18 ago14:14

Hidrelétricas x reprodução dos peixes no Rio Uruguai

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O impacto da construção da Hidrelétrica Foz do Chapecó na reprodução dos peixes é um dos objetivos da pesquisa sobre rotas migratórias dos peixes da Bacia do Rio Uruguai, que está sendo desenvolvido pelo Projeto Piraqué. O projeto do Instituto Goio-Ên, ligado à Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó), tem o apoio da Foz do Chapecó Energia S.A., como compensação ambiental pela construção da barragem entre Águas de Chapecó e Alpestre-RS.

Com a barragem peixes migradores, como o dourado, que nadam em direção à nascente dos rios para desovar, acabaram por tem um obstáculo à sua reprodução.

- Queremos ver como eles estão se adaptando à essa mudança- disse a engenheira de aqüicultura do Instituto Goio-Ên, Michele Cavalheiro Nunes.

Michele já trabalhou na Usina Hidrelétrica de Machadinho, em Piratuba, onde constatou que ao chegaram na barragem, os peixes procuraram rotas alternativas. Uma delas é o afluente do rio Uruguai, o rio Ligeiro, onde acabam fazendo a reprodução.

Na Foz do Chapecó o objetivo é ver se ocorre o mesmo e assim identificar os pontos de desova.

Para isso estão sendo identificados os peixes. O projeto iniciou há um mês sua segunda etapa. Na primeira etapa, que iniciou em 2008, durante a construção da usina, foram marcados 201 peixes. Os pescadores chamavam os pesquisadores, que implantavam um brinco de plástico de quatro centímetros no animal, com telefone do Instituto. Agora são os próprios pesquisadores que capturam as espécies. A implantação é no opérculo, que é uma placa óssea que cobre a brânquia.

Os pescadores que fornecem informações de onde os peixes foram capturados, o peso e a medida recebem brindes como bonés, camisetas, lanternas e coletes. Com isso os pesquisadores conseguem monitorar o deslocamento e desenvolvimento. Na primeira etapa foi constatado que a reprodução ocorria bem acima da obra, próximo à barragem de Itá, ou abaixo da obra.

Agora a pesquisa que vai avaliar o impacto após a construção. Já foram identificados 10 peixes. E a meta é marcar 600 peixes, das espécies como dourado, suruvi, surubin, piracanjuba, pintado, piava, bocudo e jundiá. De acordo com o assistente técnico em piscicultura do Instututo Goio-Ên, Sidinei Follmann, depois de pesados, medidos e marcados os peixes são devolvidos ao rio, alguns acima da barragem e outros abaixo. Com isso os pesquisadores vão conseguir identificar o comportamento dos peixes tanto no lago, quanto abaixo dele. Tudo para tentar preservar as espécies que durante anos navegavam livremente pelo rio Uruguai e atualmente encontram cada vez mais obstáculos para sua reprodução.

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