16 abr15:26

Reflexos da estiagem no Oeste

Dez locais de compra e a coleta média de 570 preços de produtos fazem parte de pesquisa que o curso de Ciências Econômicas da Unochapecó realiza mensalmente para levantar o custo da cesta básica em Chapecó. Esse levantamento, realizado em 10 supermercados, contém 57 produtos básicos consumidos por uma família chapecoense típica, enquanto outro envolve 13 itens, assim como a cesta nacional.

Em março, os 57 produtos apresentaram elevação de 3,08% no custo, comparativamente ao mês anterior. O valor era de R$ 792,54 e passou a ser de R$ 816,95, com diferença de R$ 24,42 a mais. Em relação a março do ano passado, quando o cesto custava R$ 761,94, a elevação é de 7,22%, com diferença numérica de R$ 55,01.

Do total de 57 produtos pesquisados, 30 registraram aumento, 25 redução e dois não sofreram alteração.

Os três produtos com maior alta foram o tomate, em 32,71%, o papel higiênico, em 23,88%, e o repolho, em 23,01%. As maiores quedas ocorreram na batata inglesa, em 14,89%, em ovos, no percentual de 14,77, e no pão francês, em 6,83%. O grupo dos produtos alimentares, que possui maior peso no total do cesto de produtos básicos, de aproximadamente 72%, apresentou elevação de 4,03% em março e no ano acumula 4,50%.


Cesta também aumenta

A cesta básica de 13 produtos teve elevação de 5,54% em Chapecó. O valor passou de R$ 179,90, registrado em fevereiro, para R$ 189,87. Os principais produtos que contribuíram para o aumento foram as carnes, tomate e os derivados do milho.

O mês passado, no período de um ano, foi o que registrou a maior variação positiva, enquanto a principal redução foi em fevereiro passado, de 5,04%. Comparativamente com março de 2011, quando a variação foi de 1,20%, o poder de compra de uma família típica chapecoense aumentou 7,31%, resultado do ganho salarial de 2012.


Análise das mudanças

As variações registradas em março são consideradas atípicas pela coordenação da pesquisa. Desde 2004 esse mês não apresentava elevação tão significativa, informa o professor Guilherme de Oliveira.

- No atual cenário, não é possível comparar o desempenho do Brasil com Chapecó e o Oeste, pois a região atravessa adversidade climática em função da estiagem – disse.

O professor argumenta que a estiagem contribui para a elevação do preço dos grãos e nesse sentido os derivados do milho, como a farinha, e de soja, como o óleo, registraram aumento em março.

Entretanto, o principal motivo para a elevação dos preços foi o aumento das carnes de gado e de frango, que contribuem significativamente na cesta consumida por uma família típica chapecoense.

- O frango reflete o aumento do milho em decorrência da estiagem que eleva os custos de produção de algumas agroindústrias da região, resultando em aumento de preço – explica o professor.

Sobre a carne bovina, Guilherme argumenta que a estiagem também prejudica as pastagens, o que dificulta a engorda dos animais e diminuindo a oferta no curto prazo.


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