15 jan19:40

Sargento de Xanxerê que tentou impedir morte no Oeste segue internado em Joinville

Karina Schovepper | karina.schovepper@an.com.br

O ano havia começado e, com ele, a esperança do sargento da Polícia Militar Valmir Bressan Camargo, 40 anos, de ser chamado para o curso de formação de oficiais e ficar dois anos em Florianópolis, especializando-se na profissão que era uma de suas paixões.

As longas horas de trabalho e os plantões durante os feriados não eram problema para ele e a mulher, a assistente-social Cristiane Golembuski Camargo, 33 anos.

Valmir era admirado pelos colegas e um exemplo para quem o conhecia. Pai de uma menina de dois anos, começou na carreira militar aos 18 anos e sempre sonhou em ser policial. Há mais de dez anos, ele trabalha na Polícia Militar de Xanxerê, onde desenvolve funções na agência de inteligência e comanda o Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT).

Os riscos da profissão eram motivos de apreensão para Cristiane sempre que o marido saía de casa, mas nunca imaginou que um dia teria de ouvir que ele havia se ferido.

No último dia 3, Valmir, que trabalhava na Operação Veraneio, em Aberlado Luz, no Oeste, foi chamado para atender uma ocorrência em uma agência bancária, onde um homem estaria quebrando os vidros e danificando os caixas.

Ao chegar ao local, o policial encontrou Fábio Bevilácqua, 30, que estava alterado, e que havia jogado gasolina na agência e ameaçava se matar.

Em um ato heróico, Valmir tentou puxar Fábio para fora do local, mas já era tarde. Ele acendeu um isqueiro e a agência explodiu. Fábio teve 90% do corpo queimado, não resistiu aos ferimentos e faleceu no Hospital São Paulo de Xanxerê, no dia 4.

Valmir teve queimaduras de primeiro e segundo grau em 50% do corpo – nas mãos, braços, pernas e rosto – e chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, mas foi transferido para a UTI do Hospital da Unimed, em Joinville, um dia depois.

Segundo a mulher, como ele usava colete a prova de a balas na hora da ocorrência, seu tronco ficou protegido das chamas.

— É um momento difícil, a gente ainda não conversou sobre o que aconteceu. Acho que o principal agora é ele se recuperar —, explica.

O acidente aconteceu uma semana antes de Valmir tirar férias. Para este ano, ele e a mulher não haviam programado nenhuma viagem, mas queriam curtir a família e, quem sabe, fazer algum passeio. Planos que precisaram ser adiados e sem previsão de uma nova data.

— De certa forma foi bom eu já estar de férias para poder cuidar dele. Mas claro que não é nada daquilo que tínhamos em mente —, conta.

Valmir gosta de futebol. Ele costuma participar de campeonatos, além de acompanhar os jogos do Internacional.

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