12 mar09:02

SC tem 100 municípios em emergência pela estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Santa Catarina atingiu ontem a marca de 100 municípios em situação de emergência em virtude da estiagem que atinge o estado desde novembro. O decreto mais recente é o de Treze Tílias, que registra perda de 30 a 40% nas lavouras de milho.

As perdas no Estado já somam R$ 549 milhões segundo levantamento do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola (Cepa) da Epagri. O gerente do Cepa/Epagri, Ilmar Borchardt, disse que as perdas no milho já estão praticamente consolidadas. Mas esse número pode aumentar nas lavouras de soja. Ele afirmou que as perdas são mais acentuadas no Oeste, mas que já avançou até municípios próximos a Lages.

Os maiores prejuízos são nas lavouras de milho e soja. A safra de milho, por exemplo, deve ser a menor do estado desde 2006. Isso acarreta uma série da prejuízos em cascata. Isso porque aumenta o déficit de milho do estado, que deve chegar a dois milhões de toneladas. Na avaliação do presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, a estiagem tira a competitividade da agroindústria catarinense, inibe investimentos no estado e aumenta o custo dos alimentos para o produtor. –Os R$ 549 milhões são irrelevantes perto dos outros prejuízos que acarretam- calculou. Barbieri disse que a necessidade de trazer milho de outros estados aumenta o custo de produção de aves, suínos e leite. Isso aumenta também o custo dos alimentos para o produtor. A saca de arroz aumentou de R$ 20 para R$ 27. A saca de soja, que estava em torno de R$ 40, foi para R$ 47. E o milho, que deveria estar em torno de R$ 20 a saca, está em R$ 24 a R$ 25. Bom para quem consegue colher. Mas o produtor que perde com a estiagem tem menos produção para aproveitar essa alta.

O presidente da Cooperativa Regional Alfa (Cooperalfa), Romeu Bet, estima que deverá comprar cerca de dois milhões de sacas de soja de outros estados para atender a necessidade da indústria de óleo e farelo de soja. Normalmente a cooperativa recebe seis milhões de sacas. Bet disse que a busca de soja de fora aumenta os custos. Além disso a estiagem acaba interferindo no faturamento. Outro impacto é a venda de menos insumos, já que o produtor deve reduzir investimentos na lavoura.

Ele afirmou que enquanto produtores do Planalto Norte tem uma safra normal, no Oeste há perdas até superiores a 50% na lavoura de soja.

O secretário de Agricultura de Santa Catarina, João Rodrigues, afirmou que a estiagem acaba impactando também no comércio. –Os agricultores vão deixar de trocar o carro e fazer outras compras- explicou. É um efeito em cascata em que todos perdem um pouco.


Safra antecipada e plano de trocar o trator adiado

A falta de chuva antecipou a colheita das lavouras de soja em 15 a 20 dias. O agricultor Marcelo Segatto, de Caxambu do Sul, já colheu nove hectares dos 39 que plantou. A perda é superior a 50%. No ano passado ele colheu 70 sacas por hectare. Neste ano a média é de 30 sacas. O motivo é que, pela falta de umidade, as plantas secaram e o grão ficou pequeno e murcho. Isso também aumentou o desconto no silo.


O agricultor Marcelo Segatto, de Caxambu do Sul.


– A qualidade é ruim- lamentou o produtor. Segatto investiu cerca de R$ 800 por hectare. Mesmo com a perda, deve sobrar uns R$ 7 mil da lavoura. –Tenho que passar o ano com esse dinheiro- lembrou.

Com isso o plano de trocar o trator que é de 1998 terá que ser adiado. –Só no ano que vem- prevê.



Produtor teve quebra de 70%

A colheita do milho confirmou o que o produtor Ernício Stroher já esperava, uma quebra acentuada na lavoura em virtude da estiagem. A quebra na propriedade localizada no interior de Dionísio Cerqueira chegou a 70%, segundo cálculos do produtor.

–No ano passado colhi 180 sacas por hectare e agora colhi 50- explicou.

Stroher plantou 4,5 hectares de milho. Destes, fez 1,5 hectares de silagem para o gado e, em três hectares, colheu grão. A safra não será suficiente para pagar o financiamento de R$ 12 mil. Colhendo 150 sacas ele vai receber apenas cerca de R$ 7,5 mil. E ainda tem que descontar 10% para pagar a colheitadeira e mais as impurezas que são descontadas no silo. Ele encaminhou o Proagro e espera ter um desconto no financiamento. Ele lamentou que, da boa safra do ano passado, investiu parte para fazer uma lavoura melhor. O lucro do ano anterior acabou perdendo na estiagem.


MILHO EM SC


Área (mil hectares)

2003: 856

2004: 816

2005: 796

2006: 784

2007: 706

2008: 715

2009: 667

2010: 593

2011: 541

2012: 573


Produção (milhões de toneladas)

2003: 4,31

2004: 3,25

2005: 2,80

2006: 2,88

2007: 3,86

2008: 4,13

2009: 3,26

2010: 3,69

2011: 3,60

2012: 3,11


Produtividade (quilos por hectares)

2003: 5.034

2004: 3.992

2005: 3.386

2006: 3.680

2007: 5.470

2008: 5.780

2009: 4.895

2010: 6.302

2011: 6.401

2012: 5.436


Fonte: Cepa/Epagri


SOJA EM SC

PRODUÇÃO (mil toneladas)


2003: 712

2004: 642

2005: 599

2006: 799

2007: 1.104

2008: 943

2009: 975

2010: 1.374

2011: 1.490

2012: 1.398


ÁREA PLANTADA (mil hectares)


2003: 257

2004: 314

2005: 355

2006: 332

2007: 377

2008: 372

2009: 385

2010: 440

2011: 457

2012: 447


PRODUTIVIDADE (quilos por hectare)


2003: 2.770

2004: 1.907

2005: 1.710

2006: 2.406

2007: 2.930

2008: 2.534

2009: 2.530

2010: 3.123

2011: 3.259

2012: 3.127


Fontes: Cepa/Epagri


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