19 nov08:00

Duas décadas de Repolho

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Uma das bandas mais irreverentes do rock catarinense, a Repolho, está completando duas décadas. Em comemoração, se é que isso se comemora, fará um show hoje, a partir das 20 horas, no Hotel Lang. Para este evento festivo vão reunir os integrantes da formação “clássica”, que durou até 1998. Depois disso os integrantes se espalharam pelos quatro cantos do planeta na vã tentativa de impedir que repetissem suas toscas apresentações.

Em Chapecó restaram apenas o “cantor” Roberto Panarotto e o baterista Anderson Gambato, que parece estar vendendo redes. De Florianópolis irá se deslocar o guitarrista Demétrio Panarotto, que enveredou pela veia acadêmica e quase é um Doutor das Letras, às suas composições como “Juvenal” e “Charme de Cachorro”.

De Curitiba virá o baixista Girino, que atualmente toca na banda Mordida. Também está prevista a participação de Eric Thomas, um espécie de “Quinto Elemento” da formação original, que tocava guitarra, fazia performance e atualmente joga rúgbi num time de Florianópolis.

A Defesa Civil já foi comunicada pois essa junção de astros pode causar um cataclisma global. Ainda mais que a banda promete tocar toda a Demo “A Horta da Alegria”, que tinha 12 músicas e projetou a banda para além das lavouras do Oeste Catarinense. Neste trabalho estão ícones como “Índio Condá”, “Fuca Azul Calcinha”, “Porcona” e “Chapecó”. A música título da cidade da banda gerou muitas reações na cidade, principalmente para quem levava o grupo muito a sério.

A composição era uma crítica à mesmice de uma cidade interiorana com trechos como: “nada acontece, não tem nada para fazer, você olha pra mim e eu olho pra você, assim é a cidade a cidade é Chapecó, do jeito que está vai de mal a pior”.

A letra da música causou identificação em outras cidades do interior que viviam a mesma realidade. –Ela fala de um momento pontual da cidade, é um retrato da época- avaliou o vocalista Roberto Panarotto.

A banda desde o início trabalhou o humor não apenas como brincadeira, mas como uma forma de crítica social. Para o guitarrista Demétrio Panarotto a banda tem uma concepção que vai além da música. –Temos influência da literatura, dos quadrinhos e das artes plásticas- explicou. Talvez por isso a extravagância visual faça parte do show.

Até os erros são valorizados como criação.

–Hoje se eu tentar errar como no início não consigo, é muito difícil- brincou o baterista Anderson Gambatto.

Demétrio Panarotto avalia que a banda, a partir do Oeste Catarinense, conseguiu circular no meio independente e ser reconhecida por publicações musicais. Ele afirmou que chegaram a gravar mais de mil fitas K7 da segunda Demo, que foram distribuídas para todo o Brasil.

–Chegamos a comprar um gravador de fitas- lembrou.

Ele considera que no iníco a banda era mais sarcástica e debochada.

–Mas a porraloquice continua- ressaltou. E a banda já está com material pronto para gravar o quinto CD, no início de 2012. Desta vez com um novo integrante, Akira, que é afilhado dos irmãos Panarotto e desde os 10 nos já participava dos shows.

Pelo jeito, apesar de mais desmarcar shows do que marcar, a banda ainda terá muitos anos de vida –Estamos aí pra provar que tudo que é bom dura pouco- provocou Roberto, que promete um show de torrar a paciência da legião de fãs.


Discografia


DEMOS

1993- Chapô a Galeria

1994- A Horta da Alegria

1995- Campo e Lavôra


CDS

1997- Repolho Volume I

2000- Repolho Volume II

2006- Repolho Volume III

2009- Repolho Volume IV


COMPACTO VINIL

2004- Sorria Meu Bem


Serviço

O quê: Show de 20 anos da Banda Repolho

Quando: 19 de novembro

Horário: 20h

Local: Lang Palace Hotel, avenida Nereu Ramos 1057 E.

Ingressos: Gratuitos e devem ser retirados uma hora antes

Lugares: 300

Por

Comentários