06 mar09:31

Voos locados podem ser alternativa para o Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A utilização de voos locados para o Oeste de Santa Catarina pode ser uma alternativa para suprir a demanda dos passageiros, após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) restringir os voos de Chapecó para aviões até 72 lugares.

A Trip já solicitou 12 voos “Charter” para a administração do aeroporto Serafim Enoss Bertaso, que ainda dependem de aprovação da Anac.

A Anac interditou parcialmente o aeroporto na quinta-feira passada, por sinais de deterioração na pista. Alguns voos foram cancelados. A Gol contratou aeronaves de 50 lugares da Passaredo para levar quem já tinha comprado passagem. São seis voos diários. A advogada Melissa Dandels, que voou de Passo Fundo para Florianópolis, disse que os voos atenderam bem sua demanda e que não sofreu nenhum contratempo.

O mesmo não se pode dizer de outros passageiros. O corretor de imóveis Vandré Lazzarotto, tinha passagem às 14 horas de Chapecó para Florianópolis e recebeu a informação que teria voo apenas às 18 horas. A mesma situação é do garçom Vadeni Portella de Lima.

Os negócios da região também estão sendo prejudicados. O agente de viagens João Paulo Ribeiro disse que tem quatro empresários norte-americanos que estão com passagens marcadas para chegar em Chapecó no dia 12 e retornar no dia 14. –Eles vem fechar negócios na área industrial- explicou. No entanto, ele não consegue garantia de voos para eles e isso pode acabar cancelando a transação.

A administração do aeroporto informou que há chances da Azul antecipar sua operação, que dependia da instalação de mais um caminhão de bombeiros e mais profissionais. Com o cancelamento dos voos da Avianca e Gol, haveria possibilidade de operação.

A Prefeitura de Chapecó aguarda para hoje ou amanhã a vinda de técnicos da Anac para avaliar o Plano Operacional de Obras e Serviços proposto. A ideia é recuperar na primeira etapa 500 metros no lado Leste da pista, na segunda etapa 500 metros no lado Oeste e, na terceira etapa, os mil metros restante. Nessa terceira etapa o aeroporto teria que ficar fechado por 15 dias. No total a recuperação custará R$ 11 milhões e deverá demorar de 30 a 45 dias, depois de iniciados os trabalhos.

O objetivo é recuperar a pista que está se deteriorando. A Anac interditou 500 metros de pistas o que impede o pouso de aeronaves maiores. A agência também rebaixou o índice de resistência da pista.

Um dos maiores problemas é que não estão sendo vendidas novas passagens por tempo indeterminado. Apenas a Trip, que faz Porto Alegre e Londrina, e a NHT, que tem voos para Curitiba, estão operando normalmente, pois têm aeronaves menores.


Por que os aviões maiores que 72 passageiros não podem operar

-A pista do aeroporto de Chapecó tem 2.563 metros. Destes, 500 metros são novos e não estão homologados ainda. Restariam 2.053 metros. Mas a Anac interditou 300 metros no ano passado, reduzindo a pista para 1763 metros. O motivo foi a deterioração no piso. Agora, a Anac reduziu em mais 200 metros, reduzido a pista para 1.563 metros. O problema é que aeronaves maiores necessitam de, pelo menos 1,7 mil metros de pista para pousar com segurança. O motivo é que Chapecó fica numa região de cerca de 600 metros de altitude, onde a resistência do ar é menor. Os aviões pousam aqui a cerca de 250 quilômetros por hora, contra 200 quilômetros por hora em pistas como Guarulhos, que tem 1,4 mil metros.

-A pista de Chapecó foi reformada em 2000 e teve uma classificação de PCN (Número de Classificação do Pavimento) 34, que permite pouso de aviões de até 60 toneladas, como o Boing 737 utilizado pela Gol e o Airbus 318 utilizado pela Avianca. Devido à deterioração do piso, causada pela idade do asfalto de 10 anos, problemas no subleito da pista e aumento do número de voos em Chapecó, a classificação do PCN foi rebaixada para 16, que permite pouso de aeronaves com cerca de 20 toneladas, como os Embraer 145, da Passaredo, que estão sendo utilizados pela GOL.


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