor que não vimos. Mesmo que ver Hulk e cia seja angustiante.

Vamos dar de barato isso e acreditar em bons valores que foram chamados, incluindo o injustiçado catarinense Filipe Luís… Mesmo assim, lembro do que vem colado à Seleção.

Sem ser profundo e rapidamente, elenco alguns fatores:

- Falta de uma safra futura de alto nível. O que não é culpa do Gallo, atual técnico da base, e sim da forma como a CBF (des) construiu nosso celeiro.

- Falta de protagonismo. Um Neymar só não faz Verão, tá mais que provado nas competições anteriores.

- Falta de armadores qualificados (ou pelo menos com a carreira consolidada) para equilibrar o esquema tático.

- Profissionais que não vivem a realidade do país, estão no exterior e, portanto, não têm fit com o povo.

- Torcida modinha (ou coxinha, termo mais atual). Ou seja, quem vai a jogo da Seleção no país não é o torcedor que frequenta os estádios. Pelo simples fato de que é tudo muito caro.

- Safra de treinadores não se renova, até por desinteresse da CBF e de empresários, que querem ver seus jogadores convocados para valorizá-los e isso não combina com quem quer ousar ou inovar.

- Empresários são os donos do campinho: o dinheiro gira entre eles e dirigentes, e alguns atletas privilegiados, nunca para o clube, para a instituição.

- Está ruim assistir futebol brasileiro. Os jogos são toscos, ruins, deprimentes, e não espetáculos intensos e agradáveis. Quando o jogo não é ruim, a parte podre das torcidas organizadas se encarrega de promover a violência. Não se pode mais ir com segurança a um clássico.

Pelo exposto acima, temos jogadores que não jogam no país, apenas um craque à disposição (quando tínhamos dezenas em outras épocas), técnicos ultrapassados, empresários gananciosos e uma torcida que não é a que vai a jogos normalmente. Então temos o quê? Uma fantasia.

Como já disse anteriormente, levar 7 a 1 numa Copa em nosso país, ao natural, fora um conjunto de atuações pífias, mesmo com vitórias, não foi suficiente para se atacar este montão de problemas estruturais. Nem os fartos problemas que tivemos com as verbas empregadas na gestão da Copa. Então vou eu aqui ficar preocupado com convocação?

Não sei se uma desclassificação em uma Eliminatória – que me cobrem depois, não pois é algo plenamente possível - seria suficiente para atacar este quadro. Acho até que não, diante da passividade de nossa população. Povo que vive de indignações provisórias, totalmente vítima de uma elite dirigente da pior espécie e de sua incapacidade de reação.

Aliás, a reação, pelo menos no futebol, já está aí. Indiferença com a Seleção progressiva. Só cai no conto “Seleção” aquele povão totalmente excluído e ignorante, quem pensa um pouquinho sabe que o que temos não é o Brasil que aprendemos a admirar. E os estádios vazios, porque amamos nossos times, mas não gostamos de vê-los enfraquecidos e usurpados. É uma reação a conta-gotas. Só vai fazer efeito a longo prazo.

O problema é que, até lá, o futebol que aprendemos a amar pode já estar extinto.

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Comentários (1)

  • Hélio diz: 19 de agosto de 2014

    Boa análise. É importante que a mídia coloque o dedo na ferida e não fique varrendo a sujeira pra debaixo do tapete. Quando a pessoa tiver um pouco mais de paciência e for verificar as reais condições do nosso desporto, incluindo o futebol, num quadro comparativo com países vencedores nas mais variadas modalidades, pensa em seguir o mesmo exemplo. Só que nosso país, não faz o mais elementar dos ¨deveres de casa¨: colocar o esporte na escola, na comunidade, descoberta de talentos, centros de treinamento, atletas e equipes de alto rendimento. Quando chegaremos nesse estágio? Não tão cedo, pois nem priorizamos a educação e ficaremos lamentando a cada quatro anos a nossa incompetência.

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