“O árbitro disse que hoje ele me quer, mas eu sou muito bem casado”. Marquinhos sobre Ronan Marques da Rosa, no intervalo do jogo em que o JEC venceu o Avaí por 2 a 0. Esta frase mostra um pouquinho do clima quentíssimo em que o clássico ocorreu.
Minha opinião antes de descrever tudo que vi: o árbitro realmente não estava numa jornada feliz, mas houve demérito em o Avaí se abater e não buscar o futebol como solução e grande mérito do JEC em mostrar experiência e usar a seu favor o bom futebol que tem e a situação que se apresentou na partida.
Eu até estava em dúvida em qual jogo concentrar a atenção. Tinha uma tendência a ver o clássico entre Avaí e Joinville desde o início, afinal envolvia dois times de SC, mas uma curiosidade muito grande em ver o comportamento da Chapecoense no jogo que servia para consolidar a liderança. Comecei zapeando, mas a superioridade do Verdão era tanta e o placar imposto desde cedo tão cristalino que parti para o jogo de Floripa logo na largada.
O Verdão venceu por 5 a 1 no Oeste ao ABC, manteve a ponta e, na Capital, deu o Tricolor do Norte, espantando a falta de vitórias fora de casa.
Mas o placar só foi esse porque um gol legítimo do Avaí foi anulado antes dos gols que deram a vitória. A culpa é pela má colocação do bandeira, que deve auxiliar o árbitro nestes lances. Foi uma bola de Márcio Diogo que bateu na trave, dentro do gol e, pelo efeito, retornou em direção ao campo de jogo.
É verdade que um chip, que até hoje a Fifa não autorizou, resolveria fácil esta situação. Desde o primeiro momento, assim como os colegas Rodrigo Faraco e Miguel Livramento, da CBN Diário, fiquei com a forte impressão de gol. A repetição na televisão solidificou a ideia e, depois, o quadro parado comprovou que fora gol.
Na verdade, o que se viu foi uma injustiça maior que o erro da arbitragem. Porque o bom Joinville que vemos jogar na Arena insistiu em sumir fora dela até achar seus gols. Depois, sim, entrou de vez no duelo.
O tricolor foi amassado pelo Leão nos primeiros 25 minutos, com três chances de gol, fora a bola que realmente entrou mas não foi validada.
Somente perto dos 30 minutos que Lima foi construir a primeira chance do visitante. E, logo depois, aí sim numa jogada bem trabalhada pegou a sempre confusa defesa avaiana comendo mosca. E Ronaldo, que passa ótima fase, não perdoou, marcando o gol.
Aí veio mais rolo no segundo gol. O começo da confusão ocorreu em duas faltas claras em jogadores do Avaí na origem do lance, mas foi dado continuidade e, na sequência, veio o gol de Lima em contra-ataque. Aí já entra na conta do árbitro estar sentindo a pressão e quer se auto-afirmar, vendo um jogo que ninguém mais via.
Pronto estava criada a confusão e arbitragem comprometida. O primeiro tempo terminou com tumulto, dirigente do JEC mostrando radinho supostamente atirado pela torcida e proteção policial.
No segundo tempo, o JEC fez um jogo de marcação, o Avaí não achou soluções para superar seu nervosismo. Tauã entrou na vaga de Bovi, mais tarde entrou Reis na vaga de Alex para tentar pressionar, enquanto o tricolor somente renovou o gás com a saída de Lima para entrada de Francis e depois Jussani para fechar com a saída de Marcelo Costa.
Os atletas do JEC, aproveitando que Ronan Marques da Rosa estava perdidinho, usaram a experiência para amarrar o jogo caindo em campo e elevando o nível de nervosismo dos avaianos.
A arbitragem, portanto, seguiu tensa e os assistentes errando muito.
Será discussão que não acaba aí. A semana promete começar quente nos bastidores após esta partida.