O mundo tem que se render, novamente, ao futebol brasileiro. E desta vez quem representou nossa força neste esporte esteve à altura de nossas tradições. O Corinthians foi guerreiro, foi inteligente e aliou força com técnica. O 1 a 0 sobre o Chelsea teve nos ingredientes competência acima de tudo.
Tudo em uma decisão de Mundial é diferente. A começar pelo horário, cedinho pela manhã. Para o torcedor mais fanático, provavelmente houve uma virada de sábado para domingo sem dormir. Para aqueles não envolvidos, assistir a uma partida de tamanha importância, com pão quentinho e café, é uma experiência diferente. E legal.
Também é incomum o ambiental. Aqui em Floripa, onde tem uma colônia corintiana grande, pelo menos no Centro, onde moro, ouvia-se gritos angustiados aqui e acolá, perdidos pela manhã cinzenta. Lá no estádio, o contraste do “bando de loucos” com a frieza mais apropriada ao gélido japão.
Dentro de campo, também é estranho. A escola europeia x a escola brasileira. E o empate do primeiro tempo foi justo. Mais chances claras de gol para os azuis, três, com duas para os corintianos.
Gostei do Timão na primeira etapa. Guerreiro, como seu santo Jorge, taticamente aplicado e vítima de dois de seus defeitos já bem conhecidos: alguns momentos em que sua zaga joga em linha, e a dificuldade para clarear os sentimentos na hora de concluir a gol.
No Chelsea, os defeitos apontados neste ano complicado também estiveram presentes. Um time um tanto sem alma, que abre mão de um Oscar para ver um meio desconjuntado e uma zaga que “faz água” pelo setor direito.
E as qualidades, obviamente, estão nas conclusões precisas. E só não viraram vantagem graças a um brilhante primeiro tempo de Cássio. Simplesmente perfeito, o goleiro. Do outro lado, Petr Cech só não teve o mesmo trabalho porque Emerson não estava transformado em Sheik, tanto na conclusão, quanto no oportunismo ao não brindar Guerrero com um passe em momento decisivo.
Na segunda etapa, daria para copiar e colar a análise do tempo inicial, em termos de distribuição das ações na partida. Mas com uma diferença importante e, para alegria dos “Loucos”, favorável ao representante brasileiro. O Chelsea não era mais tão perigoso, enquanto o Timão mirava o gol com mais ambição.
Até que, aos 25 minutos, Guerrero, tão esquecido, tão negligenciado, teve uma chance e fez o que se espera destes homens da função nove: gol.
E o gol foi concretizado por Guerrero, mas foi obra coletiva, de envolvimento do adversário, o que dá mais brilho e valor ao feito.
Aí, faltando 20 minutinhos, é que o técnico Benitez aposta em Oscar. Um jogo inteiro com o lado azul clamando por criatividade e velocidade, mas o treinador não viu esta necessidade.
Já Tite foi magistral. Seu time sóbrio e concentrado foi mais concreto e intransponível após o tento. E, quando houve chance, Cássio mostrou para o mundo que tem DNA de campeão.
Parabéns ao Timão.