27 set09:08

80% dos bancários de Santa Catarina devem aderir à greve nacional a partir desta terça-feira

Janaina Cavalli | janaina.cavalli@diario.com.br

Bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira. Em Santa Catarina, cerca de 80% dos funcionários, o que corresponde a 10 mil funcionários, aderiram à paralisação, segundo o sindicato da categoria . Em Joinville e região, a decisão é trabalhar normalmente e monitorar a adesão nacional ao longo do dia. Já em Chapecó, após assembleia, cerca de 200 bancários optaram pela adesão.

De acordo com Cássio Ricardo Marques, secretário geral da Federação dos Trabalhadores em empresas de crédito de Santa Catarina (Fetec/SC), a pauta de reinvindicações dos funcionários foi enviada há dois meses para a Federação Nacional dos Bancários (Fenaban), com pedidos de reajuste salarial de 12,8%, melhorias nas condições de trabalho, plano de carreira, maior participação nos Lucros e Resultados (PLR) e valorização do piso. A contraproposta da Fenaban contempla apenas reajuste salarial de 8% a partir de 1º de setembro.

Segundo o secretário geral da Fetec, a principal reinvindicação dos bancários entra na pauta de saúde. Os funcionários alegam trabalhar pressionados pelas metas consideradas inatingíveis de vendas de produtos dos bancos, como títulos de capital, seguros e cartões de crédito.

— São produtos que os clientes nem precisam, e os bancários se veem obrigados a empurrar — afirma Marques. O secretário diz que o segundo pedido mais urgente é a contratação de novos funcionários. Segundo ele, nenhuma destas reclamações foram negociadas pela Fenaban.

Nesta segunda-feira, 10 assembleias regionais do Estado organizaram a paralisação, que já havia sido decidida na quinta-feira, dia 22. Na assembleia do Sindicato dos Bancários de Joinville e Região, à noite, ficou decidido que os bancários irão trabalhar normalmente.

A baixa participação — compareceram 186 profissionais dos 2,4 mil cadastrados — fez o presidente José Ilton Belli convocar nova assembleia para o fim da tarde de hoje e definir se haverá adesão à greve nacional.

— O número foi pequeno e acreditamos que, para tomar uma decisão importante como essa, precisamos de mais vozes. Vamos ver como fica a situação nacional e do Estado ao longo do dia — disse Belli.

Na greve do ano passado, com duração de 14 dias, a paralisação teve maior adesão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Banrisul. Neste ano, é esperada forte adesão de bancos públicos e privados, com cerca de 70% dos funcionários parados, em todo o Brasil.

Por meio de nota oficial, a Fenaban considerou a greve “fora de propósito” e avaliou que o calendário de negociações pelo reajuste estava sendo cumprido. No texto, a entidade também afirma que atitudes que dificultem “o atendimento aos usuários é condenável, principalmente quando a negociação pode continuar e evitar qualquer paralisação”.

Chapecó e região

Bancários de Chapecó entram em greve nesta terça. A categoria decidiu pela greve por tempo indeterminado após cinco negociações sem avanços.

Em assembleia realizada na noite desta segunda-feira, 26, no auditório do Sindicato dos Bancários de Chapecó, Xanxerê e Região, os bancários votaram pela greve da categoria. A paralisação inicia nesta terça-feira, 27, e segue por tempo indeterminado, em todo o país. Cerca de 200 bancários participaram da assembleia.

O Comando Nacional dos Bancários realizou cinco reuniões de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), que apresentou, no último encontro, uma proposta de reajuste de 8% em todas as verbas, o que representa apenas 0,56% de aumento real. A categoria reivindica reajuste de 12,8% (5% acima da inflação).

A proposta também não contemplou a valorização do piso da categoria e não aumenta a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Ainda, não houve avanços em relação às contratações, fim da rotatividade, combate ao assédio moral, fim das metas abusivas, melhoria do atendimento aos clientes, entre outros pontos.

Nas negociações específicas com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil também não houve avanços.

Reinvindicações

Na pauta geral de reivindicações, os principais pontos são:

• Reajuste salarial de 12,8%;

• Piso igual ao salário mínimo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos);

• Melhora na PLR (Participação nos Lucros e Resultados);

• Plano de Cargos e Salários em todos os bancos;

• Proteção contra a dispensa imotivada, combatendo a rotatividade;

• Contratação de mais bancários;

• Fim das terceirizações, das metas abusivas e combate ao assédio moral;

• Condições de acessibilidade nas agências;

• Melhorias na segurança nas agências e postos.


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