
O Avaí campeão catarinense de 2012, que a Capital vivencia, será curtido toda vez que a história for consultada. Portanto, deixa de ser algo palpável para ser um fato eterno. O grito azul pós-apito, a comoção de uma nação após o 2 a 1 de ontem, os 5 a 1 do conjunto da obra, ecoou a partir do Estreito, tomou conta do Continente, invadiu a Ilha, espalhou-se por Biguaçu e Palhoça, tomou o Estado e fluiu rumo à história.
O Avaí é 16 vezes dono de Santa Catarina, passa a ser o mais vezes campeão do Estado, dá uma lambada com soberania e contornos épicos no rival, que estaciona nos 15 títulos. Incrédulo, o lado alvinegro de Florianópolis vê a turma azurra gritar para o mundo: o impossível só existe para quem não nasceu para ser gigante!
O que se viu na Ressacada, no primeiro jogo, e no Scarpelli como capítulo final, não se explica pelos caminhos normais do futebol: situações táticas, técnicas, disciplinares, fisiológicas ou até psicológicas não são suficientes. Como não foram no jogo de ida.
É preciso um tanto de misticismo para crer nos fatos. Um time que entra numa final depois de um turno e returno desacreditados, sob pressão, com técnico recentemente empossado, um Hemerson Maria de poucas expectativas até então, e faz frente a um rival de Série A, tem que estar amparado em algo mais.
Pois havia algo no ar: fazia 13 anos de uma conquista do rival, o título de 1999 do Figueirense; o dia era o 13 de maio. Portanto, os números já estavam imantados pelo sobrenatural. Não foram 11 homens que adentraram o gramado, tampouco 11 atletas. Os titulares que invadiram o Scarpelli e que haviam lutado no domingo anterior foram guerreiros, daqueles com técnica apurada, força incontida, objetivo definido, missão a cumprir. Guerreiros que viraram deuses.
Como? O apito rolou, e um 3 a 0 reluzia favorável ao visitante. O Figueirense deveria pressionar. Deveria, mas não o fez. O Avaí, livre e leve, fez o seu jogo. O Figueira, travado pela pressão, não soube driblar o adversário e a parte psicológica.
No segundo tempo, o Avaí jogou como campeão. Fez um gol com Cléber Santana quando era pressionado. Cléber, que errara três pênaltis na sequência antes, foi lá e converteu. Hemerson Márcia, iluminado e senhor do destino, colocou Laércio. Este, fez o 2 a 0. Deretti ainda descontou. Mas a festa estava deflagrada.