06 abr09:29

Vazão do Rio Uruguai está com 16% da média

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A vazão do Rio Uruguai no trecho onde está instalada a Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, entre Águas de Chapecó-SC e Alpestre-RS, está com apenas 16% da média anual. De acordo com o gerente da Usina, Gilson Carvalho, a média histórica do rio durante um ano é de 1.250 metros cúbicos por segundo. São 1250 caixas de água de mil litros a cada segundo. Pois nos últimos dias a vazão havia caído para apenas 200 metros cúbicos por segundo.

O nível da água baixou 80 centímetros mas isso representa 80% do reservatório útil para a geração de energia, já que a parte inferior do lago não pode ser desviado pelos túneis até a captação da Casa de Força.

Nos últimos dias a Foz do Chapecó vinha operando com apenas uma das quatro unidades geradoras, variando entre 130 e 210 megawatts. A potência máxima da hidrelétrica é de 855 megawatts, suficiente para abastecer 25% da demanda de Santa Catarina. Mas a geração média é de 432 megawatts.

Carvalho disse que a decisão de paralisar a operação foi tomada em reunião com representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para não esvaziar os lagos e assim comprometer atividades que ficam abaixo das barragens, como a passagem de balsas, a captação de água e a fauna aquática.

O gerente da usina garante que não haverá problema no abastecimento de eletricidade no Sul, em virtude de que o sistema é todo interligado. A redução na geração no Sul é compensada pela maior geração no Sudeste. –Agora alguém está gerando para nós- explicou.

A redução na vazão do Rio Uruguai também comprometeu algumas atividades, com a dos pescadores. Milton Zimmer, disse que a inauguração da hidrelétrica, em 2010, já diminuiu em 60 centímetros a vazão do rio num trecho de 20 quilômetros, entre a barragem e a Casa de Força, pois a água foi desviada por túneis. Agora, com a estiagem, o rio diminuiu mais uns 10 centímetros, segundo Zimmer. O menor volume de água deixa de fora muitas pedras que ficavam encobertas e ainda forma um limo, que acaba grudando nas redes. Zimmer disse que após a paralisação da energia, o volume do rio até subiu um pouco.

O motivo é que parte da água que antes era desviada para as turbinas, agora está sendo jogada diretamente no rio, pelo vertedouro. Ontem estavam sendo liberados 183 metros cúbicos por segundo, enquanto que a vazão mínima é de 75 metros cúbicos por segundo. Na segunda-feira a Foz do Chapecó deve voltar a gerar energia, 380 megawatts/hora, para aproveitar a água que deve acumular com a geração de Itá, que fica acima.



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