17 jan07:08

Plano de combate à estiagem é considerado insuficiente

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Um pacote de R$ 28,6 milhões dos Governos Federal e Estadual foi confirmado ontem em Chapecó, com a presença dos ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence, do ministro interino de Relações Institucionais, Claudinei Nascimento, e do governador Raimundo Colombo.

O plano prevê ações emergenciais, como recursos para os municípios bancarem serviços de transporte de água, mas também medidas a médio e longo prazo, como perfuração de poços e crédito para construção de cisternas e sistemas de irrigação.

Os R$ 10 milhões do Ministério da Integração Nacionais serão utilizados para perfuração de 333 poços artesianos, o que dará uma média de quatro poços por município. Cada município deve receber um distribuidor de adubo orgânico, já que o Estado liberou R$ 1 milhão para compra destes equipamentos, que custam cerca de R$ 15 mil.

O governo do estado também anunciou R$ 1,6 milhão para auxílio dos municípios em despesas de transporte de água e silagem, sendo que 1,3 milhão já haviam sido anunciados há duas semanas. Isso dá cerca de R$ 20 mil por cidade. O prefeito de São Carlos, Élio Godoy, considerou as medidas como “razoáveis”. Ele lembrou que muitos poços perfurados em seu município não dão água. E que é necessário investimento mais forte em reservatórios e cisternas. Ele já gastou cerca de R$ 50 mil com o transporte de água. Em Chapecó já há exemplos de cisternas que vem dando certo. O Governo do Estado liberou R$ 10 milhões para bancar o juro de financiamento de cisternas, sistemas de captação e armazenagem de água e distribuição. E também assinou um termo de cooperação técnica com as agroindústrias para incentivar a instalação desses sistemas nos aviários e pocilgas. O presidente da Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, disse que a empresa vai incentivar seus integrados a acessarem o programa Juro Zero. Ele considerou a medida positiva para evitar o transporte de água nos períodos de estiagem.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence, disse que as dívidas que vencem neste início de anos foram prorrogadas para 31 de julho. E que elas podem ser renegociadas até cinco anos. O coordenador da Federação da Agricultura Familiar da Região Sul, Fetraf-Sul, Celso Ludwig, entregou uma pauta de reivindicações para os ministros. Ele afirmou que o que foi anunciado ontem é muito pouco. –Não pode ficar só nisso senão é fogo de palha- explicou.

Ludwig disse que as medidas não resolvem o problema da renda do produtor. A prorrogação das dívidas não resolve. Os ministros afirmaram que o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária vai atender as perdas e que os técnicos da Epagri estão fazendo os laudos das perdas. Em Santa Catarina 3,2 mil produtores, dos 130 mil contratos de custeio, já solicitaram o Proagro. No entanto o programa só pode isentar o financiamento, a partir de 30% de perdas, garantindo uma renda para o produtor de, no máximo, R$ 3,5 mil.

O agricultor Valdecir Carvalho, de Chapecó, espera a visita de um técnico para verificar as perdas. Ele estima em 50% a quebra no milho e 40% na soja. Se for confirmado esse percentual ele terá isenção de 50% no financiamento de R$ 51 mil da lavoura de milho e 40% nos R$ 30 mil da lavoura de soja.

-As ações ajudam a minimizar as perdas- avaliou. Mas ele afirmou que precisa uma prorrogação das dívidas. Além disso ele pretende acessar o programa Juro Zero e construir uma cisterna para seus dois aviários.

O Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, afirmou que o governo está empenhado em desenvolver ações para evitar que a situação se repita nos próximos anos. Celso Ludwig disse que é necessário investimento em irrigação, com recursos subsidiados, para garantir parte da produção nas propriedades.

Ou seja, as medidas anunciadas ontem devem ser apenas o começo de ações de infraestrutura que resolvam a falta de estiagem de forma permanente.


Outras medidas anunciadas

-Prorrogação das dívidas que vencem no início do ano para 31 de julho

-Compra de milho e trigo pelo Governo Federal para disponibiliza-los aos produtores do Sul com transporte subsidiado.

-Garantia de benefício de seguro do financiamento e renda até R$ 3,5 mil do Programa de Apoio à Atividade Agropecuária (Proagro).



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