12 jan02:22

Caso Marcelino Chiarello

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Passados 46 dias da morte do vereador Marcelino Chiarello o Instituto Geral de Perícias (IGP) ainda não concluiu o laudo pericial. O documento é peça primordial para a sequência das investigações. –Eu preciso desse laudo senão fico de mãos amarradas- confirmou o delegado responsável pelo caso, Ronaldo Neckel Moretto.

Ele explicou que a investigação tem duas linhas, uma é a autoria do caso e outra é a materialidade do crime, que vai ser definida a partir da conclusão do laudo.

O diretor geral do IGP, Rodrigo Tasso, disse que não há nenhum problema de falta de equipamento ou pessoal para a realização do laudo. –É um caso bastante complexo- explicou. Tasso disse que ele mesmo determinou que não seja divulgado o laudo sem uma boa fundamentação.

Tasso afirmou que há vários elementos na morte do vereador, como a lesão na cabeça, lesão no nariz, o nó da fita em que o vereador estava pendurado na janela da casa, as manchas de sangue no chão. –Temos que ter a certeza de qual foi a dinâmica da morte- explicou.

O diretor do IGP disse que foram designados os melhores profissionais para o caso. São cinco pessoas trabalhando. Além dos peritos de Chapecó mais dois médicos legistas e um perito criminal de Florianópolis estão trabalhando no caso. Eles estiveram na terça-feira no Oeste trocando informações e analisando os dados. Até um especialista da Universidade Federal de Santa Catarina foi consultado.

A previsão é que em 20 dias o trabalho esteja concluído. O delegado Moretto disse que quer celeridade mas disse que prefere um laudo demorado e bem feito do que algo incompleto.

Na segunda-feira, quando o Fórum de Justiça e Ministério Público voltaram do recesso, ele pediu a prorrogação do inquérito, que foi concedida por mais 30 dias. Por enquanto o delegado disse que não houve alteração no rumo das investigações e não há informações de suspeitos.

Ele não descarta que o criminoso seja algum conhecido do vereador, já que ele foi para sua casa e não há sinais de arrombamento. Outra coisa que intriga é o crime ter sido praticado à luz do dia. –Há muita coisa estranha nesse caso- desabafou Moretto.


Vigília em homenagem ao vereador

A comunidade do bairro Santo Antônio, onde Marcelino Chiarello morava, organizou uma novena em homenagem à memória do vereador. Durante nove dias eles se encontraram todas as noites para rezar, cantar e refletir sobre a trajetória de Chiarello. Nos salão foi colocado um banner com a foto do vereador, mais cartazes, fotos e mensagens de entidades, sindicatos, alunos e amigos. Cerca de 60 pessoas participaram todos os dias das celebrações. A previsão para hoje, quando encerra a vigília, é reunir cerca de 500 pessoas.

O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Santo Antônio, José Roberto Gregori, disse que sente-se angustiado com a falta de solução para a morte. Mas não perdeu a esperança. –A gente confia na justiça- disse. Ele afirmou que a comunidade está abalada e busca na oração o fortalecimento.

Um dos amigos de Chiarello, Geromil Matte, também está abatido. Ele afirmou que o vereador era muito participativo na comunidade. –Ele participava das audiências sobre segurança, infraestrutura e as demandas do bairro- explicou. Até a tradicional festa da comunidade, que ocorria em dezembro, foi adiada.

A comunidade confeccionou bandeiras pretas, camisetas e adesisvos que devem ser utilizados durante a vigília de hoje. Também está prevista uma caminhada com velas.




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