O Galego, o Anjo Loiro, o homem do créu, o coveiro, o abusado nas entrevistas: chamem como quiser, apelidem como desejarem, qualifiquem como for possível. Mas o futebol diferenciado ninguém tira de Marquinhos. É tão diferente, que enquanto os 21 jogadores já ouviam o hino, ele dava entrevistas.
O que faltava seus sonhos de craque? Gol em clássico. Ele não veio na virada, por 2 a 1, neste domingo, sobre o Figueirense, mas nem precisou. Porque outro craque, seu amigo particular, Eduardo Costa, estava lá para ajudar o polêmico parceiro a sair vencedor de campo.
Marquinhos, no clássico anterior, passou despercebido. Evitou entrevistas, calou-se, aceitou ser coadjuvante. Viu seu Avaí naufragar e perder de 1 a 0. Desta vez, deu um soco na mesa. Resolveu ser protagonista, berrou com a arbitragem, chamou a responsabilidade e mostrou em campo por que tem moral para tal. Cobrou falta com perfeição, fundamental no empate e depois foi ser feliz ao lado de outro ícone do time.
A aversão que o torcedor do Figueira tem de Marquinhos é diretamente proporcional às suas ações. Certa feita, num clássico, dançou o créu em pleno Scarpelli; noutra, atuando pelo Grêmio, simulou o enterro do rival. Agora, apenas vibrou muito com o coro da torcida: “O campeão voltou”.
O caminho foi na raça. O galego não dava as caras porque Adilson Batista apostou no que deu certo no clássico passado: achar uma bola decisiva e, no mais, jogar pelo resultado. E para garantir-se, o Figueira cuidava com esmero, e até exagero, da marcação. O fez o tempo todo, a ponto de ter um centroavante, Marcelo Toscano, defendendo também.
O Avaí tinha mais de presença ofensiva, graças a um atacante, Reis, interessado e a um meia, Eduardo Costa, eficiente. Mas a tal da “bola decisiva” diminuiu a importância do domínio territorial. Aos 15 minutos do primeiro tempo, a bola foi erguida na área e Alef foi imprudente. Fez carga sobre Douglas e cometeu pênalti. O árbitro Ronan Marques da Rosa acertou na marcação. Toscano teve frieza e bateu sem chances para Diego. Mas o 1 a 0 não seria suficiente para a vitória.
O Avaí partiu apressado ao ataque. O time, então, viu um Figueira ainda mais recuado. O Leão foi estocando, avançando até que surgiu, aos 35 minutos, a falta que tirou o peso dos ombros de Marquinhos. Cobrança magistral, bola na trave, e Rodriguinho empatou.
Faltava a cereja no bolo: e quem adoçou a alma da torcida foi Eduardo Costa. Bagagem de craque, uma partida de exceção, era o melhor em campo e foi justamente brindado com a bola decisiva, nos acréscimos. E não houve irregularidade nenhuma no lance.