27 mar07:53

Barrica, além do circo

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Graciosa, simpática, intensa, excitada e apaixonada. Essa é a palhaça “Barrica”, personagem que já tem 10 anos de estrada e há sete mora em Chapecó. No dia Internacional do Circo e no dia do Teatro, ela representa os dois.

Barrica já fez show em circo, participou em festivais no Rio de Janeiro, Brasília e Florianópolis; fez encenação em shows musicais e atuações em feiras e praças. Em 2009 criou um blog (mulherespalhacas.blogspot.com) depois que participou de um encontro no Rio de Janeiro onde percebeu um movimento de mulheres palhaças no Brasil. Além disso criou a revista “Palhaçaria Feminina”, com depoimento de 36 mulheres que atuam na área, já está editada e deve ser lançada ainda neste ano.

A publicação mostra que a atuação de mulheres como palhaças iniciou com algum preconceito. No entanto o movimento começou a ganhar força a partir da década de 80. Barrica diz que o humor feminino tem algumas peculiaridades. –Ele é mais doce- explicou.

Desde pequena Michele Silveira da Silva queria trabalhar num circo. Ela acompanhava apresentações teatrais no interior de São Sepé/RS, onde morava, e ficava encantada com as atuações.

Mas a primeira vez que viu um espetáculo circense ao vivo foi com 18 anos, quando a família se mudou para Santa Maria. Na primeira impressão teve alguns desapontamentos, pois a companhia era pobre e o espetáculo humilde. Mesmo assim o show de luzes no início da paresentação lhe encantou. Deciciu fazer Artes Cênicas na Universidade Federal de Santa Maria e criou a personagem “Beiçorofix”, que depois virou “Barrica”, em função de sua barriga.

– Primeiro a gente precisa aprender a rir de você mesmo – disse Michele. Ela percebeu que sua barriga era engraçada e que disso poderia fazer a graça de sua personagem.

“Barrica Por Água Abaixo”

O espetáculo  começou com 10 minutos e está com 45. No roteiro sua personagem decide ir para a praia, mas tem uma série de transtornos. Primeiro a boia fica entalada em sua silhueta mais fofinha. Depois que consegue sair, começa a chover. Vai num ponto de ônibus e, ao pegar o coletivo, fura o pneu.

No fim ela retorna pra casa e instala uma piscina plástica dentro de casa onde faz a sua praia. –O espetáculo trata da transformação dos sonhos- explica.

Barrica lembra que seu maior sonho era trabalhar no circo. Em 2008, ao assistir o circo do Biriba, em Chapecó, disse que gostaria de trabalhar com ele. (Confira abaixo o vídeo com o depoimento de Barrica sobre o circo)

Foi aceita na companhia e passou a acompanhar a trupe pelos país. Ela se encantava de ver os artistas trabalhando duro para erguer a lona, instalar as cadeias, fincar palanques. – Parecia uma purificação deles e eu chorava por fazer parte daquilo – explicou.

No entanto, apesar de toda aquela visão romântica, Barrica começou a sentir-se sozinha pois uma vez seu irmão estava de aniversário e ela estava num espetáculo no Mato Grosso do Sul.

Foi então que decidiu largar a turma do Biriba e partir atrás de outro sonho. –Quero viver de ser palhaça- explicou. Sua meta é tornar a “Barrica” famosa e ensinar esta arte para outras pessoas. –Para mim ser palhaça é um ofício, uma missão- explicou.

Para ela, nem os palhaços, nem o circo vão acabar. –É uma experiência que não pode ser substituída por nada- argumentou. Para Barrica, nada substitui a beleza de um riso espontâneo.


Confira o depoimento da palhaça Barrica em comemoração ao Dia do Circo:


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