15 mar19:05

Auxílio contra a estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Cerca de mil agricultores familiares do Oeste de Santa Catarina realizaram nesta quinta-feira atos em Chapecó e São Miguel do Oeste, em frente ao Banco do Brasil e secretarias regionais, para reivindicar mais apoio dos Governos Federal e Estadual no combate à estiagem. Também nesta quinta-feira o número de cidades em emergência aumentou para 102, com os decretos Luzerna e Rio das Antas.

De acordo com as lideranças da agricultura familiar os recursos liberados até agora são insuficientes e são medidas que não resolvem a perda de renda do agricultor. O coordenador estadual da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Alexandre Bergamin, disse que cerca de 60 mil famílias de agricultores foram prejudicados pela estiagem. No entanto apenas 6% deles solicitaram o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), pela demora, burocracia e medo de não conseguir o benefício e ainda ter que pagar o laudo, que custa R$ 190 em caso de negativa. Bergamin informou que em Maravilha cerca de 30% dos pedidos foram negados.

O motivo é que o Proagro beneficia apenas os agricultores que não tiverem renda suficiente para pagar os financiamentos. Como o preço do milho e da soja estão altos, em muitos casos, mesmo colhendo pouco, o valor acaba cobrindo o financiamento. No entanto os produtores ficarão sem renda para o restante do ano.

Um dos casos é do produtor Neri Antonio Pianesola, de União do Oeste. Ele plantou 28 hectares de soja onde esperava colher cerca de 70 sacas por hectare. Ele solicitou o Proagro pois a estimativa é de perda de até 90%. Mas ainda não teve resposta oficial. Pianesola tem um financiamento de R$ 24 mil da lavoura e mais uma parcela de R$ 16 mil da compra do trator.

Mesmo que consiga pagar o financiamento ele não vai ter dinheiro para se manter até a próxima safra. –Vou ficar sem capital de giro- disse. Outro agricultor, Hermes Milani, de Coronel Freitas, perdeu quase todo o investimento que fez nos quatro hectares de milho. –Uma parte fiz silagem pois estava secando e vou colher apenas 80 sacas- explicou. Ele estima a quebra entre 40 e 60%. Com isso terá que comprar alimento para as vacas, que diminuíram a produção de leite de dois mil litros por mês para 1,5 mil litros.

Os agricultores estão pedindo um salário mínimo mensal durante seis meses, anistia do programa troca-troca e desconto de 30% nas dívidas. Alexandre Bergamin disse que não adianta o Governo Federal prorrogar dívidas por seis meses pois isso não resolve o problema dos agricultores. Os prefeitos também aguardam a liberação de R$ 10 milhões do Ministério da Integração Nacional, que antes viria para o Estado perfurar poços e agora deve ser liberado diretamente para os municípios. Algumas cidades já gastaram entre R$ 200 mil e R$ 300 mil só com o transporte de água.

Nesta quinta houve uma reunião em Brasília onde foi formado um grupo de trabalho para tratar sobre possíveis medidas de auxílio aos agricultores.

Em relação ao Governo do Estado disse que os manifestantes consideram insuficientes os R$ 10 milhões do Programa Juro Zero, cerca de R$ 3 milhões anunciados para compra de insumos e outros R$ 3 milhões para as prefeituras. Isso porque os prejuízos já chegam a R$ 550 milhões e o dinheiro não recupera as perdas do produtor. Uma audiência deve ser agendada com o governador Raimundo Colombo na próxima semana.


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