27 fev15:08

Escolinha nota 10 em Chapecó

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Cadernos, lápis, caneta e borracha num ginásio de esportes ao lado de bolas de futsal. Junto com a volta às aulas iniciaram as atividades da Escolinha Fibraleão, projeto social desenvolvido há 19 anos em Chapecó.

Cada uma das 120 crianças matriculadas recebeu uma sacola com o material escolar para garantir um bom desempenho também na sala de aula. Boas notas na escola é um dos pré-requisitos para conseguir uma vaga no time do professor Ivanir Alba.

–Todos os bimestres é cobrado boletim- disse Alba, que é professor de Educação Física aposentado.

Ele explicou que o objetivo principal do projeto é dar oportunidade à crianças de famílias com renda mais baixa de frequentarem uma escolinha, com foco na formação de cidadãos. –Não importa se a crianças não tem habilidade para o esporte- argumentou.

Com o professore Alba as crianças a partir de seis anos recebem as instruções de fundamentos de passe, chute a gol e deslocamento. Tudo com muita disciplina.

– O professor é exigente e é muito bom o que ele ensina- disse Marli Lemes Cardoso. Seu filho, Edesron Oliveira Cardoso, de 11 anos, e o neto Paulo Souza Bueno, de sete nos, são frequentadores dos treinos, que acontecem duas vezes por semana, no ginásio do 2 Baltalhão de Polícia Militar de Santa Catarina. Desde 2005 o Batalhão oferece a infraestrutura.

Marli disse que o material recebido é uma despesa a menos no orçamento de casa e, se tivesse que pagar mensalidade, não teria condições de manter o filho no futsal. Ela comemora que o filho melhorou o rendimento na escola depois que passou a treinar com o professor Alba, há dois anos. –É legal porque a gente aprende a jogar bola e faz amigos- disse Ederson. Seu amigo Marcos Poerari, de 12 anos, disse que aprendeu “muita coisa” no projeto. E sua meta é ser jogador profissional.

Mesmo não sendo o objetivo principal, a escolinha já revelou jogadores de sucesso, como Carlinhos Moro, que foi campeão Mundial de Futsal em 2008, pela seleção Brasileira. Moro inclusive virou colaborador da escolhinha, com doações de uniformes. Alba disse que o projeto se mantém com o patrocínio de empresas e padrinhos. Ela surgiu em 2009 por iniciativa dos empresários Érico Tormen e Lauro Tormen, que até hoje bancam a maior parte das despesas.

Mas não é só quem se dá bem no esporte que orgulha o professor Alba. Ele cita também alunos que vieram de famílias humildes e conseguiram emprego, casa, carro e família. Quando completam a idade limite da escolinha, 15 anos, os melhores alunos são indicados para as empresas, via Senai e Senac, e são contratados como “Menor Aprendiz”. Cada aluno bem encaminhado é um golaço que causa emoção no professor Alba. Ele ensina as jogadas para as crianças driblarem as dificuldades e assim conquistarem o título de bons cidadãos.


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