22 fev09:47

Um terço de SC em emergência

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A previsão de uma chegada de uma frente fria a partir de hoje é a esperança de milhares de catarinenses, principalmente do Oeste, para amenizar estiagem que já atinge quase um terço dos 293 municípios catarinenses. Até o Carnaval a Defesa Civil recebeu 96 decretos de emergência. Um deles, Seara, já decretou Estado de Calamidade, mas ainda não foi reconhecido pela Defesa Civil. São quase 600 mil pessoas atingidas segundo o órgão.

Para o diretor de prevenção da Secretaria de Defesa Civil do Estado, tenente-coronel Emerson Emerim, o número de municípios em situação de emergência deve passar de 100, já que os efeitos da estiagem estão se expandindo para outras regiões, como Meio Oeste e Planalto Serrano.

Ele lembrou que em meados de janeiro e início de fevereiro ocorreram frentes frias no Estado, mas com chuvas mal distribuídas. Em Chapecó chegou a chover cerca de 70 milímetros em dois dias. Mesmo assim nos últimos quatro meses a precipitação foi abaixo da média.

No município de Descanso há locais que não dá uma chuva “boa” há quase três meses.

– Faz uns 80 dias que deu a última chuva- afirmou Valdir Grunewald, que é o responsável por uma fazenda de criação de bovinos de corte. Um dos açudes da propriedade, que servia para os animais beberem água, resta apenas uma pequena poça de água onde tinha mais de um metro de profundidade.


Açude de Valdir Grunewald está seco.


–Ele foi secando, foi secando….- desabafa Grunewald. O solo que ficava submerso rachou lembrando paisagens do Nordeste Brasileiro. Dos 1,6 mil peixes que haviam no local, restam apenas as caveiras. –Eu salvei uns 800 e levei pra outro açude e o resto morreu- contou o funcionário.

Em virtude da escassez da falta de umidade a lavoura de milho teve quebra de 80% e os 300 bovinos perderam cerca de 20% do peso. Grunewald tenta se conformar. –É coisa da natureza- diz. Mas em 12 anos que mora em Descanso nunca tinha visto uma estiagem tão forte.

Os moradores dos municípios atingidos tentam se adaptar à falta de água, economizando, recebendo água em caminhão-pipa, buscando com litros de refrigerante ou emendando mangueiras em fontes de vizinhos. Eles aguardam a chuva do céu e à boa vontade das ações governamentais.

A Defesa Civil do Estado já liberou 54 kits para os municípios atingidos pela estiagem. Cada kit custou R$ 6,5 mil e é composto de duas caixas de água com cinco mil litros cada, bomba e mangueiras.

De acordo com o tenente-coronel Emerim, esse material serve para a captação e transporte de água. Já foram investidos R$ 350 mil do Fundo Estadual de Defesa Civil e outros kits devem ser adquiridos nos próximos dias. O Governo Federal deve repassar nos próximos dias mais R$ 3,1 milhões para ações emergenciais de abastecimento de água, como compra de água mineral e caixas de água. Outros R$ 10 milhões do Governo Federal serão investidos na perfuração de cerca de 300 poços artesianos.

O secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues, disse que foram disponibilizados R$ 10 milhões para bancar o juro de financiamento de cisternas e sistemas de distribuição de água. Esse valor pode subir para R$ 20 milhões, conforme a demanda. Além disso o Estado repassou pelo menos R$ 1,6 milhão para os municípios bancarem o transporte de água. Mesmo assim os valores estão sendo considerados insuficientes pelos municípios. A prefeitura de São Carlos, por exemplo, já gastou R$ 273 mil com o transporte de água e recebeu R$ 34,5 mil em recursos. O prefeito de Descanso, Sadi Bonamigo, disse que os R$ 40 mil repassados bancam apenas 13 dias de transporte. E o município está levando água para os produtores desde dezembro. –Precisamos de mais apoio- cobrou Bonamigo.


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