23 mai10:27

Agricultores pedem apoio para agroindústrias familiares

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Agricultores do Oeste de Santa Catarina realizaram ontem uma mobilização em Chapecó e Rio do Sul para cobrar do governo do estado políticas públicas de apoio às agroindústrias familiares. Os atos foram coordenados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul).

Em Chapecó cerca de 60 pessoas se concentraram no início da manhã na Praça Coronel Bertaso e depois partiram em caminhada até a Cidasc, onde entregaram uma pauta de reivindicações. No início da tarde foram até a sede da Receita Estadual. Enquanto isso lideranças da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, Fetraf-Sul, estiveram reunidos com representantes da Secretaria de Agricultura do Estado, em Florianópolis.

Os agricultores familiares reclamam que a Cidasc terceirizou a inspeção sanitária, que antes era gratuita e agora é feita por profissionais contratados de empresas ou cooperativas, que cobram pelo serviço.

Gelso Marchioro, consultor da Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense, disse que a cobrança varia de R$ 750 a R$ 2,5 mil por mês. –Isso deveria ser um serviço público e gratuito- explicou Marchioro.

Francisco Giordan, que é dono de uma agroindústria de embutidos em Coronel Freitas, disse que essa cobrança tira a competitividade do empreendimento. –É um custo que a gente não tinha e perdemos concorrência com isso- afirmou.

Vanda Biazussi, que tem uma empresa de massas e bolachas em Maravilha, reclama que o imposto é alto e que os contratos com o Estado demoram para ser renovados.

Os agricultores também reclamaram demora na liberação dos novos projetos. Sandra Bergamin, presidente da Cooperfamiliar, cooperativa ligada à Fetraf Sul, disse que a Cidasc está com quadro de veterinários defasados, o que prejudica a assistência aos produtores. A Fetraf-Sul também cobra uma redução na alíquota do ICMS nos produtos da agricultura familiar, que é de 17%.

O presidente da Cidasc, Enori Barbieri, reconhece que o quadro está defasado, mas que não há previsão de contratação de novos médicos veterinários. Em relação à cobrança das inspeções ele afirmou que a Cidasc não tinha como dar conta das 800 empresas que tinha que fiscalizar e por isso adotou o modelo de credenciar empresas, que é utilizado em países desenvolvidos.

Sobre a demora na aprovação dos projetos, disse que muitos não estão adequados às exigências. Por isso haverá uma reunião no dia 5 de junho, com responsáveis técnicos da Fetraf-Sul, para tratar da “reciclagem” desses profissionais.

Uma nova mobilização dos agricultores deve ser realizada hoje, cobrando mais medidas de compensação contra a estiagem.



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