27 out15:02

Motociclista está em casa

Sirli Freitas | sirli.freitas@diario.com.br

Ele saiu do hospital sem falar nada para a imprensa. Mas no aconchego de sua casa, no interior de Passos Maia, José Valdomiro Eufrázio concedeu sua primeira entrevista para o DC E RBS TV.

O motociclista tem poucas lembranças do dia do acidente e dos cinco dias que ficou acidentado nas margens da rodovia, até ser encontrado. Lembra apenas que saiu de casa de moto para levar o atestado de saúde no seu trabalho, num dia frio e chuvoso. Disse que aos poucos as lembranças vão surgindo. Religioso, tanto que carregava um chaveiro com a imagem de Nossa Senhora Aparecida na carteira no dia do acidente. Disse que a primeira coisa que pensou quando acordou no hospital foi em Deus. Na sua casa, a imagem de Nossa Senhora Aparecida tinha sua foto nos braços da santa. Foi em frente a essa imagem que a mãe, Maria, rezou no dia 12 de outubro para encontrar o filho. Coincidência ou não, foi neste dia, dia da santa, que Eufrázio foi encontrado desacordado a cinco metros da rodovia.

Ele ainda tem o sinal no rosto da queimadura do cano de descarga. A moto ficou por cima dele durante os cinco dias. Eufrázio lembra que gostava de tocar violão. E mostra estar um pouco deprimido por ter seu braço direito amputado. – Vamos colocar uma prótese para ele ter uma vida normal- afirma a mãe, Maria Eufrázio. Toda a família está preocupada em dar os remédios e alimentação nos horários recomendados pelos médicos. Ele terá que tomar antibióticos durante 10 dias. Eles programam o celular para despertar nos horários determinados.

–Mãe, já está no horário, você deu os remédios para o Zé?- questiona um dos irmãos, Ronaldo Eufrázio Gonçalves Lins, de 16 anos.

Em seguida a mãe relatou para o pai, que está acamado há quatro meses, tudo o que ela acompanhou enquanto estava no hospital. Enquanto isso, José Valdomiro concedeu a entrevista a seguir.


DC – O que você lembra do dia do acidente?

José Eufrázio - Não lembro muita coisa só lembro que estava chovendo e fazia frio.


DC – Do acidente você não tem lembrança?

José Eufrázio – Não, parece que eu sai com a moto levar um atestado na firma. Daí aconteceu o acidente.


DC – E quando você acordou no hospital o que você lembra?

José Eufrázio – A primeira coisa que lembrei foi de Deus, Nossa Senhora, só conseguia lembrar deles e nada mais.


DC – O que mais você consegue lembrar?

José Eufrázio – Não lembro muita coisa, estou lembrando as poucos o que me aconteceu.


DC – José você é religioso? Acredita na santa Nossa Senhora Aparecida?

José Eufrázio – Eu sempre tive muita fé na nossa Senhora, antes eu era evangélico, mas como aqui não tem igreja evangélica e meus amigos são da católica eu freqüento a igreja católica.

DC – No que você acredita ter te salvado?

José Eufrázio - Eu acredito que foi Jesus e Nossa Senhora, Deus, que protegem a gente.


DC– Você acredita que foi um milagre ter sobrevivido?

José Eufrázio - Nasci de novo, foi um milagre mesmo.


DC – Você está sentindo dor agora?

José Eufrázio – Só um pouco de dor no braço.


DC – Qual a primeira coisa que você quer fazer quando se sentir melhor?

José Eufrázio - Não vejo a hora de ficar bom para ver meus amigos.


DC – Ficamos sabendo você gosta de tocar violão e cantar é verdade?

José Eufrázio – Sim eu cantava e tocava violão, mas agora não posso mais porque não tenho o braço.


DC – Mas cantar você pode. Que música gosta de cantar?

José Eufrázio – Gosto do Zezé de Camargo.


DC – E qual a música?

José Eufrázio – É o amor.


DC – Foi importante a família estar presente no hospital com você?

José Eufrázio - Só faltou o pai no hospital, mas ele não podia ir me ver, ele está muito doente.


DC – E a medalha de Nossa Senhora Aparecida que estava com você na carteira?

José Eufrázio – Faz tempo que tenho ela, comprei a uns 4 ou 5 anos e sempre carreguei comigo.


DC – Ela é tua proteção?

José Eufrázio – Sim.


DC – E como será o futuro?

José Eufrázio - Daqui pra frente só Deus sabe como que vai ser. Não tem como a gente saber. Só ele sabe o que vai fazer




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