27 abr09:48

Chuva começa a diminuir efeitos da estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A estiagem começa a dar sinais de que está indo embora. A chuva que ocorreu entre quarta-feira e ontem já trouxe alívio para grande parte de Santa Catarina. Em algumas cidades como Chapecó e São Miguel do Oeste choveu mais de 100 milímetros, o que representa o volume de quase um mês inteiro.

De acordo com o meteorologista Leandro Puchalski, da Central de Meteorologia da RBS, há 10 meses não chovia tanto em São Miguel do Oeste. O volume foi tão bom que resolveu momentaneamente o abastecimento de água nas áreas urbanas.

-O nível dos rios aumentou e o abastecimento está normal- informou o superintendente regional da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) no Oeste, Écio Bordignon. A Casan parou de puxar água de caminhão-pipa em Xaxim e Caxambu do Sul. Além disso outras cidades que estavam em risco, como Pinhalzinho, Dionísio Cerqueira e São Miguel do Oeste, a situação foi normalizada.

Até em Chapecó, onde a situação começava a preocupar, a barragem do Engenho Braunn, no Lajeado São José, recuperou cerca de dois metros e transbordava ontem à tarde. O mesmo ocorreu com a barragem do rio Caçador, em Seara.

O secretário de Defesa do Cidadão de Chapecó, Sérgio Wallner, disse que os 122 milímetros registrados na cidade praticamente normalizaram a situação. A chuva encheu as cisternas de cinco mil litros e 10 mil litros instaladas em sete comunidades do interior. O número de caminhões pipa, que eram oito, transportando 300 mil litros de água por dia, baixou para três, que devem transportar de 20 a 30 mil litros.

Para o gerente de Monitoramento e Alerta da Secretaria da Defesa Civil do Estado, Frederico Rudorff, o impacto da chuva no Estado foi bem positivo, pois foi acima do esperado. –Já começa a reverter o quadro- avaliou. Apenas no Litoral Sul a chuva foi insuficiente, ficando em menos de cinco milímetros em vários municípios.

No campo, apesar das prejuízos que já atingem R$ 777 milhões, a situação começa a melhorar. O agricultor Ivaldino Zarpelon, morador da Colônia Cella, em Chapecó, disse que o açude que chegou a ficar 60 centímetros abaixo do normal, acabou recuperando o nível com as duas últimas chuvas. –Só ontem acho que subiu uns 30 centímetros- calculou.

Zarpelon disse que a chuva foi boa e vai permitir o replantio da pastagem. No entanto a produção de leite, que caiu 25 a 30%, vai levar pelo menos dois meses para recuperar.


Hidrelétrica segue sem gerar energia

Mesmo em boa quantidade a chuva ainda não interrompe os efeitos da estiagem, como os prejuízos na lavoura e a interrupção de geração de energia. Em Machadinho o nível da barragem que estava 14 metros abaixo do nível máximo tinha recuperado apenas 15 centímetros até o início da tarde de ontem, segundo o gerente de operações das hidrelétricas de Machadinho e Itá, Elinton Chiaradia. –Precisa chover muito ainda para normalizar- disse Chiaradia. A hidrelétrica tem potencial de geração de 1140 megawatts, o suficiente para atender 45% da demanda de energia de Santa Catarina. Mas está parada desde o dia cinco de abril.

No entanto a chuva afastou o risco de paralisação da hidrelétrica de Itá, que é a maior de Santa Catarina, com 1450 megawatts. Itá foi inaugurada em 2000 e nunca tinha parado de gerar energia. Mas a falta de chuva já estava ameaçando seu funcionamento.

O número de municípios com decreto de situação de emergência subiu para 134. O último município a entrar na lista da Defesa Civil foi Vargem Bonita. Esse era o número que a Defesa Civil do Estado trabalhava no início da estiagem como o quadro mais grave, pois é a região onde historicamente há problemas com falta de chuva.

De acordo com o gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Estado, Frederico Rodorff, a situação deve melhorar mesmo nos munícipios que decretaram situação de emergência recentemente, mas não estão descartados novos decretos, já que maio também é um mês de pouca chuva.


CHUVA ACUMULADA DE QUARTA-FEIRA E ONTEM

Porto União: 122 mm (mais que o normal do mês que é 90 a 100 mm)

São Miguel do Oeste: 117 mm (normal 160 a 180 mm)

Rio do Campo: 115 mm (mais que o normal do mês que é 90 a 100 mm)

Irineópolis: 103 mm (mais que o normal do mês que é 90 a 100 mm)

Novo Horizonte: 102 mm (normal 160 a 180 mm)

Rio Negrinho: 101 mm

Água Doce: 96 mm

Major Vieira: 90 mm

Blumenau: 63 mm

Florianópolis: 28,9 mm

Criciúma: 1,8 mm

Itajaí: 65,2 mm

Porto União: 126 mm


Fontes: Ciram/Epagri e Central de Meteorologia da RBS



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