26 mai07:59

Soja atinge preço recorde em Santa Catarina

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Em apenas um ano a saca da soja em Santa Catarina subiu 37,9% , passando de R$ 40,5 em maio do ano passado, para R$ 56 nesta semana. Mas o que parece ser bom para o setor agropecuário na realidade não é tão benéfico assim. É que justamente nesse momento os produtores catarinense perderam boa parte da safra, pela estiagem. E o aumento na oleaginosa aumenta os custos de produção de aves, suínos e leite. E isso pode refletir também na mesa do consumidor.

O presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, disse que o aumento no preço foi ocasionado pela alta do dólar, que passou de patamares de R$ 1,70 a R$ 1,80 para R$ 2,08; a quebra de 20 milhões de toneladas nas safras do Brasil e Argentina, além do aumento de consumo de sete milhões de toneladas da China e a previsão de redução de área nos Estados Unidos.

Barbieri afirmou que 85% da safra brasileira já foi comercializada e pode até faltar produto para as indústrias. A tonelada de farelo de soja, utilizada na alimentação animal, aumentou de R$ 500 para R$ 900. –Esse aumento de custos está reduzindo a margem de lucro das agroindústrias e deixa o setor em alerta- afirmou Barbieri.

O presidente da Cidasc destacou que outro problema é o aumento dos insumos. A saca de 50 quilos da uréia passou de R$ 40 para R$ 70.

O gerente comercial da Cooperativa Regional Alfa (Cooperalfa), Lourenço Lovatel, disse que o aumento nos insumos pode ser compensado pelo aumento no preço dos produtos. –O ganho na venda do produto é maior que o aumento do custo- explicou. Ele lembrou que o preço em dólar foi até maior em junho de 2008, quando a saca chegou a US$ 30 (R$ 49 com o dólar a R$ 1,61), contra os atuais US$ 27 por saca. Lovatel entende ainda que o aumento do dólar era necessário para que a indústria brasileira recuperasse a competitividade.

No entanto ele reconhece que o custo para produzir suínos, por exemplo, ficou inviável. –O farelo de soja custa R$ 1 e o quilo do suíno, que precisa de três quilos de ração, é R$ 1,90- comparou. Ele espera que as carnes aumentem para compensar o custo. E isso vai refletir no preço ao consumidor.

Outro problema é que o preço aumentou, mas muitos produtores tem uma safra menor. Nas regiões onde a perda foi menor, os agricultores estão comemorando. No Oeste, onde a quebra foi maior, os produtores estão lamentando. –O aumento não compensa pois no ano passado colhemos 20 mil sacas e, neste ano, apenas sete mil- disse Fábio Fonseca, de Chapecó.

Outro agricultor, José Cadore, que tinha colhido 52 sacas por hectare no ano passado, neste ano colheu apenas 22 sacas por hectare. –Não vai sobrar nada para investir na próxima lavoura- explicou.

Somente a Cooperalfa teve uma queda de 36% no recebimento de soja, que passou de 5,5 milhões de sacas, para 3,2 milhões de sacas. Em todo o Estado a quebra foi de 24% em relação ao ano passado. De acordo com dados do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, a safra será de 1,12 milhão de toneladas, contra 1,49 milhão de toneladas do ano passado.

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