07 fev09:26

“O treinador é um complemento”

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Quando Gilberto Pereira chegou a Chapecó, substituindo o campeão Mauro Ovelha, que saiu devido a uma proposta do Avaí, havia um clima de desconfiança. Pereira tinha treinado o Palmeiras B e vários times do Paraná, como Londrina, Iraty e Coritiba. Numa lista com mais de dez nomes, foi um dos que se encaixou na proposta salarial e no perfil desejado pela Chapecoense.

O diretor de futebol Cadú Gaúcho, que foi treinado por Pereira em 2003, no Iraty, mesmo tendo sido colocado no banco foi quem avalizou a vinda do treinador. Já no primeiro jogo ele teve que enfrentar Mauro Ovelha, contra o Avaí. Conseguiu a vitória no sufoco. Mas a partir daí a Chapecoense foi empilhando uma vitória em cima da outra e Gilberto Pereira agora praticamente é unanimidade.

O treinador é paulista mas, como filho de uma mineira, prefere não cantar vitória antes do tempo. Nem quer receber os méritos pela boa campanha. Pereira curte o bom momento com a esposa Naila e o filho caçula Giovani, que ontem o acompanhou no treinamento realizado no Índio Condá. Antes, concedeu a seguinte entrevista ao Diário Catarinense.


Diário Catarinense: O que tem a Chapecoense de diferente para conseguir esse desempenho?

Gilberto Pereira: Tem muito mérito dos atletas que entenderam nossa filosofia de trabalho. Tivemos muita dificuldade no início pois tínhamos um grupo grande mas o elenco não era. Tem jogadores da base mas não é um projeto que me agrade. Montamos um time quase por ordem de chegada. Fomos vivendo cada momento, cada jogo. A equipe tem um grupo de jogadores vitoriosos, como Nivaldo, que é ídolo, o Neném e o Jean Carlos. Tem também o Diogo Roque e o Dema que foram campeões. No primeiro jogo tínhamos apenas o Nivaldo e o Neném no time. Mas os outros, como o Dema, ajudaram muito no vestiário. Eles nos orientaram como era o torcedor. Temos grandes líderes no nosso grupo. Outro diferencial é a preparação física. Chegamos ao final do jogo do Figueirense com atletas dando pique. Se tenho um jogador que corre consigo moldá-lo. É como uma mulher bonita. A roupa que ela vestir vai ficar bem.


DC: Tem também a parcela do treinador, não tem?

Pereira: Quem consegue reverter a situação são os atletas. O treinador é um complemento. O artista principal é o atleta.


DC: Mas você tem sido feliz nas alterações e também manteve o João Paulo no time apesar do mau início, e que acabou sendo destaque contra o Figueirense.

Pereira: Acho que se forma o elenco dando confiança às pessoas.Também tenho deixado claro para quem está no banco que eles têm uma responsabilidade muito grande. Quem entra tem que melhorar ou deixar como está. Eu preciso fazer o jogador entender que vou precisar dele.


DC: Você tem um estilo de demonstrar as jogadas para os atletas e também parece estar aberto a outras opiniões.

Pereira: Eu digo que sou um escravo da comissão técnica. Meu trabalho depende muito do trabalho de toda a comissão. Cada um tem seu espaço. Eles me ajudam muito no trato com os atletas e com a administração do grupo. Na questão da repetição aprendi isso com o Leão, quando foi meu técnico no Coritiba, em 1989. O jogador necessita de repetição. Outro treinador que gosto é o Hélio dos Anjos. Ele usa muito a psicologia para trazer os jogadores para o seu lado.


DC: Você tem uma atitude de paizão dos jogadores?

Pereira: Eu dou liberdade a eles. Mas uma liberdade vigiada. Eles tem liberdade de falar mas sempre respeitando a hierarquia. Fora de campo eles não devem ser antissociais. Mas tem que ter cuidado. Não podem se exceder pois são pessoas públicas.


DC: Você parece ser tão tranquilo e nos jogos causou surpresa sua agitação.

Pereira: Nos jogos eu me transformo. Eu vivo demais a minha profissão. A gente não pode deixar de se emocionar. Não sei falar sem olhar nos olhos da pessoa.


DC: Como vai ser daqui pra frente já que todos vão querer derrubar o time 100%.

Pereira: Estamos na linha de tiro. Não somos insuperáveis. Cada partida vai ser uma guerra. Não somos melhores do que ninguém e não devemos nada para ninguém.


DC: A vitória contra o Figueirense foi a confirmação de que o time vai chegar nas finais?

Pereira: Tivemos uma evolução e uma boa atuação em boa parte do jogo. Mas em certos momentos fomos dominados. Aí entrou a superação dos atletas.


DC: Você pensa em reforços?

DC: Precisamos de mais um atleta para compor grupo do meio para frente.


DC: Como você avalia a disputa pelo título do turno, com o Avaí a três pontos?

Pereira: Não penso nisso. Não vamos nos jogar esse peso nas nossas costas. Nosso objetivo é somar pontos. Se vier o título, melhor. Mas não é nosso objetivo principal.


DC: Até onde pode chegar esse time da Chapecoense?

Pereira: Por enquanto vamos pensar só no jogo contra o Joinville. Apesar de não estarem bem na tabela é um grande time e vai ser um jogo muito difícil.



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