31 dez07:34

Ano Novo sem água

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A falta de água vai marcar a virada de ano de milhares de famílias do Oeste Catarinense. Para elas uma chuva forte é o maior desejo para 2012. Nesta sexta-feira até chegou a cair uma garoa em alguns municípios da região. Mas ela foi insuficiente.

Armando Keller, morador da Linha Marcon, no interior de Chapecó, tentou acumular um pouco de água com um balde e uma caixa de água colocados nas goteiras do telhado de sua casa.

Mas o resultado foi apenas um volume que mal dava para ele fazer a limpeza da moradia, o que já vinha adiando há dias.

–Só passo um pano- disse A roupa ele está levando para lavar na cidade.

O poço que abastecia a casa está com apenas 20 centímetros de água. –Dá só pra cozinhar e tomar banho- explicou. O açude que abastecia as três vacas e dois bezerros, também secou. –Se a prefeitura não me trouxer água logo vou ficar sem- preocupou-se. Ele já está na lista dos caminhões-pipa.

Sua vizinha Dejanira Klauss também está com pouca água. O poço dela minguou e há uma semana não consegue mais encher a caixa d’água. –Vem muito pouco- mostra. Ela não liga mais a máquina de lavar roupa há uma semana. –Estou pagando para lavar na minha irmã- explicou.

Para limpar a casa ela pega um pouco do líquido no balde e passa um pano. A água que acumula no reservatório é só para tomar banho e fazer comida. Para beber ela está trazendo do trabalho. Ontem ela pegou 14 litros em garrafas de refrigerante. –A gente dá um jeito- explicou.

Com tanta escassez ela nem vai passar o Réveillon em casa. –Vou pra casa do meu pai- informou.

Nesta sexta-feira o prefeito de Chapecó, José Cláudio Caramori, também decretou situação de emergência. Já são 26 municípios nessa situação.

Segundo Caramori o problema maior é no interior, onde cerca de 100 famílias estão recebendo água em 15 pontos de distribuição. Dois caminhões que transportam 50 mil litros por dia para o interior. Desde sexta mais um caminhão dos Bombeiros está disponível. A perda nas lavouras que chega a 40% no milho e 30% na soja.

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