03 out14:33

Nova vacina contra coqueluche é desenvolvida para bebês com menos de seis meses

Uma nova vacina contra a coqueluche poderá impedir que bebês com menos de seis meses de idade contraiam a doença. Os produtos disponíveis hoje no mercado só imunizam crianças mais velhas e adultos.

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã foi testada com sucesso em camundongos e será submetida a ensaios clínicos em humanos em até dois anos. Cerca de 80% dos casos de coqueluche – e todas as mortes – ocorrem no primeiro semestre de vida.

O projeto custou cerca de US$ 500 mil (R$ 940 mil). Os recursos foram obtidos por meio de agências de fomento, como CNPq e Fapesp, e outros institutos internacionais de estímulo à pesquisa.

– A criança recebe a primeira dose da DTP (que protege contra difteria, tétano e coqueluche) quando está com dois meses, mas seu sistema imunológico só se torna efetivo depois do sexto mês – explica Luciana Cezar de Cerqueira Leite, pesquisadora do Butantã que coordenou o projeto da vacina.

Até lá, a criança fica vulnerável à bactéria Bordetella, agente causador da doença, um quadro de infecção do sistema respiratório que pode se tornar muito grave.

A vacina convencional contém bactérias Bordetella mortas, que despertam o sistema imunológico e induzem a produção de anticorpos capazes de destruir o microrganismo.

Cientistas do Butantã buscaram inspiração na BCG, uma vacina usada no combate à tuberculose e que, ainda nos primeiros meses de vida, induz respostas imunológicas satisfatórias.

Injetada poucos dias após o nascimento, protege a criança de um eventual contágio materno. Não depende da ação dos anticorpos, mas da imunidade celular – recrutamento de células do sistema de defesa que já funciona com razoável eficácia nos bebês.

Os pesquisadores inseriram um gene da bactéria Bordetella no bacilo atenuado da tuberculose bovina (usado para produzir a BCG), que passou a produzir uma proteína característica da Bordetella.


DIÁRIO CATARINENSE

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