25 fev19:30

Advogado da família de Marcelino Chiarello fala sobre a morte do vereador

Diogo Vargas |  diogo.vargas@diario.com.br

Dione Chiarello, viúva de Marcelino Chiarello, contratou o advogado Sérgio Quadros, de Chapecó, para acompanhar a investigação. Ela reluta em dar entrevista e designou o defensor para se manifestar sobre qual a visão da família sobre o ocorrido e o trabalho policial nesses três meses.


DC — A sua tese então é de que houve assassinato?

Sérgio Quadros — Todas as evidências provam que o vereador foi assassinado. Porque, primeiro, no seu telefone celular foi confirmado que havia várias ligações, mas a polícia não encontrou nada. No aparelho, nenhuma ligação foi encontrada, nem no relatório da operadora Oi no dias dos fatos.


DC — O senhor acha que foram suprimidas essas informações?

Sérgio — Com certeza. O crime foi praticado por estrategistas e especialistas que ao nosso ver fraudaram o sistema de telecomunicações ingressando com ligações no seu telefone.


DC —Mas essa teoria não é um pouco exagerada? Afinal é incomum problema com operadora.

Sérgio — É incomum, como também é incomum no dia dos fatos o telefone central da Câmara de Vereadores apresentar defeito com a queima de um modem. E o telefone que o Marcelino usava era da Câmara de Vereadores.


DC — O laudo da nercropsia apontou traumatismo craniano. Já o segundo laudo, da localística, aponta para suicídio. Qual sua avaliação disso?

Sérgio — Tive acesso aos dois lados. Deverá aportar até sexta-feira (sexta que passou) um laudo complementar onde o delegado requisitou ao médico quesitos complementares para esclarecer os fatos visto que os dois lados são altamente contraditórios.


DC — Por que essa contradição?

Sérgio —Enforcamento segundo o médico foi posterior ao estrangulamento. E o pescoço da vítima mostra bem isso (aponta para o desenho do laudo que mostra dois sulcos). Segundo, apareceram marcas de sangue (ao lado do rosto) enquanto ele estava pendurado. Agora, a física diz que o sangue não corre para o lado e sim para baixo. Ele foi estrangulado e depois pendurado.


>> Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello


DC —E a camisa para dentro, toda arrumada direitinha, não é estranho se ele tivesse sido morto por alguém?

Sérgio — É estranho, como também é estranho ter marca de sangue atrás da camisa, que comprova que alguém com a mão suja de sangue tocou. E aí a grande falha do IGP, do segundo laudo, é que não levou isso em consideração, não tirou impressões digitais, não coletou cabelos, e não isolou a área onde deveria ter isolado. Como foi no caso dos Nardoni (em SP), por exemplo, que foi toda isolada. Aqui não, todo mundo podia entrar. Houve a perca das provas no início. E esse comprometimento ao meu ver foi a mando de setores políticos.


DC — E qual a motivação da morte?

Sérgio — Foi um crime político por causa das denúncias que ele havia fazendo contra os poderosos da cidade.


DC — Há quem diga que está havendo exploração política da morte.

Sérgio — O partido só quer a verdade. Quem está explorando é a oposição que não traz a verdade. E é incrível que Chapecó está parecendo uma cidade lá do interior da Paraíba onde o coronelismo manda e desmanda inclusive nos delegados e autoridades policiais.


DC — O que a defesa fará?

Sérgio — Vamos aguardar o lado complementar e com a ajuda do Ministério Público vamos esperar a continuidade pela SSP/SC para elucidar os fatos ou então a possibilidade de federalizar para que a Polícia Federal dê prosseguimento.


DC — O senhor não acredita em arquivamento nesse momento?

Sérgio — Não. O caso não será arquivado nesse momento porque os delegados daqui da DIC são altamente competentes e não vão se render.


DC —Por que o silêncio da viúva até agora com a imprensa?

Sérgio —É devido que ela está muito abalada, inclusive pela proteção de seu próprio filho.


DC — Família sofreu ameaças?

Sérgio — Sofreu ameaças. Eles receberam através de telefonemas e palavras que possam não ser ameaça mas que possam ser entendidas como ameaça no momento.


DC — Qual a sua avaliação sobre o trabalho da polícia no caso?

Sérgio — Eu acredito que a polícia tem boa vontade. Porém, está tendo dificuldade com o IGP de Florianópolis, porque até agora não aportou ao inquérito o laudo do aparelho telefônico, sobre que forma foram apagadas essas ligações do telefone. O aparelho está apreendido.


DC — A família lhe relatou os últimos momentos do Chiarello, o que ele falava?

Sérgio — Sim. Na sexta-feira antes da morte me encontrei com ele e tratamos das denúncias que seriam tocadas na semana seguinte. Ele tinha me solicitado sobre estava a questão da liminar que havia afastado o vereador Pelicioli.


DC — E a vida pessoal, há comentário que ele tinha dívidas.

Sérgio — Tinha em torno de R$ 40 mil em bancos. Mas uma dívida normal porque ele como vereador e a esposa como professora tinham condição de pagar.


DC — Pode haver motivação por algo pessoal?

Sérgio — Não, porque a literatura criminalística diz que em vinganças pessoais não se pendura, se mata.


DC — O senhor disse a jornais locais que o suposto crime teve técnicas militares?

Sérgio —Sim, eu afirmei que o crime foi praticado com táticas militares. Entraram sem ser vistos na casa, ingressaram no sistema de telecomunicações sem ficar registrado. Eu não acreditava que em Chapecó se matava um vereador por questão política. Era um vereador combativo, de luta.


DIÁRIO CATARINENSE



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2 Comentários »

  • luciane mattos disse:

    Pergunto também aos colegas de Marcelino, se não está na hora de buscar uma cpi das fraudes que o mesmo defendia haver, afinal roubar o povo é sacanagem…e o povo de chapecó só está preocupada com o time chapecoense? Será que não é hora de colocarem a cabeça no travesseiro e se perguntarem, por que estão na política, como haje um cidadão justo…vamos todos lutar!!!! Uma forma eficaz é lutar junto com Marcelino para que a justiça seja feita!!! Aguardamos um posicionamento acerca das denúncias…..

  • portaldos jornalistas ocultos disse:

    Grandes escritores fazem grandes reportagens, acredito que tens talento para ver que todos estão questionando no fundo de seus seres, quais, por que, como se baseiam e que fim irão levar as denúncias de Marcelino, acho que está na hora de mexer na “merda” como dizia um grande amigo.

    Tenho certeza que a curiosidade de todo o povo chapecoense, como catarinense, está pronta para atacar ferozmente novas notícias sobre o real fato que fez o político Marcelino, ser executado …

    Acredite no real intuito de sua profissão, e se destaque neste mundo neutro que é a reportagem e o jornalismo em Chapecó, onde os piores homens da tv que se titulavam jornalistas estilos “meninos eu vi” se destacam e viram políticos.

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