15 jan19:23

Gilberto Pereira: “Foi me dado um peso que eu posso carregar”

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Substituir o técnico campeão catarinense é a missão do treinador Gilberto Pereira. O paulista de 46 anos, foi contratado em novembro para substituir Mauro Ovelha, uma unanimidade na Chapecoense e que foi contratado pelo Avaí.

Pereira estava no Cianorte-PR e já treinou o CSA, Palmeiras B, Iraty, Londrina e Coritiba. Ele era um dos nomes entre vários cotados e foi o que se encaixou no perfil e no teto salarial do clube. O técnico sabe que enfrenta a desconfiança e a pressão do torcedor, que nos últimos anos viu sua equipe ser campeã em 2007, vice em 2009 e campeã em 2011. Mesmo com um orçamento bem menor que Figueirense, Avaí, Criciúma e Joinville a Chapecoense tem a responsabilidade de fazer um bom campeonato e pelo menos chegar entre os quatro primeiros. Caso contrário será considerado aquém da expectativa da torcida e da direção.

Pereira se mostra tranquilo e confiante com a nova missão. Ele teve que reformular quase todo o time. Titulares da campanha de 2011, como Rodolpho, Dema, Diogo Roque e Marcos Alexandre estão se recuperando de lesão. Outros como Aelson, Cleverson e Neílson foram para o Avaí. Aloísio está no Figueirense. Groli foi para o Grêmio.

Restaram o meia Neném e o atacante Jean Carlos. O restante do time titular é novo. Resta ao novo técnico refazer um time campeão. Confira a entrevista que o treinador deu ao Diário Catarinense.


Diário Catarinense: Como está a preparação da Chapecoense?

Gilberto Pereira: No início de dezembro focamos mais no trabalho físico. Na segunda etapa complementávamos o físico com um trabalho tático. A partir dessa semana o foco é no trabalho tático com um complemento físico.


DC: Como fica a definição do time base já que há jogadores no departamento médico e reforços ainda chegando?

Gilberto Pereira: Tivemos algumas dificuldades e tivemos que definir uma base praticamente por ordem de chegada. E quem chega primeiro bebe água limpa. Muitos corresponderam e estão ficando no time titular por mérito deles.


DC: Um dos fatores para sua contratação foi o trabalho com a base, como está esse trabalho?

Pereira: Ainda precisamos evoluir na infraestrutura. E temos jogadores muito velhos para a base. Não dá para ter alguém com 20 anos nos juniores. Ou vai para o profissional ou dispensa. Temos que diminuir a idade. O mercado exige isso.


DC: Qual sua avaliação dos amistosos?

Pereira: No primeiro amistoso contra o São Luiz foi acima do que era esperado e vencemos por 3 a 2, em Ijuí. Eles servem mais para uma observação tática. Posso testar formações com três atacantes.


DC: Você gosta de chamar os jogadores em particular para passar orientações?

Pereira: Gosto de falar com o atleta olho no olho. Transmitir para ele confiança.


DC:Qual será o diferencial da Chapecoense no campeonato Catarinense?

Pereira: Uma boa preparação física. O fator físico vai ser o diferencial. Temos que usar também o fator campo, pois a Chapecoense é muito forte jogando em casa. Também temos que aproveitar que o time começou antes a preparação do que os principais adversários.


DC: A ideia é aproveitar o maior tempo de preparação para tentar largar na frente e buscar o título do primeiro turno?

Pereira: Sim, essa é uma vantagem que temos que utilizar.


DC: A Chapecoense entra no campeonato com a responsabilidade de defender o título, embora tenha investimento menor que os principais adversários. Como encara essa responsabilidade?

Pereira: Não vamos nos colocar um peso inicial de vamos entrar para sermos campeões. Nossa meta inicial é buscar chegar entre os quatro semifinalistas.


DC: Mas há a pressão de treinar um time campeão e substituir um técnico campeão, que é o Mauro Ovelha.

Pereira: Eu assumo a equipe campeã, mas não são os mesmos jogadores. Houve uma grande reformulação. E o Mauro Ovelha saiu como uma unanimidade no clube, por mérito dele. E eu estou muito feliz por assumir o lugar dele. Foi me dado um peso que eu consigo carregar. Sei que tenho uma cobrança maior pois a Chapecoense foi o clube que mais chegou nos últimos cinco anos. Tenho que refazer uma equipe vencedora.


DC: Além disso você enfrenta uma desconfiança da torcida que ainda não conhece muito seu trabalho.

Pereira: Hoje em dia, com a internet não existe muito isso de ser desconhecido. Claro que minha carreira foi mais no Paraná. Mas já tive no Palmeiras B, no Coritiba, que são clubes grandes. Considero um novo desafio treinar aqui em Santa Catarina. Mas não que não conheça. Já estive em Chapecó treinando o Londrina, na Série D.

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