24 mai15:30

Agricultores fecharam rodovia para reivindicar verbas contra a estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Cerca de mil agricultores familiares fecharam ontem a BR 282 no trevo de acesso a Chapecó para pressionar os Governos Federal e Estadual a liberarem verbas de compensação contra os prejuízos da estiagem.

Em Santa Catarina as perdas chegam a R$ 770 milhões. Eles reclamam que as medidas anunciadas até agora auxiliam prefeituras mas não resolvem o problema de falta de renda no campo.

A agricultora Enelsi Mariani, de Seara, esperava colher duas mil sacas de milho em 19 hectares mas conseguiu apenas 500 sacas, numa quebra de 70%. Esse volume mal dá para o consumo dos animais na propriedade. E o pior é que ela ficou sem dinheiro para quitar o financiamento de R$ 33 mil da lavoura. Outro financiamento de R$ 30 mil, para a atividade pecuária, ela conseguiu renegociar, pagando R$ 1,2 mil de juros. Para piorar a suinocultura está em crise e a produção média de 120 suínos por mês não cobre os custos. Sobrou a produção de leite, que também caiu de sete mil litros para quatro mil litros mês. Mas a renda de R$ 2,6 mil mensais não chega para cobrir as despesas. –Não consigo pagar o financiamento- disse Enelsi.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, Fetraf-Sul, Alexandre Bergamin, calculou que 110 mil agricultores foram afetados pela estiagem e apenas 15 mil conseguiram acessar o Proagro. –Tivemos agricultores que perderam 65% e não tiveram o benefício- afirmou. Um dos motivos é que o alto preço da soja e do milho acabaram garantindo um valor suficiente para pagar o banco. O ruim é que os agricultores ficaram sem renda. Por isso uma das propostas é alterar o Proagro para que haja uma garantia de renda de pelo menos R$ 10 mil por família em caso de renda. Além disso os agricultores querem recursos federais e estaduais para que as famílias capital para viverem o restante do ano e investirem em novas lavouras.

Em reunião com a secretaria de Agricultura do Estado na quinta-feira, quando iniciaram os protestos dos agricultores, foi acenada a possibilidade de usar parte dos recursos dos R$ 60 milhões que o Governo vai buscar no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, para combater a estiagem, em benefício direto para os agricultores atingidos. Eles receberiam um percentual do financiamento em dinheiro.

Para o Governo Federal foi solicitada a prorrogação das parcelas de financiamento que vencem em 31 de junho e uma extensão do financiamento de R$ 12 mil por família liberado para o Nordeste, também para os agricultores atingidos pela estiagem no Sul.


REIVINDICAÇÕES

-Liberação de um crédito do Governo Federal no valor de R$ 12 mil, com subsídio de 40%, a exemplo do que foi liberado para o Nordeste.

-Alteração no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), aumentando o desconto de 2% para algo em torno de 3 a 4%, desde que seja dada uma garantia de renda de R$ 10 mil por agricultor.

-Prorrogação dos financiamentos

-Utilizar parte dos R$ 60 milhões que o Governo do Estado vai captar junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para subsidiar R$ 5 mil a R$ 8 mil aos agricultores em projetos de cerca de R$ 30 mil para a construção de cisternas, redes de água e sistemas de irrigação.

-Utilizar metade dos R$ 60 milhões que o Governo do Estado vai captar no BNDES para a construção de reservatórios, poços e barragens comunitárias.


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