03 mai09:02

Polícia Federal entra no Caso Chiarello

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A Polícia Federal está dando apoio ao Ministério Público estadual nas investigações da morte do vereador Marcelino Chiarello, ocorrida no dia 28 de novembro do ano passado, em Chapecó. A informação foi confirmada ontem pelo delegado da Polícia Federal de Chapecó, Oscar Biffi.

A participação dos policiais federais foi decidida pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em despacho publicado no Diário Oficial da União, no dia 18 de abril. Ele determinou que a Polícia Federal apure as circunstâncias e causas da morte depois que o Ministério Público pediu apoio no caso.

O delegado solicitou os laudos para o Poder Judiciário e, assim que receber a documentação, vai buscar peritos dentro da própria polícia ou então de fora para fazer a análise do material.

– Primeiro temos que ter conhecimento do que já existe- explicou.

Ele afirmou que a atuação da polícia é apenas para auxiliar no Ministério Público, na tentativa de esclarecer o caso. O inquérito da Polícia Civil apontou que a morte do vereador foi por enforcamento, mas não foi conclusivo se houve homicídio ou suicídio.

Por isso o Ministério Público instaurou um Procedimento de Investigação Criminal para dar sequência ao trabalho. Um dos três promotores que foram designados para o caso,Jackson Goldoni, disse que a intenção é conseguir um apoio técnico da Polícia Federal. Ele afirmou que o Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado (GAECO) está auxiliando nos trabalhos. No entanto o Ministério Público não está passando muitas informações que são sigilosas.

O delegado que conduziu o inquérito, Ronaldo Moretto, disse que a Polícia Civil não pode se pronunciar sobre os desdobramentos do caso pois já encerrou o trabalho. No entanto pode auxiliar o Ministério Público se for solicitado.

O Governador Raimundo Colombo disse ontem em Joaçaba que o Estado buscou apoio de técnicos de São Paulo nas investigações. Ontem o juiz da primeira Vara Criminal de Chapecó, Jefferson Zanini, informou que vai buscar apoio do Instituto Médico Legal de São Paulo, para que analise as provas do caso.

O magistrado justificou a solicitação de uma terceira opinião em virtude das contradições entre os laudos do médico legista de Chapecó, Antonio de Marco, e seus colegas do Instituto Geral de Perícias de Florianópolis.

Para o deputado federal Pedro Uczai, que era amigo do vereador, a inclusão da Polícia Federal no caso não é o suficiente. Ele defende a federalização do caso, para que a Polícia Federal assuma a condução das investigações. Ele destacou que confia no Ministério Público mas entende que federalizando haveria um efetivo maior de forças federais.

Mas, para que o caso seja federalizado é necessária solicitação do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, faça essa solicitação ao Superior Tribunal de Justiça. Lideranças do Partido dos Trabalhadores já fizeram esse pedido ao procurador. Na próxima terça-feira Pedro Uczai estará em Brasília levando mais documentos para solicitar essa intervenção.

O advogado da família de Chiarello, Alcides Heerdt, também defende a federalização total do caso.


Entenda o caso:

O vereador Marcelino Chiarello foi encontrado morto no final da manhã do dia 28 de novembro, no quarto de visitas de sua casa, pela mulher e o filho. Ele estava enforcado na janela, aparentando suicídio. No entanto a Polícia Civil avaliou que o suicídio teria sido forjado e deu entrevista nesse sentido.

O primeiro laudo do médico legista de Chapecó, Antônio de Marco, apontava para homicídio, em virtude de alguns ferimentos na cabeça e nariz e dois sulcos nos pescoço. Mas laudos complementares de peritos do Instituto Geral de Perícias de Florianópolis apontaram suicídio como causa da morte.

Após três meses de investigação a Polícia Civil concluiu o inquérito apontando como causa da morte o enforcamento mas não concluiu se houve homicídio ou suicídio. O Ministério Público decidiu continuar as investigações em virtude das dúvidas entre os laudos.



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