11 mai09:10

Exportação de carne suína para a Argentina cai 10%

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

As exportações de carne suína de Santa Catarina para a Argentina caíram 10% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, em virtude de restrições adotadas pelo país vizinho.

No primeiro trimestre do ano passado os catarinenses venderam 2,6 mil toneladas para a Argentina e, neste ano, apenas 2,3 mil toneladas. O faturamento caiu de US$ 8,1 milhões para US$ 7,3 milhões. E a maior parte desse volume, US$ 6,4 milhões, foi em janeiro. A partir de fevereiro os argentinos começaram a impor licenças para importar alguns produtos de seus parceiros do Mercosul. A intenção é proteger os produtores locais.

As vendas do Brasil como um todo foram ainda mais afetadas. No primeiro trimestre do ano passado as vendas de carne suína para os hermanos foi de 8,2 mil toneladas, contra 4,9 mil neste ano. Isso reduziu em US$ 10 milhões o faturamento, que caiu de US$ 26,3 milhões para US$ 16,2 milhões.

Como a Argentina era um dos cinco principais mercados de Santa Catarina, responsável por 10% das vendas, a crise do setor aumentou ainda mais.

– Isso agrava a nossa situação que já é difícil – lamentou o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Losivânio Di Lorenzi.

Ele afirmou que os suinocultores estão enfrentando problemas de baixa remuneração do produto e baixo preço. Insumos como soja e milho aumentaram e o quilo do suíno, que estava em R$ 2,60 no ano passado, caiu para R$ 1,90. Enquanto isso o custo de produção está em R$ 2,65.

Lorenzi comparou que o preço da carne de suíno está menor que o da banana, que custa R$ 2,50 nos supermercados do Oeste.

– Os produtores não conseguem nem mais empréstimo pois estão com sua capacidade de endividamento esgotada – explicou. Ele pede que o Governo subsidie o transporte de milho para Santa Catarina para diminuir o custo dos produtores.


Suinocultor Clair Dariva.

O suinocultor Clair Dariva, que tem 500 matrizes, disse que tirando dinheiro de outras atividades, como a produção de leite, para cobrir o prejuízo na suinocultura.


– Hoje perco R$ 60 por suíno gordo – calculou.

Dariva disse que o Governo Federal teria que ser mais duro na relação com os vizinhos, que além de não comprar suíno ainda exportam leite para o Brasil, prejudicando também o setor leiteiro.

O presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, também considera que o Brasil precisa exigir uma postura mais equilibrada na relação com a Argentina.

– O Brasil precisa contra-atacar – reclamou. Pedrozo disse que os produtores brasileiros estão sendo penalizados pela estratégia do Governo argentino.


Exportações catarinenses no primeiro trimestre de 2012

Total: 36,7 mil toneladas (US$ 101 milhões)

Ucrânia: 7,8 mil toneladas (US$ 22,7 milhões)

Rússia: 7,5 mil toneladas (US$ 22,1 milhões)

Hong Kong: 6,4 mil toneladas (US$ 17 milhões)

Cingapura: 3,8 mil toneladas (US$ 11,3 milhões)

Argentina: 2,3 mil toneladas (US$ 7,3 milhões)


OBS: No primeiro trimestre do ano passado Santa Catarina exportou 2,6 mil toneladas para a Argentina, totalizando US$ 8,1 milhões


Exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2012

Total: 102 mil toneladas (US$ 278 milhões)

Argentina: 4,9 mil toneladas (US$ 16,2 milhões)

OBS: No ano passado o Brasil exportou para a Argentina 8,2 mil toneladas no primeiro trimestre, totalizando R$ 26 milhões


Fonte: ACCS


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