17 mai20:08

‘Paraísos Artificiais’ no cinema de Chapecó

Paraísos Artificiais é um dos primeiros, senão o primeiro filme brasileiro a investigar o universo da música eletrônica e, por consequência, do uso (e do tráfico) das drogas sintéticas, tão associadas às raves. Por rave, entende-se em geral as grandes festas ao ar livre em lugares afastados, onde, ao som de música eletrônica, milhares de pessoas se aventuram em viagens (literais e lisérgicas) por paraísos naturais e artificiais. O assunto renderia vários documentários. No entanto, ainda que fiel à realidade, Paraísos Artificiais, que estreia hoje no Cinema Arcoplex do Shopping Pátio Chapecó é uma ficção, a primeira de Marcos Prado como diretor.

O filme narra a história de amor de Nando (Luca Bianchi) e Érika (Nathalia Dill), dois jovens que se encontram e desencontram ao longo de vários anos, sempre “ao som” da música eletrônica.

Para entender melhor por que ter a direção de Prado faz a diferença, é preciso saber que, mais que diretor, ele é documentarista por natureza e fotógrafo de formação. Nos anos 1990, mesmo com o sucesso como fotógrafo, Prado estava frustrado. Ele queria mais: que suas imagens e registros de temas alcançassem um “público que não era o de museu”. Foi então que encontrou no cinema, mais especificamente no documentário, a saída para chegar às grandes plateias. Ou quase. O registro de anos no Jardim Gramacho deu origem ao super premiado Estamira (2004), documentário que levou 33 prêmios em festivais pelo mundo e foi uma das primeiras produções da Zazen, a produtora que Prado fundou com José Padilha em 1997.

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Mas era preciso se aventurar pela ficção. O público dos documentários era muito maior que o das exposições, mas nada comparável ao salto que Prado e Padilha deram em 2007, quando lançaram sua primeira ficção: Tropa de Elite – Prado assina a produção do longa. Depois da experiência como diretor de documentários e produtor, era a hora de Prado dirigir sua primeira ficção. Foi então que nasceu Paraísos Artificiais.

– Na verdade, como o Tropa, começou como uma ideia para documentário. Mas, uma vez mais, era impossível filmar todas as raves, conseguir autorização, etc – conta o diretor de 50 anos, que teve a ideia de investigar o universo da música eletrônica e das drogas sintéticas ao perceber que seu filho Tomás, de 20 anos, então com 16, iria muito em breve passar pelas experimentações da juventude.

Em vez de um tratado sobre o uso de drogas, o diretor queria fazer um filme “pequeno”, sobre um drama familiar, uma história de amor, de recomeços. Mesmo assim, o tema das drogas está em primeiro plano. Prado foi pesquisar a fundo este universo, fez dezenas de entrevistas, frequentou e viajou para os maiores festivais do mundo, como o Burning Man, nos EUA, caprichou na trilha sonora e pediu ajuda a quem entende de música eletrônica, como Renato Cohen e Franklin Costa.


FLAVIA GUERRA|AGÊNCIA ESTADO

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