26 set10:03

Agronegócio no Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O Oeste Catarinense está na mira de grandes investimentos. Entre o segundo semestre deste ano e o final 2012, o agronegócio da região vai somar R$ 420 milhões em investimentos. Isso, contando apenas os projetos de cinco grandes empresas que prometem gerar cerca de 2,5 mil empregos diretos.

Juntas, as obras ultrapassam o valor do projeto anunciado como o maior do Estado neste ano — o investimento de US$ 200 milhões (em torno de R$ 370 milhões) da gigante do aço ArcelorMittal na sua unidade de São Francisco do Sul, no Norte do Estado.

O presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola do Estado (Cidasc), Enori Barbieri, diz que o valor dos investimentos e do número de vagas no Oeste Catarinense estão acima da média histórica da região e que isso representa uma retomada do setor.

— Santa Catarina vive um de seus melhores momentos no agronegócio — comemora.

Na análise do diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados (Sindicarnes) e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo Gouvêa, o Brasil está se transformando no grande fornecedor mundial de proteína animal e Santa Catarina se destaca nesse cenário. Ele lembra que a crise internacional de 2008 levou empresas da região a suspenderem investimentos. Agora, apesar de uma nova crise na Europa, os projetos são retomados.

Ele cita, como exemplo, a Brasil Foods (BRF), que antes estava mais preocupada com a fusão entre a Sadia e a Perdigão, e agora passa a ter uma atuação mais forte, retomando os investimentos.

— Vamos por o pé no acelerador — anuncia o presidente do Conselho de Administração da BRF, Luiz Fernando Furlan, que esteve na semana passada em Chapecó. A Marfrig, que comprou a marca Seara, também está investindo na modernização das plantas. E empresas como a Coopercentral Aurora também são obrigadas a investir para não ficar para trás.

Diferencial sanitário

A retomada dos investimentos dos frigoríficos em Santa Catarina tem muito a ver com o diferencial sanitário do Estado, o único no país com certificado de Zona Livre de Aftosa Sem Vacinação.

Esse status diferenciado pode começar a dar novos frutos ainda neste ano. Uma missão do Japão esteve visitando o Estado no início do mês. Em outubro, será a vez do governo do Estado visitar o Japão, com a meta de assinar o sonhado acordo de fornecimento de carne para este país. Barbieri, da Cidasc, explica que o Japão é referência na Ásia e na esteira do contrato viriam os mercados da Coreia do Sul e China. Ele diz que há disposição dos grandes frigoríficos em fazer plantas específicas para exportar para o Japão e que a autorização de exportação traria uma nova onda de investimentos a Santa Catarina.

Novos investimentos

Outro fator para a atração de investimentos no Oeste Catarinense é o crescimento da bacia leiteira da região, que responde por 70% da produção do Estado.

De acordo com o diretor da Cidasc, Enori Barbieri, o crescimento está próximo de 15% neste ano.

— Nosso custo é mais barato pois temos mão de obra familiar, produção à pasto e chuva o ano inteiro — explica, lembrando que o setor está atraindo novos empreendimentos.

Um exemplo é o Laticínios Bela Vista, dono da marca Piracanjuba, que é de Goiás e investiu R$ 35 milhões na unidade de Maravilha, inaugurada neste mês. A indústria tem capacidade de processamento para 450 mil litros por dia. A meta é chegar a 1,5 milhão de litros/dia até 2015.

— Escolhemos estrategicamente Santa Catarina, que hoje conta com a produção de seis milhões de litros diários — afirma o diretor da empresa, Marcos Helou.

O presidente da Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, lembra que as cooperativas e indústrias do setor estão investindo em programas de qualidade e melhoria genética.

— Vacas que produziam quatro litros por dia hoje produzem oito e devem chegar a produção de 12 litros por dia — afirma.


>> Confira o mapa de investimentos no Oeste


Preço ao produtor também melhorou

Lanznaster acredita que a produção de leite pode dobrar no prazo de cinco anos. O presidente da Aurora diz, ainda, que a entrada das cooperativas na industrialização ajudou a melhorar o preço, que há quatro anos estava entre R$ 0,50 e R$ 60 o litro e, atualmente, está em R$ 0,77, com alguns produtores ganhando até R$ 0,90 por litro.

Em julho, a Aurora Alimentos inaugurou o laticínio de Pinhalzinho, com capacidade de processamento de 2,2 milhões de litros de leite por dia, incluindo uma torre de produção de leite em pó. O investimento foi da ordem de R$ 180 milhões.

O secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues, anuncia que nos próximos dias o governo do Estado vai lançar um programa de melhoria da qualidade genética do rebanho catarinense, com distribuição de embriões, para aumentar ainda mais a produtividade.


DIÁRIO CATARINENSE

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