Começou tudo às avessas para o Figueirense no 2 a 2 com a Ponte Preta. Primeiro Fernandes, que seria o fator de equilíbrio do time, deixa o campo sentindo lesão.
Logo depois, gol de cabeça da Ponte, em mais um episódio, de tantos, de má colocação da zaga, que faz com que Wilson saia vendido e o time leve o gol.
Tudo para o time afundar como em muitos jogos. Mas não foi o que vimos. Já que Goiano pode ajudar muito o Figueira de forma pontual neste início de trabalho e, no que está ao seu alcance, ele consegue.
Goiano não pode é fazer milagre. Ou seja, lidar contra um departamento médico/físico/fisioterápico que deixa o time constantemente desfalcado e contra um problema de formação de time no setor defensivo. São duas coisas que só a médio ou longo prazo pode ser corrigido e talvez o Figueira não tenha este tempo dentro desta competição.
Mas Goiano pode ajudar o time a manter a calma em momentos difíceis. Em não deixar de acreditar. Em colocar o time sempre bem postado nas ações ofensivas. E, neste último item, foi que saiu o gol de Aloisio. O crescimento do atacante se dá exponencialmente pelo bom entendimento do material que Goiano tem em mãos.
Aliás, quase houve um empate numa arrancada de Caio. Outra “inteligência” de Goiano, que achou a fórmula para este jogador aproveitar seu potencial. E foi justamente ele que garantiu a virada, ainda na primeira etapa, oportunista, no lugar certo, na hora certa.
Literalmente, assistimos a um jogo casca grossa. A Ponte Preta vinha de quatro jogos sem perder. O Figueirense de quatro pontos em seis contra Fluminense e Corinthians. A Macaca era, nada mais nada menos, que um dos líderes, junto ao Grêmio, do returno.
No Moisés Lucarelli, muita coisa em jogo, principalmente para o Figueira, devido à necessidade de ter um pouco de gás na luta para sair do Z-4.
Na primeira etapa, passada a intensidade dos minutos em que aconteceram os gols do 1 a 1, a igualdade dos times preponderou, o que é boa notícia para o Figueira. Sinal de que uma consistência tática foi atingida. E golzinho no final foi um prêmio ao time mais vertical na etapa.
E na segunda etapa, o preparo físico cobraria sua conta como tem acontecido?
Não sei se dá para considerar problema físico o terreno que o Figueira cedeu para uma pressão inicial da Ponte. Mas que houve esta situação não há dúvida. Mas sempre uma ameaça que não era concreta. Ou seja, um risco sob controle do time de Floripa. O problema era abdicar do contra-ataque.
Fato é que, talvez para dar um gás, Goiano preparou Doriva ainda na faixa dos 20 minutos para entrar e dar sua contribuição. A saída de Tulio até é compreensível. Ele vem jogando de forma muito intensa. Deve estar no limite e precisando de um alívio. Mas que o time perde muito com sua saída é inegável.
Quanto à entrada de Julio Cesar, se deve a dois motivos: o primeiro, reintegrar e dar ritmo a este jogador que é fundamental numa campanha consistente; o segundo, pelo fato de Aloísio demonstrar sinais de desconforto muscular (olha a preparação física aí, novamente!).
A nova formação não encaixou redondinho e a Ponte seguiu com mais volume e quase marcou com Nicão, aos 30 minutos. Aos 35 minutos, o empate veio e, claro, via aérea.
E assim seguiu: a Ponte em cima, o Figueira se segurando, sem o contra-ataque. Ronny, por exemplo, além de individualista, coloca a gravata. Será por quê?
Resumo bom da obra: virtudes bem exploradas por Goiano: garra, motivação, o que tem de bom bem utilizado e um padrão tático mais ajeitado.
Resumo ruim da obra: zaga segue falhando, as alas são deficientes, o time sofre com falta de preparo físico e jogadores se machucam aos borbotões, fruto de um preparo físico inadequado.
Menos mal que, na balança, o Figueira pelo menos parou de perder.