A história do empate de 2 a 2 entre Avaí e Criciúma passa pelo cenário da partida. Num jogo com o gramado ensopado (esta foi a imagem que melhor surgiu em minha mente para definir o campo de jogo), algumas leis entram em ação no futebol. Uma delas, a principal, é que não existe toque curto de bola, seja na armação, seja em ações defensivas.
Quem tem melhor esta compreensão tende a se dar melhor. E o Criciúma teve mais entendimento coletivo da situação, na primeira etapa, e assim saiu vitorioso, por 2 a 1, nos 45 minutos iniciais. Foi mais compacto, vertical e, por este motivo, contou com Lins quando precisou. A mesma capacidade de “ler” a necessidade não houve para com a zaga azul. Esta bateu cabeça, não seguiu o beabá e cedeu o gol de abertura, o que deu o tom das dificuldades que o time viveria no início de noite e de jogo, já que levou 1 a 0 nos primeiros minutos.
Individualmente, destaque para Marcel e Lins, incomodando lá na frente. E, pelo Avaí, Marquinhos, sempre mostrando qualidade no último passe. Além de Reis, que deixou o dele, incomodou e mostrou que, no ataque, o Avaí, finalmente, tem farinha no saco (o gol de empate de Roberson seria a assinatura do setor de frente).
Na segunda etapa, veio a superação, a noção do desespero falou mais alto para o mandante, e o empate chegou num momento em que a drenagem do campo permitiu algo mais técnico. E esta qualidade saiu dos pés de Roberson, que concluiu a gol com estilo para empatar. Reis e Roberson, Roberson e Reis: duplinha legal, esperta e útil. Habemus ataque!
Não foi possível analisar o jogo do ponto de vista tático, já que a lei da chuva impôs seu peso, sua limitação. E, assim, Vadão e Ricardinho tiveram influência pontual apenas, nenhum julgamento seria justo do trabalho dos “treineiros”.
Na hora do aguaceiro, são rasgos de inteligência e oportunismo que decidem, e/ou frações de “mandrakes” que determinam o destino. Assim foi.
O pontinho escasso não reposicionou o Criciúma na briga pelo returno. Aliás, segunda fase do campeonato que não alijou ainda o Leão, mas sem dúvida, se fosse um namoro, estaria na famosa fase de “dar um tempo”. Desta condição, está mais para romper que para voltar com o parceiro.
E aí que mora o perigo. Porque, se não levar o returno, na classificação geral a realidade é triste: está mutíssimo mais para olhar abaixo e combater o rebaixamento, que mirar acima e sonhar com a vaga.
Já o nosso representante na Série A não mostra um volume de pontuação que o qualifique a lutar não só no returno, já que também padece na Geral.
Noves fora, resultado ruim para ambos.
PS: o Avaí vai reclamar muito dois pênaltis, que Célio Amorim não deu em favor do time da casa. Dos dois pênaltis, o cometido em Marquinhos ocorreu. O segundo, Roberson fez um teatro, mas a intenção do jogador do Tigre houve, alguns árbitros marcariam.