COMO FOI AGOSTO?
Seco e poluído, como desde 2007 não era visto.
Já com relação à temperatura, o fim de agosto está sendo quente, porém não podemos nos esquecer que registramos frio histórico no início do mês, inclusive com queda de neve significativa no Sul.
Voltando à chuva, a situação, aliás, foi normal, apesar de indesejável.
Não choveu em boa parte do Centro-Oeste, Rondônia (apesar de algumas pancadas nos últimos dias), centro e norte de São Paulo, boa parte de Minas Gerais e em várias cidades do interior do Nordeste.
Os acumulados de mais de 100 mm concentraram-se apenas sobre parte do litoral leste do Nordeste e norte da Região Norte.
Até mesmo o Rio Grande do Sul, Estado tradicionalmente chuvoso, termina o mês de agosto com precipitações abaixo da média.
Com relação às queimadas, tivemos quase 27000 focos até o dia 30 de agosto, de acordo com um único satélite, o NOAA15. Já no ano passado, foram pouco mais de 7400 focos. São mais de três vezes e meio mais focos de queimadas. O número atual ainda não bate o valor de 2007, quando foram registrados quase 58500 focos de queimadas em todo o Brasil.
Lembramos muito do calor dos últimos dias, mas nos esquecemos que fez muito frio na maior parte do mês de agosto. Registramos, inclusive, de queda significativa de neve (especialmente no dia 04 de agosto), algo que não era visto desde 1999/2000. Por isso mesmo que no fim das contas, o mês termina com temperatura (média das temperaturas mínimas e máximas) dentro do normal em boa parte da Região Sul, Mato Grosso do Sul e, até mesmo, do Estado de São Paulo. A temperatura ficou mais baixa que o normal em boa parte da costa do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Este caso explica-se pela água do mar que está mais fria que o normal entre o Sul e Sudeste. A água do mar mais fria que o normal deixou o ar mais frio que o normal.
Por outro lado, o mês foi mais quente que o normal em boa parte de Minas Gerais, Mato Grosso, além das Regiões Norte e Nordeste.
Para quem gosta de dividir a análise da temperatura entre mínima e máxima, vale a informação que as madrugadas foram mais frias que o normal na maior parte do Brasil. O frio esteve associado com a baixa umidade do ar, deixando o tempo aberto e favorecendo o rápido declínio da temperatura em todo o Brasil entre as noites e madrugadas. Apenas a Região Norte (com exceção de Rondônia) teve um mês de agosto com madrugadas mais abafadas que o normal.
Já se olhamos a máxima, ela ficou mais baixa no Rio Grande do Sul e dentro da média em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, sudoeste de Mato Grosso, sul de Rondônia e em boa parte do Sudeste e Nordeste.
No caso do Rio Grande do Sul a combinação de ondas de frio freqüente e o atual bloqueio mantiveram a temperatura baixa. Já nos Estados em que a temperatura máxima ficou dentro da média as ondas de frio do início do mês e o calor dos últimos dias fizeram com que o valor ficasse próximo da média.
Por fim, o calor predominou em boa parte da Região Norte, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, norte do Piauí e em boa parte do Ceará.
COMO SERÁ SETEMBRO?
Por conta do atual efeito do fenômeno La Niña, o mês de setembro ainda será mais seco que o normal em boa parte do Brasil. Vai demorar para as grandes chuvas, típicas da próxima estação, voltarem neste ano. Estimamos que estas chuvas venham apenas no decorrer do mês de outubro. Apesar disso, vale reforçar a frase: "setembro será mais seco que o normal". Isto não quer dizer que o mês terá ausência de chuva. Irá chover neste mês, especialmente a partir da segunda quinzena, porém ainda em volume insuficiente para aumentar a umidade do solo e nível de reservatórios, por exemplo.
No fim das contas, apenas alguns poucos Estados terão chuvas acima da média. Será o caso do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (especialmente por conta dos grandes temporais que cairão ainda nesta semana), além do noroeste do Amazonas e norte de Roraima, por conta da atuação da Zona de Convergência Intertropical.
A falta de chuvas freqüentes influencia diretamente a temperatura: o mês de setembro será extremamente quente em boa parte do Paraná, São Paulo, interior de Minas Gerais e nas Regiões Centro-Oeste e Norte. Olhando apenas a temperatura máxima, o desvio poderá passar dos 5°C em algumas cidades, como Campo Grande. Num mês de setembro normal, a temperatura máxima da Capital de Mato Grosso do Sul chega aos 29°C. Ela poderá chegar, portanto, a 34°C neste mês de setembro.
Por outro lado, no Rio Grande do Sul, especialmente na região de fronteira do Estado com o Uruguai, o mês de setembro será mais frio que o normal. Além da entrada de ondas de frio mais freqüentes, o excesso de chuvas também favorecerá o desvio negativo.




























