29 abr12:17

Saiba como enfrentar a rotina sem estresse e aumentar a produtividade no trabalho

O que é o trabalho para você? Longe de ser apenas uma forma de subsistência, eles dizem muito sobre sua personalidade. Não importa qual seu talento: médico, engenheiro, professor, publicitário ou psicólogo. Cada vez mais, o mundo corporativo valoriza pessoas que sabem o que querem, têm autonomia para agir e são peças-chave para o sucesso de qualquer negócio. Porém, para produzir bem, é necessário se sentir bem no ambiente de trabalho.

A qualidade de vida depende muito da satisfação que as pessoas têm em sua vida profissional. Muitas vezes, não se trata de um trabalho remunerado. O engajamento num projeto social, por exemplo, é tão válido quanto o empenho de um executivo de multinacional. Ser valorizado pelo que você faz é importante, mas hoje, muito mais do que dinheiro, as pessoas querem ser capazes de decidir seus rumos e de enfrentar seus problemas. E este conceito de qualidade de vida — que apresenta tantas variações, muitas vezes divergentes — têm muito a ver com felicidade e auto-realização, com independência e estado de satisfação ou, ainda, com as condições sociais e econômicas.

Os aspectos físico, emocional, social, profissional, intelectual e espiritual devem funcionar em plena harmonia. Ao longo do ano, falaremos um pouco sobre todos estes temas, entre outros valores responsáveis pelo nosso bem-estar. Assim como já abordamos Cultura e Lazer, neste especial, vamos abordar a Relação com o Trabalho e Autonomia e Liberdade, duas dimensões avaliadas na edição 2011 do Índice de Bem-Estar (IBE), pesquisa realizada pela Unimed Porto Alegre. Até sexta-feira, dicas e informações de especialistas serão publicadas para servir como um guia para ajudá-lo a levar uma vida mais leve, prazerosa e saudável, tanto no aspecto pessoal quanto profissional. Também falamos com profissionais de diferentes perfis, que contam suas dicas de como ter satisfação no trabalho — e também como fugir do estresse e do sedentarismo.


Esgotamento físico e mental leva ao desenvolvimento de doenças

Para muitas pessoas, o local que deveria ser sinônimo de satisfação profissional e financeira acaba se transformando em fonte de problemas físicos e emocionais. As doenças do trabalho são inúmeras e estão relacionadas, muitas vezes, ao estresse. Esse problema coloca em risco a saúde dos trabalhadores e gera doenças de fundo psicossomático. O estresse leva o indivíduo a ter um desempenho ruim, baixa moral e absenteísm. Segundo especialistas, o problema pode gerar até mesmo depressão.

De acordo com a presidente do Instituto Brasileiro de Qualidade de Vida, Elizabet Garcia Campos, as consequências para o funcionário são inúmeras. Vão da queda de produtividade ao esgotamento físico e mental. Daí para o desenvolvimento de doenças é um pulo.

— As empresas precisam detectar a forma de adequar os profissionais aos cargos, medir o nível de satisfação dos trabalhadores, verificar o grau de comunicação e integração de equipes, desenvolver políticas de benefícios e observar as condições ambientais — ensina Elizabet.

Ela conta que até a poluição sonora e o tempo gasto pelo trabalhador para chegar à empresa são fatores que podem levar ao estresse. Do ponto de vista ergonômico, as condições ambientais inadequadas podem provocar os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) que, de acordo com um cruzamento de dados feito pelo Ministério da Previdência, lideram, juntamente com os transtornos mentais, os motivos de afastamento do trabalho.

As LER/Dort são síndromes que atacam os nervos, músculos e tendões, e que atingem principalmente os membros superiores e o pescoço. São degenerativas e acompanhadas de dor, não só por causa da intensidade do trabalho, mas também devido a atividades desempenhadas sob estresse intenso. Os prejuízos vão para o funcionário e para a empresa: segundo o Instituto Nacional de Prevenção às LER/Dort, as companhias gastam mais de R$ 90 milhões por ano devido ao afastamento dos trabalhadores afetados pelas síndromes correlatas.


Alerta para as dores

A fisioterapeuta Heloísa Guimarães explica que a dor não significa, necessariamente, uma patologia. É, porém, o alerta do corpo para que a pessoa verifique se há algo de errado com ela. Muitas vezes, porém, o trabalhador subestima a sensação e, sem mudar os hábitos, contribui para o surgimento de problemas musculares e circulatórios.

— No início, a pessoa sente uma pressão na nuca. Muda a postura, sente alívio. Depois, a dor vai se intensificando e ela nota que só melhora depois de uma noite de sono. A dor fica cada vez mais grave e pode se tornar crônica — alerta.

Segundo Heloísa, o corpo desenvolve um mecanismo de proteção para “esconder” a dor. E a tendência é que a musculatura e os tendões encurtem ou atrofiem. A fisioterapeuta explica que, além dos cuidados necessários com a postura, é preciso estimular o organismo com exercícios físicos, que podem ser caminhadas, sessões de dança ou musculação. E a diversidade de atividades ajuda o corpo a ficar mais dinâmico. Quem é sedentário sofre mais.

Além dos problemas ergonômicos, os funcionários devem ficar atentos aos males respiratórios provocados pelo ar-condicionado. Mudanças bruscas de temperatura podem diminuir a resistência do organismo e torná-lo alvo fácil para infecções.

— Mas o maior problema é a higienização. No ar-condicionado, a umidade fica presa na tubulação, o que favorece a proliferação de ácaros e fungos. A pessoa pode ter desde infecções fúngicas a sinusite — diz a alergista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, Iara Mello. Segundo a médica, o ideal é que a manutenção do aparelho seja feita a cada seis meses.


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